O desfile do Salgueiro e a polêmica do black face

 Imagem: Buna Prado/UOL
O Salgueiro chegou para a segunda noite de desfiles na Sapucaí ontem e foi a quarta escola de samba a desfilar. Com o enredo "Senhoras do ventre do mundo", que tinha como objetivo a exaltação da mulher negra, a escola pintou de preto o rosto da comissão de frente e da bateria. A comissão de frente contava com um plus a mais: os homens estavam também vestidos de mulheres. 

Para quem não sabe, o procedimento conhecido como “black face” foi prática teatral popular no século 19 em que atores brancos pintavam o rosto para encenar personagens negros de forma exagerada e estereotipada. Na época, a presença de negros nos teatros era proibida.

Imediatamente após a entrada na Sapucaí, os primeiros internautas já demonstravam certo descontentamento com a incoerência do desfile. Afinal, por que uma escola que chega com o objetivo de celebrar a negritude feminina precisa apelar para um recurso ultrapassado, desrespeitoso e, ainda por cima, racista?

Imagem: Reprodução/Twitter

Imagem: Reprodução/Twitter

Polêmicas à parte, o coreógrafo Hélio Bejani, em entrevista para o Extra, reforçou que a decisão de aderir o black face foi conjunta e não teve intenção racista. “Isso é uma manifestação artística, temos licença poética. O enredo é afro. E é um afro mais histórico. Precisávamos dessas feições mais escuras. Por isso, decidimos pela pintura e por usar homens representando mulheres”, afirmou. A presidente do Salgueiro, Regina Celi, foi mais direta quando falou sobre o assunto: “Estava na leitura do carnavalesco, tinha que ser assim”.

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