Querida ansiedade

1 de julho de 2017

Imagem: We Heart It
Soube que você vai caminhar comigo o resto da vida. Que não vai passar nunca. Que vai continuar enfeitando meus dias com uma dose de desespero, outra de preocupação e um pouquinho de taquicardia todo dia antes de dormir.

Soube também que nunca mais posso descuidar das atividades físicas, das receitas caseiras de "como viver bem" e nem ao menos posso fingir que você não existe - me falaram que é muito pior. Soube que você fica ao meu lado sempre, de maneira singela, mas que vai sempre aparecer no apagar das luzes ou me pegar de surpresa no meio do caminho para o trabalho ou para aquele passeio que estou esperando a dias.

Você é o típico problema que eu vou ter que encarar. Todos os dias. O típico problema do século 21, das piadas em família, do "é só não se sentir assim" ou "você precisa fazer algo para mudar isso". Você é quase parte de mim.

A falta de ar é imperceptível. A dor de cabeça é discreta. As mãos suadas também. A dor no estômago sempre chega de mansinho. Os olhos quase cerrados e a sensação de que o mundo abriu sobre meus pés beira o irreal - quase ninguém vê.

Eu não queria que você me acompanhasse. Na rotina, na viagens, na vida. Não queria que me desse a mão sem autorização, um abraço sem meu ok ou aparecesse sempre como quem não quer nada. "Eu só vou pensar sobre isso por um minuto", eu sussurro, e lá está você pronta para me atormentar com uma carga de suor e adrenalina capazes de me virar de ponta a cabeça.

Você, cara ansiedade, não só é realmente surreal como também existe, de verdade, em mim. Soube que vai caminhar comigo o resto da vida. E eu desejaria muito não ter que fazer esse trajeto - não com você.

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