Como a depressão mudou a minha vida

25 de junho de 2017

Foto: We Heart It
Já faz um tempo que interrompi a medicação. Um ou dois anos, talvez. Já fazem uns anos que a minha psicóloga me perguntou "a rotina está mais pesada do que você é capaz de aguentar, Dreisse?" de maneira muito sutil e amigável. Eu disse que sim. E como ela já me acompanhava há anos, o diagnóstico não tardou a chegar: com uma grau de transtorno de ansiedade generalizada (TAG)) que não melhorava nunca, veio a depressão. Eu não lembro como eu contei para os meus pais. Eu sequer me lembro se eles haviam percebido minha diferença de comportamento ou algo do tipo. 

Há uma série de coisas que eu não me lembro dessa época. Mas por que então eu estou contando isso? Porque há uma série de coisas que as pessoas precisam aprender sobre isso e, sabemos, aprenderão ouvindo a voz de quem já sofreu com o problema. 

Tudo foi muito mais simples do que eu pensei, mas, na época, tiveram proporções gigantescas na minha vida. A primeira dose de remédio, a insônia como efeito colateral, as vontades de não sair da cama, do chuveiro, sumir da faculdade, não acordar para trabalhar. O leve e grave afastamento dos familiares, dos amigos, as crises repentinas, as dores no corpo. As dores no corpo. Se eu pudesse falar uma única coisa sobre a depressão, eu diria que ela dói. Literalmente falando. 

Mas, foi com ela que eu aprendi o mais impagável dos clichês: nada como um dia após o outro. E aprendi também, na marra, que não há vida passível de controle sob as minhas mãos. Por mais que eu quisesse ter o mundo sob o meu colo. E isso diz tanto sobre minha ansiedade também que hoje, depois da tempestade, eu de certa forma sou muito grata. 

O tratamento, como eu disse, foi gradativo e, para mim, muito longo. Mas necessário. Chorei feito criança quando recebi alta da psiquiatra. Por mais difíceis que alguns dias ainda sejam, por mais que as marcas e as lembranças da depressão ainda sobrevivam dia após dia, a consciência sobre mim e os sentimentos que eu carrego hoje é o que sobressaiu depois de todo esse tempo. 

Aprendi a olhar para o futuro com esperança e tranquilidade - mesmo que nem sempre pareça no meu dia-a-dia. Aprendi a compaixão e a olhar para a dor do outro sem julgamentos - poucas pessoas foram capazes de fazer isso por mim. Não aprendi a ter paciência, mas aprendi a respirar fundo quando necessário. Aprendi a não acumular tensões - mesmo que até hoje eu adoeça por problemas emocionais. E aprendi o mais importante para mim: eu tenho tempo. Tempo para aprender, para viver, para dar passos ou regredir se necessário. 

E para você que acha que não tem mais jeito, eu peço que tenha calma. Agarre-se em quem te ama. Peça ajuda se necessário. E não desista. Foque em quem você é de verdade e lembre-se: tá tudo bem, moça (o).

Eu não quero ser blogueira

20 de junho de 2017

Foto: We Heart It
Eu voltei. E fui. E voltei. E pode ser que daqui a pouco eu vá de novo. É que eu odeio escrever por obrigação. Sabem? Tão bom quando as palavras escorrem de mim sem esforço algum. Tão bom quando eu ainda escrevia para um pequeno espaço meu que eu nem lembro mais o nome - mas com certeza não tinha mais de dois leitores por mês. 

Acho que esse boom de blogs não faz bem para todo mundo. Quando você diz que tem um blog, as pessoas te chamam de blogueira e imaginam que você tem diversos seguidores do Instagram. Não tenho nada contra quem leva isso como uma profissão. Sério. Mas não, cara, eu não sou blogueira. Eu só tenho um blog. E uso ele para escrever meus desesperos todas as vezes que vou e volto. 

E até acho que é por isso que eu fui de novo. Não gosto da obrigação de escrever. Odeio pensar pautas. Odeio imaginar em quantos caracteres meu texto tem que caber ou em qual rede social eu vou gerar mais engajamento. Eu só quero escrever. Eu realmente não me importo se uma ou um milhão de pessoas vão ler. Eu-só-escrevo. 

Acho que é por isso que voltei também. De novo. Pela milésima vez. Eu preciso continuar sendo eu. Eu entendi que não preciso ser uma máquina de gerar parágrafos. Meus textos precisam que eu seja apenas leve, mesmo que para eles existirem, meus pesos precisam transbordar em mim. Eu não preciso fazer dinheiro com isso aqui. Muito menos garantir likes em selfies produzidas ou escrever textos que viralizam. 

Eu só tenho um blog e isso me basta. Gosto daqui porque escrevo minhas miudezas. Transbordo minhas dores. Coloco no papel o que ficou entalado por meses. Volto com meses de história para contar dessa vez. E que a gente que escreve continue sendo leve, mesmo que a internet e suas mil invenções às vezes nos engulam.