Você deixa meu coração quente

13 de março de 2017

Foto: We Heart It
É que você deixa meu coração quentinho. Sabe? Quentinho mesmo. De um jeito que você só consegue deixar. Vai muito além de aquecer meu corpo quando está frio ou quando o nosso quarto está pegando fogo. Vai muito além de ocupar meus dias com palavras legais e de conforto enquanto eu estou reclamando do trabalho. É que meu coração fica realmente quente ao seu lado. Tranquilo.

Você me desarma. É que contigo eu não tenho vontade de brigar, reclamar ou lamentar o que quer que seja. E as reclamações são sempre seguidas de reflexões profundas sobre como estar ao seu lado me deixa serena. Acho que aprendi a olhar o mundo com outros olhos. Tentar enxergar como você enxerga deixa meus dias mais leves, menos confusos. Do seu lado, todas aquelas questões simplesmente desaparecem.

Estranho definir o que a gente tem pelo calor emocional que você me dá. É aquela sensação de conforto, entende? De cama quente, colo sempre pronto, abraço carinhoso que só quem gosta de verdade consegue oferecer – e receber. É tão bom quanto o barulho de chuva na janela enquanto você enrola o dedo no cabelo. É tão bom quanto acordar de manhã sorrindo porque você está aqui.

É tão nosso que sequer consigo falar sobre. E eu, que sempre fui de palavras, definindo absolutamente tudo que encontro, não consigo descrever. E talvez essa seja mesmo a nossa essência. A gente sequer precisa de definição. Passam-se os dias, permanecem os sentimentos, as sensações. Como se eu ainda tivesse te encontrando pela segunda vez na minha vida – meio de cara amarrada, meio receosa sem saber o que sairia dali. Florescemos.

Você não me completa. E essa talvez seja a nossa maior qualidade como casal: a gente se somou. Eu não sou nem um pouco menor ao seu lado. Você não se ofusca perto de mim. Nossas somas são tão claras que todo mundo já percebeu: veio para dar certo. Está dando. E agora, depois de tantas histórias frustradas, eu não tenho mais medo da estiagem ou do inverno. É que você deixa meu coração quentinho.

"Não nasci aqui" e minhas aventuras por São Paulo

11 de março de 2017

Foto: We Heart It
Morar longe de casa tem dessas coisas. Você fica com mil novidades entaladas na garganta e não sabe para quem contar tudo isso. E nem dá tempo de contar tudo quando vai para a antiga casa rever a família. Tudo está acontecendo de uma só vez na sua vida.

Esse ano, comecei a escrever uma nova história aqui em São Paulo. Uma história só minha, dessas repletas de dores e delícias. E resolvi dividir com o mundo. Para isso, criei o Não Nasci Aqui: uma página no Facebook e no Instagram onde eu conto sobre a nova e diferente rotina que decidir viver esse ano.

E já tem conteúdo novinho lá. Quer saber também como é mudar de estado e ir morar longe da família? Me segue lá! Vou amar receber você. E, ah, se você tiver alguma dúvida ou quiser saber como é que eu cometi essa loucura (aka, mudar sair de Minas e vir morar em São Paulo), é só perguntar!

Ainda dá tempo

2 de março de 2017

Foto: We Heart It
Sou filha de uma geração que vive com pressa. Muito cedo desenvolvi depressão, ansiedade patológica e síndrome do pânico. Tenho várias amigas na mesma situação. Todas nós somos filhas de uma sociedade que exige que tenhamos carro e casa própria, além de sermos mulheres lindas, boas mães, esposas incríveis, profissionais exemplares. É preciso também ter viajado o mundo para ser feliz e ter tempo para chegar até o doutorado – porque só somos bem sucedidas se falarmos 3 idiomas diferentes, tivermos vários diplomas e histórias para contar. Tudo isso antes dos 30.

Eu não sou a primeira a expor essa ferida social que suga a alma de nós, jovens, a troco de absolutamente nada (ou melhor, a troco de uma roda de conversa numa festa de família onde podemos dizer “venci na vida” – o que quer que isso signifique). Não serei a última jovem à ir trabalhar chorando porque quer resultados rápidos feito uma criança mimada que não consegue esperar pelo presente de natal.

Nós, todos nós, somos filhos da ansiedade. Do imediatismo. De uma geração anterior e frustrada que depositou em nós toda expectativa do mundo. Queremos tudo, absolutamente tudo, para ontem. E, se não for assim, essa mesma sociedade nos julga um fracasso, um bando de jovens desocupados que não querem crescer na vida.

Não nos ensinaram que temos todo o tempo do mundo. Nos falaram que a vida só é boa se acontecer agora do jeito mais incrível que tem que ser – e foda-se nossas vontades, classe social e perdoem o palavrão. Me disseram um dia que eu só seria alguém na vida se fosse rica. Se arrumasse um bom marido. Se fosse mãe. Se comprasse minha própria casa com meu esforço. Se tivesse um diploma.

Conseguiram de uma maneira única calar a nossa voz, encher as universidades de jovens que não sabem o que querem da vida e criaram pessoas desesperadas e com medo do futuro. Porque todas essas expectativas caíram sobre as nossas costas. Doem agora de uma maneira terrível, porque simplesmente não conseguimos sempre nos livrar das amarras e das expectativas alheias.

Não me venha com discursos “namastê” e sobre ser feliz largando tudo para começar do zero – eu fiz isso e sequer me encontrei ainda. Infelizmente, não nos sobrou muitas opções. Repito para mim (e para as várias amigas na mesma situação) que nada como um dia após o outro. É que a mesma sociedade que fez isso com a gente sequer foi capaz de arrumar desculpa melhor para nos fazer viver sob tanta pressão.

Ao mesmo tempo que queremos tudo, não queremos também. Ao mesmo tempo que nossas costas doem, nossos pés já estão cansados. E eu só espero que um dia, daqui a 50 ou 60 anos, meus netos não façam as mesmas reclamações, porque além de filhos de uma geração frustrada, seremos avós de uma geração falida.