15 dias de mudança

11 de agosto de 2017


Todos os dias a gente quer mudar algo. Todos os dias a gente quer ser melhor. Todos os dias agente se arrepende. E muitas vezes a gente diz que vai mudar e não muda. Por que eu estou dizendo isso? Porque me encaixei no seleto grupo de procrastinadores que deixam tudo para amanhã e amargam o arrependimento de não ter começado nada antes.

Mas "segunda eu começo", digo sempre. "Estou cansada hoje", falo muitas vezes. Assim, adiei meus estudos, adiei hábitos saudáveis, adiei opções melhores para a minha vida. Abdiquei de uma série de soluções que teriam aparecido se eu não tivesse procrastinado. E por que eu estou contando isso agora? Porque resolvi começar hoje. Assim. Em plena sexta-feira.

Aprendi que quando se assume um compromisso publicamente, a gente tende a colocar mais empenho e fazer até o final. Achei justo dividir essas reflexões e me colocar nesse desafio. Serão 5 mudanças nada radicais, mas que exigem muito empenho para os próximos 15 dias. Não são coisas complexas e 15 dias pode até ser pouco tempo para uma série de mudanças que quero fazer, mas eu preciso iniciar os ajustes e acho melhor começar agora.

É sempre ruim quando a gente adia soluções que só nos beneficiam. É sempre ruim quando a gente opta por continuar a mercê dos dias, vivendo como se a vida de resumisse em aguardar as 18h do relógio para se jogar no sofá e só. O ócio sempre me incomodou e não é justo me tornar refém disso agora.

Nos próximos 15 dias, algumas coisas vão mudar. E mesmo que não sejam mudanças radicais, elas são importantes para mim. Acho que você deveria tentar! Que tal? Escolha 1, 2 ou 5 hábitos que você deseja colocar em prática nos próximos 15 dias e se joga. Mesmo que não seja uma grande mudança. O primeiro passo é tão importante quanto o trajeto que você vai fazer.

Agora vem cá e me conta aqui: o que você mudaria na sua vida nos próximos 15 dias?

Amar não tem que ser difícil

8 de agosto de 2017

Imagem: We Heart It
O amor não pode pesar. Não pode ser complicado, doloroso ou causar sofrimento. Precisa ser fácil. E eu sei que você sabe disso. Eu também sei, confesso. Vira e mexe esqueço, assumo. Mas é que para amar a gente não tem que se esforçar demais. É simples assim.

Amar o outro não tem que precisar de choro. Brigas. Sermões. Ceder sempre. Precisa ser fácil. Precisa ser de graça. Precisa ser livre de todas as amarras que a gente coloca no meio do caminho. Transbordar amor, amar alguém depende de quão leve a gente consegue fazer ser esse processo de doação. E isso não tem que ser difícil.

A maturidade me ensinou que amor não precisa nem deixar frio na barriga de ansiedade. Isso é coisa de paixão. Amor é segurança. Confiança. Tranquilidade. E se alguma dessas palavras não fazem parte do seu amor, então não tem mesmo como ser fácil. Para amar não precisa de muito. 

Um punhado de sentimentos bons, a certeza de um amor tranquilo, uma dose de dedicação, mais um tanto de amor próprio e amar será uma das poucas coisas sem dificuldades da sua vida. E, moça, se dói, você precisa rever isso. Amar não tem que ser difícil.

Querida ansiedade

1 de julho de 2017

Imagem: We Heart It
Soube que você vai caminhar comigo o resto da vida. Que não vai passar nunca. Que vai continuar enfeitando meus dias com uma dose de desespero, outra de preocupação e um pouquinho de taquicardia todo dia antes de dormir.

Soube também que nunca mais posso descuidar das atividades físicas, das receitas caseiras de "como viver bem" e nem ao menos posso fingir que você não existe - me falaram que é muito pior. Soube que você fica ao meu lado sempre, de maneira singela, mas que vai sempre aparecer no apagar das luzes ou me pegar de surpresa no meio do caminho para o trabalho ou para aquele passeio que estou esperando a dias.

Você é o típico problema que eu vou ter que encarar. Todos os dias. O típico problema do século 21, das piadas em família, do "é só não se sentir assim" ou "você precisa fazer algo para mudar isso". Você é quase parte de mim.

A falta de ar é imperceptível. A dor de cabeça é discreta. As mãos suadas também. A dor no estômago sempre chega de mansinho. Os olhos quase cerrados e a sensação de que o mundo abriu sobre meus pés beira o irreal - quase ninguém vê.

Eu não queria que você me acompanhasse. Na rotina, na viagens, na vida. Não queria que me desse a mão sem autorização, um abraço sem meu ok ou aparecesse sempre como quem não quer nada. "Eu só vou pensar sobre isso por um minuto", eu sussurro, e lá está você pronta para me atormentar com uma carga de suor e adrenalina capazes de me virar de ponta a cabeça.

Você, cara ansiedade, não só é realmente surreal como também existe, de verdade, em mim. Soube que vai caminhar comigo o resto da vida. E eu desejaria muito não ter que fazer esse trajeto - não com você.

Como a depressão mudou a minha vida

25 de junho de 2017

Foto: We Heart It
Já faz um tempo que interrompi a medicação. Um ou dois anos, talvez. Já fazem uns anos que a minha psicóloga me perguntou "a rotina está mais pesada do que você é capaz de aguentar, Dreisse?" de maneira muito sutil e amigável. Eu disse que sim. E como ela já me acompanhava há anos, o diagnóstico não tardou a chegar: com uma grau de transtorno de ansiedade generalizada (TAG)) que não melhorava nunca, veio a depressão. Eu não lembro como eu contei para os meus pais. Eu sequer me lembro se eles haviam percebido minha diferença de comportamento ou algo do tipo. 

Há uma série de coisas que eu não me lembro dessa época. Mas por que então eu estou contando isso? Porque há uma série de coisas que as pessoas precisam aprender sobre isso e, sabemos, aprenderão ouvindo a voz de quem já sofreu com o problema. 

Tudo foi muito mais simples do que eu pensei, mas, na época, tiveram proporções gigantescas na minha vida. A primeira dose de remédio, a insônia como efeito colateral, as vontades de não sair da cama, do chuveiro, sumir da faculdade, não acordar para trabalhar. O leve e grave afastamento dos familiares, dos amigos, as crises repentinas, as dores no corpo. As dores no corpo. Se eu pudesse falar uma única coisa sobre a depressão, eu diria que ela dói. Literalmente falando. 

Mas, foi com ela que eu aprendi o mais impagável dos clichês: nada como um dia após o outro. E aprendi também, na marra, que não há vida passível de controle sob as minhas mãos. Por mais que eu quisesse ter o mundo sob o meu colo. E isso diz tanto sobre minha ansiedade também que hoje, depois da tempestade, eu de certa forma sou muito grata. 

O tratamento, como eu disse, foi gradativo e, para mim, muito longo. Mas necessário. Chorei feito criança quando recebi alta da psiquiatra. Por mais difíceis que alguns dias ainda sejam, por mais que as marcas e as lembranças da depressão ainda sobrevivam dia após dia, a consciência sobre mim e os sentimentos que eu carrego hoje é o que sobressaiu depois de todo esse tempo. 

Aprendi a olhar para o futuro com esperança e tranquilidade - mesmo que nem sempre pareça no meu dia-a-dia. Aprendi a compaixão e a olhar para a dor do outro sem julgamentos - poucas pessoas foram capazes de fazer isso por mim. Não aprendi a ter paciência, mas aprendi a respirar fundo quando necessário. Aprendi a não acumular tensões - mesmo que até hoje eu adoeça por problemas emocionais. E aprendi o mais importante para mim: eu tenho tempo. Tempo para aprender, para viver, para dar passos ou regredir se necessário. 

E para você que acha que não tem mais jeito, eu peço que tenha calma. Agarre-se em quem te ama. Peça ajuda se necessário. E não desista. Foque em quem você é de verdade e lembre-se: tá tudo bem, moça (o).

Eu não quero ser blogueira

20 de junho de 2017

Foto: We Heart It
Eu voltei. E fui. E voltei. E pode ser que daqui a pouco eu vá de novo. É que eu odeio escrever por obrigação. Sabem? Tão bom quando as palavras escorrem de mim sem esforço algum. Tão bom quando eu ainda escrevia para um pequeno espaço meu que eu nem lembro mais o nome - mas com certeza não tinha mais de dois leitores por mês. 

Acho que esse boom de blogs não faz bem para todo mundo. Quando você diz que tem um blog, as pessoas te chamam de blogueira e imaginam que você tem diversos seguidores do Instagram. Não tenho nada contra quem leva isso como uma profissão. Sério. Mas não, cara, eu não sou blogueira. Eu só tenho um blog. E uso ele para escrever meus desesperos todas as vezes que vou e volto. 

E até acho que é por isso que eu fui de novo. Não gosto da obrigação de escrever. Odeio pensar pautas. Odeio imaginar em quantos caracteres meu texto tem que caber ou em qual rede social eu vou gerar mais engajamento. Eu só quero escrever. Eu realmente não me importo se uma ou um milhão de pessoas vão ler. Eu-só-escrevo. 

Acho que é por isso que voltei também. De novo. Pela milésima vez. Eu preciso continuar sendo eu. Eu entendi que não preciso ser uma máquina de gerar parágrafos. Meus textos precisam que eu seja apenas leve, mesmo que para eles existirem, meus pesos precisam transbordar em mim. Eu não preciso fazer dinheiro com isso aqui. Muito menos garantir likes em selfies produzidas ou escrever textos que viralizam. 

Eu só tenho um blog e isso me basta. Gosto daqui porque escrevo minhas miudezas. Transbordo minhas dores. Coloco no papel o que ficou entalado por meses. Volto com meses de história para contar dessa vez. E que a gente que escreve continue sendo leve, mesmo que a internet e suas mil invenções às vezes nos engulam. 

Você deixa meu coração quente

13 de março de 2017

Foto: We Heart It
É que você deixa meu coração quentinho. Sabe? Quentinho mesmo. De um jeito que você só consegue deixar. Vai muito além de aquecer meu corpo quando está frio ou quando o nosso quarto está pegando fogo. Vai muito além de ocupar meus dias com palavras legais e de conforto enquanto eu estou reclamando do trabalho. É que meu coração fica realmente quente ao seu lado. Tranquilo.

Você me desarma. É que contigo eu não tenho vontade de brigar, reclamar ou lamentar o que quer que seja. E as reclamações são sempre seguidas de reflexões profundas sobre como estar ao seu lado me deixa serena. Acho que aprendi a olhar o mundo com outros olhos. Tentar enxergar como você enxerga deixa meus dias mais leves, menos confusos. Do seu lado, todas aquelas questões simplesmente desaparecem.

Estranho definir o que a gente tem pelo calor emocional que você me dá. É aquela sensação de conforto, entende? De cama quente, colo sempre pronto, abraço carinhoso que só quem gosta de verdade consegue oferecer – e receber. É tão bom quanto o barulho de chuva na janela enquanto você enrola o dedo no cabelo. É tão bom quanto acordar de manhã sorrindo porque você está aqui.

É tão nosso que sequer consigo falar sobre. E eu, que sempre fui de palavras, definindo absolutamente tudo que encontro, não consigo descrever. E talvez essa seja mesmo a nossa essência. A gente sequer precisa de definição. Passam-se os dias, permanecem os sentimentos, as sensações. Como se eu ainda tivesse te encontrando pela segunda vez na minha vida – meio de cara amarrada, meio receosa sem saber o que sairia dali. Florescemos.

Você não me completa. E essa talvez seja a nossa maior qualidade como casal: a gente se somou. Eu não sou nem um pouco menor ao seu lado. Você não se ofusca perto de mim. Nossas somas são tão claras que todo mundo já percebeu: veio para dar certo. Está dando. E agora, depois de tantas histórias frustradas, eu não tenho mais medo da estiagem ou do inverno. É que você deixa meu coração quentinho.

"Não nasci aqui" e minhas aventuras por São Paulo

11 de março de 2017

Foto: We Heart It
Morar longe de casa tem dessas coisas. Você fica com mil novidades entaladas na garganta e não sabe para quem contar tudo isso. E nem dá tempo de contar tudo quando vai para a antiga casa rever a família. Tudo está acontecendo de uma só vez na sua vida.

Esse ano, comecei a escrever uma nova história aqui em São Paulo. Uma história só minha, dessas repletas de dores e delícias. E resolvi dividir com o mundo. Para isso, criei o Não Nasci Aqui: uma página no Facebook e no Instagram onde eu conto sobre a nova e diferente rotina que decidir viver esse ano.

E já tem conteúdo novinho lá. Quer saber também como é mudar de estado e ir morar longe da família? Me segue lá! Vou amar receber você. E, ah, se você tiver alguma dúvida ou quiser saber como é que eu cometi essa loucura (aka, mudar sair de Minas e vir morar em São Paulo), é só perguntar!

Ainda dá tempo

2 de março de 2017

Foto: We Heart It
Sou filha de uma geração que vive com pressa. Muito cedo desenvolvi depressão, ansiedade patológica e síndrome do pânico. Tenho várias amigas na mesma situação. Todas nós somos filhas de uma sociedade que exige que tenhamos carro e casa própria, além de sermos mulheres lindas, boas mães, esposas incríveis, profissionais exemplares. É preciso também ter viajado o mundo para ser feliz e ter tempo para chegar até o doutorado – porque só somos bem sucedidas se falarmos 3 idiomas diferentes, tivermos vários diplomas e histórias para contar. Tudo isso antes dos 30.

Eu não sou a primeira a expor essa ferida social que suga a alma de nós, jovens, a troco de absolutamente nada (ou melhor, a troco de uma roda de conversa numa festa de família onde podemos dizer “venci na vida” – o que quer que isso signifique). Não serei a última jovem à ir trabalhar chorando porque quer resultados rápidos feito uma criança mimada que não consegue esperar pelo presente de natal.

Nós, todos nós, somos filhos da ansiedade. Do imediatismo. De uma geração anterior e frustrada que depositou em nós toda expectativa do mundo. Queremos tudo, absolutamente tudo, para ontem. E, se não for assim, essa mesma sociedade nos julga um fracasso, um bando de jovens desocupados que não querem crescer na vida.

Não nos ensinaram que temos todo o tempo do mundo. Nos falaram que a vida só é boa se acontecer agora do jeito mais incrível que tem que ser – e foda-se nossas vontades, classe social e perdoem o palavrão. Me disseram um dia que eu só seria alguém na vida se fosse rica. Se arrumasse um bom marido. Se fosse mãe. Se comprasse minha própria casa com meu esforço. Se tivesse um diploma.

Conseguiram de uma maneira única calar a nossa voz, encher as universidades de jovens que não sabem o que querem da vida e criaram pessoas desesperadas e com medo do futuro. Porque todas essas expectativas caíram sobre as nossas costas. Doem agora de uma maneira terrível, porque simplesmente não conseguimos sempre nos livrar das amarras e das expectativas alheias.

Não me venha com discursos “namastê” e sobre ser feliz largando tudo para começar do zero – eu fiz isso e sequer me encontrei ainda. Infelizmente, não nos sobrou muitas opções. Repito para mim (e para as várias amigas na mesma situação) que nada como um dia após o outro. É que a mesma sociedade que fez isso com a gente sequer foi capaz de arrumar desculpa melhor para nos fazer viver sob tanta pressão.

Ao mesmo tempo que queremos tudo, não queremos também. Ao mesmo tempo que nossas costas doem, nossos pés já estão cansados. E eu só espero que um dia, daqui a 50 ou 60 anos, meus netos não façam as mesmas reclamações, porque além de filhos de uma geração frustrada, seremos avós de uma geração falida.

Você que nunca sai de mim

15 de fevereiro de 2017

Foto: We Heart It
Passar pelos mesmos lugares que um dia nós andamos ainda é capaz de mexer com minhas estruturas. Você foi. Eu também fui. Mas eventualmente as lembranças me pegam pelo pescoço e me obrigam a lembrar de você. Não é de propósito. Nunca é. Mas sempre olho para esses locais com carinho e vejo nós dois juntos como se estivéssemos parados na cena - estamos correndo para pegar um ônibus, estamos naquele restaurante esperando o nosso almoço, estamos atravessando a avenida movimentada. Simplesmente estamos.

Hoje eu acordei e, por um instante, acreditei que você estivesse ao meu lado. É que a gente se encontrou essa noite. Depois de tantos anos, eu te beijei. Abracei. Perguntei como é que você estava. Vi o seu sorriso, ouvi o som da sua gargalhada – aquele barulho que eu morro de medo de esquecer um dia. Percebi que você estava mais vivo do que nunca em mim. E fui. Embora, para fora, seguir minha vida. Acordei do melhor sonho que tive com você nesses longos anos, porque, tenho certeza, foi o que eu estive mais perto da vida que um dia nós tivemos.

É que, apesar do tempo, essas lembranças são bem fortes em minha mente. E eu não sei o que poderia acabar com isso. Qualquer sinal de você, qualquer música, qualquer cheiro ou qualquer lugar me lembram do que um dia nós fomos – e do quanto eu gostaria que ainda fôssemos. E isso, meu amor, é o suficiente para nos visitarmos durante a noite. Quer você goste ou não.

Entenda: eu nunca desejei que ficasse. Que permanecesse. Que fosse parte da minha rotina diária. Eu nunca, sequer imaginei que você ficaria contra a minha vontade. Ficaria em minha mente, no caso. Então, eu me concentrei em te esquecer. Mas nada disso foi possível.

Você continua vagando por entre os meus sonhos, o som da sua risada ainda está no meu pé do meu ouvido e eu ainda sou capaz de sentir seu cheiro, vez ou outra, nos lugares onde eu estou e você sequer passou. O chão ainda some dos meus pés quando penso em você e o coração ainda aperta quando sei que não vai voltar. Mas sabe de uma coisa? Você está bem e é isso que importa.

Amar tem dessas coisas, não é mesmo? Te quero bem, acima de tudo. Mesmo de longe. E, eu sei, você nunca vai sair de mim, meu amor. Mesmo que eu ainda passe nos lugares de sempre. Você, nunca.

Adeus, amor

8 de fevereiro de 2017

Foto: We Heart It
Me afastei. Não por falta de amor, não por falta de vontade, não por desejo de simplesmente mudar. Me afastei por sofrimento. É que eu, meu bem, não aguento mais quem gosta dizendo e não fazendo. É que você sempre foi muita voz e pouca ação. Isso me sufocou por um tempo, deixou marcas, feridas, cicatrizes até que eu finalmente disse “chega” e dei um basta.

Eu sei que isso é muito mais reponsabilidade minha que sua. Compreendo minha parcela de culpa. Sei que é muito mais a minha expectativa do que você por completo. É muito mais o que eu sonhei do que o que você quis fazer de fato. Acontece que eu me atropelei por você. Passei por cima dos meus amigos, da minha família e cansei de achar que lá na frente isso ia ser diferente. Sendo que, na verdade, nunca foi e nem ia ser. Te amo de tantas formas que simplesmente não consigo mais.

Então, depois desse tempo todo, eu descobri que eu não preciso lutar sozinha por esse relacionamento. Por nós. Ou por você. No fundo, eu tenho certeza que mereço muito mais que alguém que tem medo de que essa história dê certo. Que tem medo de se entregar. De ultrapassar barreiras. De viver nós dois. Hoje, essa verdade dói, meu amor. Dói muito. E eu sonho todos os dias com o momento em que isso vai parar de doer. Para sempre.

Eu sei que você está aqui. Sei que sempre esteve. E o problema é exatamente esse. Somos um casal sem sermos um. Temos uma história sem termos uma história. Você entende? Eu cansei de viver algo que simplesmente não pode ser vivido porque você não quer. Cansei de continuar alimentando em mim algo que só eu vivo. Eu sei que você quer. Eu também quero muito, mas eu não posse mais me sacrificar nessa história patética que estou criando sozinha em minha mente.

Eu não entendo mais o seu medo. E cansei de esperar mudanças. Neste momento, saiba que está me perdendo porque eu, meu bem, não aguento mais.

Me deixa conhecer vocês?

6 de fevereiro de 2017

Quem me acompanha aqui sabe que o blog já passou por algumas pausas. Geralmente, elas aconteciam porque eu me sentia mal ou não tinha muito tempo para atualizar o blog. Esse ano o blog voltou com tudo e cada dia que passa eu quero aperfeiçoar o conteúdo para vocês.

Dessa vez, eu preparei um formulário para que eu possa conhecer vocês cada vez mais e para que eu consiga trazer o novo conteúdo com a qualidade que vocês merecem. Será que vocês podem me ajudar? Prometo que não leva mais que cinco minutos!



Ah, e se você não quiser preencher agora, tudo bem! É possível acessá-lo neste link numa outra oportunidade.

Obrigada por tudo! Vejo vocês em breve.

Ontem fez um mês #ConhecendoSP

4 de fevereiro de 2017

Foto: We Heart It
Ontem fez um mês. Eu não voltei para casa. Descobri que as roupas não eram suficientes, os livros eram muitos e que a saudade dói muito mais do que a gente imagina. Ontem fez um mês que eu me mudei para São Paulo e o processo foi bem diferente do que imaginei. Foi ontem que eu descobri que, na verdade, eu não estou em uma viagem longa que logo vai acabar e eu vou poder tomar um banho no chuveiro de sempre e comer a comida de sempre na casa dos meus pais.

Descobri que saudade de casa é mesmo uma coisa maluca. Eu perdi a noção do tempo por uns dias, chorei por outros intermitentemente. Passei mal. Tive febre. Fui ao hospital. Tive crises de ansiedade. Chorei com todas as minhas amigas. E passou.

Foi em São Paulo que eu descobri um pouco mais sobre a aplicação perfeita da frase que diz que “nada como um dia após o outro”. É verdade! Nada como o amanhecer de uma segunda depois de um domingo difícil. Nada como o sol de sábado depois de não sair com os amigos de sempre na sexta.

Tenho descoberto que essas mudanças são uma ótima maneira de redescobrir quem eu sou, na verdade. Rever limites, valores, emoções. Descobrir o tamanho do amor que a gente sente pelo nosso lar, pelos que ficam. Pela sua própria vida. Descobrir que saudade também dói para quem vai e não só para quem fica – como pensei por muitos anos.

Morar longe de casa, praticamente sozinha, é sempre uma descoberta. E por mais que doa, a sensação é de que valerá à pena. Simplesmente porque nossas lutas nunca são em vão. Ontem fez um mês. Eu não voltei para casa. As chaves da minha antiga vida estão guardadas na gaveta e vai demorar para que eu as use novamente.

Ainda não consigo chamar São Paulo de lar. Mas sinto que, na verdade, isso não vai demorar a acontecer. Ontem fez um mês.

Meu amor ainda é

2 de fevereiro de 2017

Foto: We Heart It
Texto escrito para o site O Segredo.

Você me olhou, sorriu e me puxou. Eu pensei então que amar era transcender lugares olhando dentro dos seus olhos. Eu pensei que o amor morava dentro do seu sorriso, ao lado da pinta na orelha que você tem ou por entre seus dedos quando você me segurava pela mão. Em uma sequência de brigas, eu nunca ousei pedir a separação. Eu realmente entendi que o amor morava em seu sorriso, nos seus olhos e, também, por entre seus dedos.

Eu entendi que era amor até mesmo no dia que você foi embora com aquela mala de couro preto meio desarrumada e mofada, mas dizendo que era melhor você fazer aquilo. E aí eu vi o amor escorrendo por entre os meus dedos, fechando meus lábios e me fazendo parar de sorrir. É amor até quando você aparece em meus sonhos, anos depois.

Você me olhou, atravessou a rua e virou o rosto. Eu pensei então que amar era ultrapassar os lugares e sentir uma fisgada na alma, porque, naquele dia, o chão saiu dos meus pés. O coração bateu mais forte. E, lá no fundo, doeu. Eu olhei por mais uma ou duas vezes, coloquei a mão na testa como naqueles filmes de cinema que a mocinha desmaia e respirei fundo. O chão não havia voltado. A noção de tempo e espaço havia sido perdida.

Era você. Era amor.

Hoje, quando eu olho para aquela porta, eu ainda consigo te ver chegando do trabalho, largando a mochila na cama e reclamando do seu chefe. Eu ainda ouço o som da sua gargalhada – e morro de medo, todos os dias, de esquecer a parte mais bonita que há em você. Eu ainda transcendo lugares quando lembro de ti. Eu ainda sinto minha mão suar quando lembro do seu cheiro. Eu ainda sinto você, ao meu lado na cama, quando aparece em meus sonhos.

Depois desses anos todos, eu realmente entendi que o amor vive em mim porque você ainda está aqui. E acredito fielmente que ainda vai demorar a se despedir, porque todos os dias eu lembro de nós dois. Com a mesma força, na mesma proporção. Ainda é como se você transcendesse lugares comigo. Ainda é como se você gargalhasse para mim. Ainda é como se você segurasse por entre meus dedos.

Meu amor, ainda é.

Hoje, dia da saudade, eu senti sua falta

30 de janeiro de 2017

Foto: We Heart It
Soube ontem que hoje era dia da saudade e não que isso faça alguma diferença em minha vida, porque, na verdade, sua falta eu sinto todos os dias mesmo. Então, era meio natural que eu sentisse esse mal estar depois desse tempo todo longe e sem falar contigo. A verdade mesmo é que eu queria dizer para você que estou com saudade, mas sei que você sequer se daria ao trabalho de me ouvir.

Afinal, é basicamente isso que você fez esses anos todos, não é? Ignorou minha presença, minhas vontades, minhas saudades. Junto a isso, você ignorou minhas mensagens, ligações e chamados até que, um dia, eu desisti de procurar. O que também não me impediu de sentir sua falta nesse tempo, apesar de não ter ido mais atrás de você.

Hoje, talvez mais do que nunca, eu entendi que saudade nem sempre é sentir falta da presença. Por muito tempo eu me senti perto de você, apesar da distância dos corpos. Eu aprendi que saudade é ouvir sua gargalhada mentalmente e ela não se materializar para mim. Aprendi que saudade é eu olhar para a porta todos os dias no mesmo horário te esperando chegar e você não aparecer nunca.

Saudade é o espaço que ficou na minha cama e no meu coração. Saudade é eu não ter mais o seu número para ligar. Saudade é aquilo que fica quando toca a nossa música, passa o nosso filme ou quando eu me lembro dos nossos planos para o futuro. Acho que é isso: saudade, no nosso caso, é o futuro que nunca vai chegar.

Nunca é tanto tempo e saudade é uma palavra tão forte quanto, mas ambos estão presentes na minha vida desde que você se foi. E é engraçado isso: você se foi, mas deixou várias coisas para trás. Seu cheiro, suas roupas, nossas fotos, nossa vida. Tudo isso ficou e continua se arrastando anos a dentro.
Para hoje, é isso. Bem no dia da saudade, eu acordei sentindo sua falta. E pasme, concluo também que dia da saudade para mim é todos os dias. Saudade é, meu amor, o vazio que você deixou. 

Sua estadia e a bagunça que você deixou

29 de janeiro de 2017

Foto: We Heart It
Foi rápido. Você nem chegou de mansinho, batendo na porta e perguntando se podia entrar. Não passou pelo tapete para tirar o farelo do fundo do seu pé. Não olhou para os dois lados para ver se a casa já estava ocupada por outro. Não fez nada disso. Você simplesmente aproveitou a brecha no portão e foi direto para o sofá. Quando eu me toquei com o que estava acontecendo, você já estava com os pés na minha mesinha de centro enquanto eu te servia bolachas e cappuccino. Foi mais ou menos assim que eu vi você chegando na minha vida.

Avassalador. Incrivelmente silencioso. Voz mansa. Jeito fofo. Carinhoso. Prometeu céus e terras. Eu, como sempre, acreditei no que me disse. Levei a sério cada uma das coisas que me falou. Coloquei fé onde não deveria ter colocado nada. Agradeci por ter chegado na minha vida. Esqueci que, na verdade, você não era de confiança. E, como era esperado, você não cumpriu com o que havia prometido. Eu deveria ter desconfiado das suas conversas, risos, promessas e beijos na testa. Eu deveria ter desconfiado. Falhei.

Você sujou meu tapete de farelo. Marcou meu sofá com o peso do seu corpo. Deixou a marca da xícara na mesa. Levantou e foi embora. Simplesmente. Aproveitou que eu já tinha fechado a porta achando que você ficaria. Concentrou em fazer a festa, largar a sujeira e seguir sua vida. De outra maneira. Com outra pessoa.

Eu sinceramente não sei se ainda consigo te agradecer por isso. Não sei se preciso. Não sei se é realmente necessário. Não sei se sou grata por me mostrar que não devo confiar em pessoas como você. Não sei. Eu também não sei se devo te desculpas. Se devo seguir minha vida sem mágoas. Sei que sigo. E sou grata por você ter, finalmente, deixado o meu coração. E dado espaço para que apenas uma pessoa o ocupe: eu mesma.

Depois da sua ida, eu fiz diversas coisas. Com a casa suja mesmo. Até que resolvi limpar o resto que você havia deixado. O resto de farelo de biscoito. O resto de cappuccino na xicara. O resto de sujeira no tapete. Por agora, tenho me concentrado em apenas uma coisa: limpar a sujeira que deixou. E eu ainda não consigo ser grata por isso. Porém, de qualquer forma, obrigada por ter ido embora, meu amor. Obrigada.

Novo Layout + Novidades

26 de janeiro de 2017

Primeiramente, fora temer Feliz 2017. Espero que a virada de ano de vocês tenha sido incrível e que 2017 traga muitas novidades, assim como o meu ano já vem trazendo para a minha vida!

Muitos aqui já sabem: me mudei para São Paulo. Sabe aquele “larguei tudo e fui”? Pois é. Cá estou, cheia de gás para viver nessa cidade que finalmente cabe meus sonhos. E inaugurando essa nova fase, o blog também chega em 2017 de cara nova!

Esse layout foi feito pela Emily, do Chave Criativa, e é incrível. Ela já havia feito um layout para o blog, em 2014 e não tive dúvidas em chamá-la para essa repaginação. Junto com o novo layout, trago também novidades para as postagens e redes sociais.

Eu sei o que vão dizer: estou tentando isso há séculos. É que ainda não consigo encarar o blog como trabalho. Gosto da liberdade de publicar quando a inspiração chega – e a minha é chata e teimosa: vem quando quer. Porém, com a minha vinda para São Paulo, a publicação do meu livro e a vida adulta chamando, chegou a hora de mudar isso. Para esse ano, preparei uma série de postagens que ainda incluem os meus textos dramáticos de sempre e também posts maravilhosos com indicações de lugares incríveis em São Paulo, um pouco mais sobre o meu vegetarianismo e o universo literário. Tudo junto e misturado, como tem sido a minha vida.

A ideia principal é que o blog passe a ter mais postagens. A partir dos próximos dias, vocês vão poder conferir diversas atualizações com uma frequência bem maior. Os posts serão sempre publicados de segunda a sexta - com uma novidade que estou pensando especialmente para o fim de semana.

E vocês podem me ajudar a montar um blog cada vez mais legal, sabiam? Existe uma enquete, prontinha e super-rápida, esperando vocês. É só clicar aqui, responder e deixar sua opinião! E se quiserem falar comigo, deixar uma sugestão, crítica ou simplesmente mandar oi, pode deixar um comentário aqui no blog! Ou me enviar pelas redes sociais (os links estão logo abaixo).


Desculpem o post imenso! Eu queria muito poder contar tudo isso para vocês. Obrigada por me acompanharem e fiquem ligados porque muitas novidades estão chegando.