Eu descobri que era amor

5 de dezembro de 2016

Foto: We Heart It
Eu sempre achei que era amor antes mesmo de ser. As borboletas no estômago não enganam a gente nunca. Elas ficam ali, como quem não quer nada, mas de repente causam um reboliço. Na agitação, essa paixão toda transborda. Mas aí as coisas mudam. Elas diminuem a frequência de seus aparecimentos e você percebe que na calmaria elas sabem exatamente como se comportar. Foi aí que eu entendi que a paixão tinha acabado e eu o que me fazia continuar ao seu lado não era apenas empolgação ou a beleza que um dia vi no seu rosto simetricamente aceitável.

Por várias vezes eu achei que poderia não ser amor. E por outras milhares de vezes eu achei que era sim. Eu acho que descobri que era amor naquele dia que choveu, você chegou lá em casa ensopado e eu fui correndo arrumar uma toalha para você se secar porque eu não queria que adoecesse. Eu acho que descobri que era amor quando eu te liguei depois de uma reunião tensa e ao mesmo tempo importante para te contar que eu havia conseguido aquela promoção no trabalho. Eu acho que descobri que era amor quando subitamente tive uma vontade de falar “eu te amo” depois que olhou para mim com aquela cara amassada de quem acabou de acordar – mesmo sabendo que no dia anterior você estava bebendo com seus amigos.

Mas eu acho que eu descobri que era amor mesmo quando a gente brigou naquela quinta-feira esquisita e quente. Você saiu por aquela porta chateado e eu em momento algum cogitei outra coisa a não ser ficar e lutar com você. Porque acho que é amor é isso, não é? É você permanecer. É você confiar. É você querer e acreditar que o outro também quer o melhor para você. É dividir momentos bons e ruins com aquela pessoa, porque simplesmente é ela. É você acrescentar um mundo paralelo ao seu e ser infinitamente grata por isso.

Você me faz ser grata, amor. A vida, aos dias, as mensagens, aos defeitos, ao passado. É amor porque entendi que somos assim devido a uma série de fatores que vivemos antes de chegarmos até aqui. Nos tornamos tão únicos e especiais um para o outro por tudo que nós somos: pela sua mania chata de deixar a pasta de dente sem a tampa. Pela história de amor decepcionante que vivi há um tempo atrás. Pelas viagens que você fez. Pelas vezes que eu sorri. E, mais que tudo agora, pela história que vamos construir juntos.

Eu nunca duvidei que fosse amor. Até mesmo quando, às vezes, eu achei que não era. Na verdade, sempre foi, não é?! A gente só estava aguardando um ao outro nessa vida maluca e corrida e agora somos um só – sem diminuir ou excluir nada do que a gente já viveu. A gente se soma, acima de tudo. E a gente se ama. Estou descobrindo também que é isso que importa. E nada mais.

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