A hora da despedida

31 de dezembro de 2016

Foto: We Heart It
Percebo que a hora da despedida está chegando porque já começo a separar meus livros. Não é uma viagem. Não estou separando minhas roupas para passar uns dias fora e voltar pra minha cama depois. Minha cama agora é outra. Meus livros vão juntos. E isso é sério. Eu não tinha percebido como isso era sério.

Metade fica. Metade vai. Vou levar só os que eu tenho apego ou ainda não li. São vários. São muitos. Já ocupam metade da mala. Mas não faz mal. Agora levo caixas também. É uma mudança, afinal. Não estou de passeio - só percebo isso agora. 

Não vou passar o mês fora e voltar para o meu chuveiro, meu cachorro, minhas roupas velhas, minha vida. A casa muda. A vida mudou. Não sei o que fazer com tudo que preciso levar. Levo malas, caixas, sacolas. Tudo está absolutamente cheio da minha vida aqui. Não há espaço para mais. 

Com as roupas, tento ser menos apegada. Metade fica. Metade vai. Vida nova cheira a roupa nova também. Hora de refazer o guarda roupa. O que fica, na vida e na alma da gente, são os livros - metade na mala, metade na caixa.

A ficha cai aos poucos. O choro ainda não vem aos montes. As lágrimas escorrem devagarinho. Eu ainda tenho uns dias aqui, não é? Não preciso preocupar. Minha mudança agora já é contada por horas. 48, talvez. 72, para ser mais exata. Estou há 72 horas de um novo presente. Um novo futuro. Uma nova história. Que, em 2017, começará a ser contada do zero. 

A hora da despedida, ela chegou.
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Estou de mudança para São Paulo e as festas de fim de ano + malas + despedidas estão me consumindo. Volto em 2017 com mais amor e um blog novinho em folha para vocês, ok? Vai ter layout novo, temas novos, tudo novo - como 2017 e vocês merecem! Obrigada pela companhia de sempre! Feliz ano novo, pessoal!

Superela: Moça, o mundo não vai acabar

11 de dezembro de 2016

Foto: We Heart It
Moça, não é o fim do mundo. Mesmo. Pode não parecer agora, mas o mundo não acabou. Não ainda. Não por isso. Eu sei que foram muitos anos, muitas histórias, muito amor. Que o sentimento ainda vive e que você o ama. Mas é importante que saiba que agora você continuará a sua história de um jeito só seu. Um trajeto inteiro te espera pela frente. Se joga!

Eu entendo que dói agora. E vai ficar doendo por um tempo ainda. Vai sangrar, arder. Você vai chorar, vai desejar não viver isso. Mas a dor vai passar. É importante que se permita também: derrube algumas lágrimas e, se quiser, tire de vista tudo que te lembra que um dia ele existiu. Guarde as fotos, pare de seguir no Instagram e no Facebook, esconda os ursinhos de pelúcia, pare de ir àquele restaurante que vocês tanto gostavam, não assista sozinha as séries que vocês viam juntos. Chore por uns dias. Chore antes de dormir. Chore quando acordar. Chore sempre que tiver vontade. Não faz mal tanto mal assim.

Sim, agora eu também escrevo para o Superela. Através desse link, é possível acompanhar todas as minhas postagens. E quer continuar lendo esse texto? Então clique aqui.

Eu descobri que era amor

5 de dezembro de 2016

Foto: We Heart It
Eu sempre achei que era amor antes mesmo de ser. As borboletas no estômago não enganam a gente nunca. Elas ficam ali, como quem não quer nada, mas de repente causam um reboliço. Na agitação, essa paixão toda transborda. Mas aí as coisas mudam. Elas diminuem a frequência de seus aparecimentos e você percebe que na calmaria elas sabem exatamente como se comportar. Foi aí que eu entendi que a paixão tinha acabado e eu o que me fazia continuar ao seu lado não era apenas empolgação ou a beleza que um dia vi no seu rosto simetricamente aceitável.

Por várias vezes eu achei que poderia não ser amor. E por outras milhares de vezes eu achei que era sim. Eu acho que descobri que era amor naquele dia que choveu, você chegou lá em casa ensopado e eu fui correndo arrumar uma toalha para você se secar porque eu não queria que adoecesse. Eu acho que descobri que era amor quando eu te liguei depois de uma reunião tensa e ao mesmo tempo importante para te contar que eu havia conseguido aquela promoção no trabalho. Eu acho que descobri que era amor quando subitamente tive uma vontade de falar “eu te amo” depois que olhou para mim com aquela cara amassada de quem acabou de acordar – mesmo sabendo que no dia anterior você estava bebendo com seus amigos.

Mas eu acho que eu descobri que era amor mesmo quando a gente brigou naquela quinta-feira esquisita e quente. Você saiu por aquela porta chateado e eu em momento algum cogitei outra coisa a não ser ficar e lutar com você. Porque acho que é amor é isso, não é? É você permanecer. É você confiar. É você querer e acreditar que o outro também quer o melhor para você. É dividir momentos bons e ruins com aquela pessoa, porque simplesmente é ela. É você acrescentar um mundo paralelo ao seu e ser infinitamente grata por isso.

Você me faz ser grata, amor. A vida, aos dias, as mensagens, aos defeitos, ao passado. É amor porque entendi que somos assim devido a uma série de fatores que vivemos antes de chegarmos até aqui. Nos tornamos tão únicos e especiais um para o outro por tudo que nós somos: pela sua mania chata de deixar a pasta de dente sem a tampa. Pela história de amor decepcionante que vivi há um tempo atrás. Pelas viagens que você fez. Pelas vezes que eu sorri. E, mais que tudo agora, pela história que vamos construir juntos.

Eu nunca duvidei que fosse amor. Até mesmo quando, às vezes, eu achei que não era. Na verdade, sempre foi, não é?! A gente só estava aguardando um ao outro nessa vida maluca e corrida e agora somos um só – sem diminuir ou excluir nada do que a gente já viveu. A gente se soma, acima de tudo. E a gente se ama. Estou descobrindo também que é isso que importa. E nada mais.