Mais uma dose de você

24 de agosto de 2015

Foto: We Heart It
Nem café, nem chocolate, nem cigarros, como você bem conhecia. Nesses últimos 438 dias – sim, eu contei – minha única dose diária havia sido você. Mais nada, nem ninguém. Quando a gente perde alguém na vida, é necessário dar um jeito. É um processo árduo como quando um viciado tenta parar de fumar, mas vira-e-mexe têm algumas recaídas. Você é meu ponto fraco. E só por isso, eu me alimentei de você todos esses dias.

Porque, meu amor, sua companhia ainda me mantém de pé. É doloroso imaginar que pensar em você me impede de seguir adiante, mas não pensar me propõe um futuro vazio e sem o brilho que eu sempre encontrei no fundo dos seus olhos. Me entende? Abri mão de progredir na vida, porque andar em direção ao futuro é perder você dos meus pensamentos e eu não quero isso.

Todos os dias eu prometo que aquela será minha última dose. Mas nunca é. E, no momento, pretendo nunca interromper meu alimento diário. Me perdoa se isso soa um tanto quanto metódico ou doentio. Só queria que soubesse que é amor. Por amar demais, eu converso com você mentalmente todos os dias. Por te amar demais, eu mantive todas as nossas fotos espalhadas pela casa. Por te amar demais, eu como seu prato favorito quase todos os fins de semana.

É amor quando te chamo mesmo sabendo que não irá responder. É amor quando quero dormir mais e mais todos os dias para poder te encontrar nos meus sonhos. É amor quando preparo o seu café da manhã, mas você nunca vem comer comigo. É amor, meu bem. Me perdoa se parece doença. Mas é que eu ando de mãos dadas com você todos os dias. 

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