Não é só ansiedade - mas também não é loucura

9 de julho de 2015

Foto: We Heart It
Eu preciso falar desse assunto. Resisti muito, porque falar disso é expor um problema que eu não gostaria de ver exposto: o meu. Mas eu preciso. 

Há um ano, e depois de muito achar que minha angústia sem fim era apenas frescura, eu fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Esse quadro em pouco tempo evoluiu para a Depressão e eu precisei me tratar com um psiquiatra. Lembro até hoje da notícia ter caído como uma bomba no meu colo, porque eu também achava psiquiatra coisa de gente doida - e eu não queria ser doida.  Depois de perceber o quanto a ajuda da psiquiatra iria completar meu tratamento (na época, eu já me tratava com um psicólogo e fazia acupuntura, além de ter incluído a meditação nos meus dias), eu marquei a consulta e percebi também o quão preconceituosas as pessoas eram pelo simples fato de que elas criam pré-conceitos antes mesmo de entender o nosso problema.

Ouvi inúmeros "você nunca mais vai conseguir parar de tomar os remédios", "é só isso que médico sabe fazer: entupir a gente de remédio" e, o que mais me doía, "isso é coisa de mulher fresca que não tem louça para lavar em casa". Não, não era. E não, eu não vou ficar tomando aquele remédio o resto da minha vida - inclusive escrevo esse texto em um momento que o meu tratamento com a tão temida psiquiatra chegou ao fim. 

Nesse meio tempo, foi mais difícil do que pensei encontrar pessoas compreensíveis. A conclusão que eu havia chegado era que é aceitável a gente dizer para todo mundo que o braço, a barriga ou a coluna dói todos os dias. Mas dizer que você está com um problema que não aparecia no raio-x e nem no exame de sangue era inaceitável - porque isso é simplesmente coisa de gente doida. E, infelizmente, eu só percebi que esse problema interno estava chegando ao extremo quando o meu exterior (pele e músculos) começou a gritar por ajuda.

Não. Ansiedade e depressão definitivamente não são falta de louça para lavar em casa. Nem falta de ocupação. E também não é coisa de gente doida. São pessoas doídas, como disse a Hannah Fernandes, neste texto aqui. Não negue ajuda para quem precisa. Não seja tão duro com pessoas que vivem problemas reais, mas ocultos dos exames de sangue ou dos raio-x. Apenas não. 

"Antes doida que doída. Um acento muda tudo. Ela, que de doida nada tinha, apenas se doeu."(Hannah Fernandes) 

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