Sobre amores e cadeados

6 de janeiro de 2015

Dia desses vi na televisão um casal escrevendo o nome dos dois em um cadeado e o prendendo em uma dessas pontes famosas pelo mundo. Depois disso, ela jogou a chave em um lago e deu um beijo em seu companheiro. Senti o braço arrepiar e balancei a cabeça negativamente. Cadeados e amor não combinam. Um objeto de ferro, pesado, feito para trancar portas e grades sendo símbolo de um amor que deveria ser livre e leve. Como pode?

Fiquei me perguntando que tipo de amor precisa de um cadeado como símbolo de “eterno”. Que tipo de amor é esse que te faz querer a pessoa presa eternamente à você. Que tipo de amor é esse que você quer eternizar em um objeto feito para trancar gaiolas. Que tipo de amor eu quero para mim. Que tipo de amor você quer para você.

Não sei muito sobre amor. Quase nada, confesso. Mas, de tudo que sei, me resta uma certeza absoluta: não quero um amor que escreva meu nome em um cadeado e jogue a chave fora. Quero um amor livre. Quero estar do lado de alguém porque eu estou escolhendo ficar, todos os dias, em todos os momentos. Quero um amor que escreva nosso nome na areia e deixe o mar apaga-lo pouco a pouco e que leve nosso sentimento pra imensidão do oceano. 

Deus me livre de um amor que coloque nosso nome em um cadeado. Amém.

2 comentários:

  1. Deus nos livre. Mas ainda preciso aprender a ser mais leve, a me deixar levar... fico cega, dependente. Que saudade de te ler, Dreisse! Quero logo esse livro, viu?!

    ResponderExcluir

Obrigada!