Não há de ser nada

3 de abril de 2014


Não há de ser nada não. Não há de ter mais nada aqui. Nem amor, nem compaixão. Essa vontade grande de te abraçar também há de ser só um desprezível devaneio. Devaneio esse que você aprendeu a lidar. E isso já tem um certo tempo. E aprendeu a ignorar. E a amar em silêncio. 

Meu amor, não há de ser nada. 

Essa saudade fora do normal que você sente de mim. Essa vontade louca de me puxar pelo braço de novo. Esse nervosismo por saber que sei dos seus segredos. Essa olhadinha meio de lado, meio séria, meio confusa, meio linda. Tudo isso, amor, não há de ser nada. 

E eu também sei que já não sou mais nada. Me tornei mais um de seus segredos e pronto. Você finge que me esquece, eu fingo que consigo seguir sem você e a gente deixa assim mesmo. Perto dos olhos. Longe do coração. A gente sabe que foi muito um para o outro, mas a gente também já não é mais nada para ninguém aqui. 

Eu sei que você sabe. Te dobrei, enrolei, maltratei, ignorei. Mas terminei sendo enganada. Tentei te julgar inocente, mas nem sequer fui madura para sair desse jogo de prazer sem deixar rastros ou lembranças. Seus olhos estão vazios, mas sei que ficou em mim. E esse sentimento louco que sobrou não há de ser nada não, amor. 

Não há de ser. Não há de caber. Não existe mais espaço para poder ser. 

1 comentários:

Obrigada!