Meu passado e seu fantasma que não me assombra

15 de março de 2014


Apesar de triste e confusa, eu me sinto relativamente bem. Pensar em você ainda me alimenta e só eu sei o quão difícil foi escolher não prosseguir, porque o único jeito de encontrar com você era dar passos para trás. Todo mundo me julgou por isso. Até meu atual namorado. Futuro ex, sabe.

Soube que você está bem. Que encontrou outra pessoa e que rasgou minha foto 3x4. Inclusive sei que doou aquela minha blusa de lã para a campanha do agasalho. Fez bem, confesso. Aquecer alguém no inverno sempre te deixou com a consciência mais leve, mas acredito que esse ano tenha sido um tanto mais doloroso porque você sabe que eu continuei passando frio.

Meu coração gelou, meu bem. E eu arrepio toda noite quando sonho com você. Cansei daqueles sonhos embaraçosos onde você sempre vem me buscar. Atualmente, durmo embriagada. Suficientemente cansada para não me preocupar com você me visitando durante a noite. Eu voltei a fumar também. E aquela sua blusa azul, que você tanto gosta, fede ao cigarro que você tanto odeia. Foi a forma mais terrível que encontrei para te atingir. E nem te atingiu. Mas eu não sei fazer mais que isso.

Rasguei fotos, joguei fora alguns textos e tentei não escrever sobre você. Tentei não encontrar com você por aí e começou a dar certo, mas encontrar comigo mesma é encontrar com você também. Me pergunto quantas vezes Deus não te impediu de cruzar o meu caminho, fazendo com que você frequentasse somente a minha alma. Você pode ter atravessado aquela avenida pouco antes de mim. Enquanto você estava na fila do supermercado, eu estava lá nos fundos escolhendo o que comer naquela noite. Fico feliz porque isso aconteceu. Não aguentaria cruzar com ela também. E sei que vocês não se desgrudam mais.

Outro dia sonhei que te parabenizava pelo casamento. Acordei em paz, mesmo não sendo a noiva. Seu fantasma me acalma, caso não saiba. Amadureci muito mais com sua perda do que com a sua presença. E me sinto bem por isso, apesar de confusa. E eu ainda gosto de encontrar com você por aí. Por aqui. Mesmo que os espaços se limitem à minha mente.

Ainda uso os esmaltes que gosta. Ainda tenho aquele travesseiro mais alto que te livrava da dor chata no pescoço. Ainda alimento a alma de pequenas doses diárias de você e tenho medo de que meu estoque esteja chegando ao fim. Seus rastros me dão forçar para prosseguir e vira-e-mexe eu faço uma visita ao passado como forma de me alimentar. Mas, sabe, algumas lembranças estão sendo apagadas da minha mente. E eu não sei mais o que fazer para te manter vivo aqui.

As lembranças doem, mas saber que elas um dia chegaram ao fim consegue ser ainda mais doloroso. Saber que vou acordar e não restará mais sentimento algum me faz ter pesadelos durante a noite. E eu ainda acredito que voltará por mais uns dias, só para me abastecer um pouco mais das suas energias e descongelar meu coração. Mesmo que essas visitas sejam só durante à noite.
Seu lugar na cama ainda está guardado. Deita aqui.

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Para todo mundo que perguntou o que aconteceu: falta de tempo, vontade e inspiração me deixaram sem escrever por muito tempo. Mas eu voltei, porque o Intimidade Efêmera faz parte de mim. Por enquanto é só eu escrevendo novamente sobre meus devaneios. Sejam bem vindos, de novo.