Adeus, querido

29 de novembro de 2014

reprodução/we heart it
Hoje, coloquei um ponto final. Chega disso. Coloquei um fim no que só me trouxe dor, desgosto, sofrimento e ilusão. Voltei para casa com raiva. Não chorei, não sofri com o nosso adeus. Dei os ombros para você e repeti "tanto faz" em minha mente até realmente consegui sentir por você o que sempre sentiu por mim: indiferença. Não sinto nada. Nada mais. Acredito que meu processo de desamor começou muito antes do que você é capaz de imaginar. E por isso foi tão fácil assim sair da sua vida como quem muda de rua de uma hora para outra. 

Nossa despedida foi incrível. Bem melhor e bem menos cruel do que um dia eu fui capaz de acreditar. Não teve choro. Não teve drama. Não teve ódio escorrendo pelos olhos. Mas teve pele arrepiada. Cabeça nas nuvens. Felicidade transbordando em cada detalhe daquela noite. Eu dormi em seu peito. Apenas. Adormeci escutando nosso corações em perfeita sintonia. No fim, não sabia mais qual era o seu coração ou qual era o meu. Eles batiam forte. Muito forte. E compuseram juntos a música mais linda que ouvi na vida. Na vida. E acabou.

Você já pode dizer para as pessoas. Conta que elas sempre estiveram erradas, que não foi nada tudo que a gente viveu e que acabou. Que toda torcida pela nossa felicidade foi em vão. Conta que eu também estive errada e que você foi o único certo dessa história. Diz que também não restou nem amizade, mas não conte os nossos motivos. Me deixa ficar como cruel, no fim das contas. Me deixa ser a garota que virou as costas para um inocente que tanto gostou de mim. Apenas dessa vez.

E conte comigo apenas para guardar os segredos que um dia me contou, meus choros escondidos, tamanha humilhação que vivi por você. E não se preocupe porque eu já estou bem. Apenas te deixei para trás. Hoje, coloquei um ponto final em nós. E não te devo agradecimentos por tudo que vivemos. Pelo "quase" que fomos. Quero mais é que você vá para o inferno.

Sobre fingir e não simplificar

31 de outubro de 2014

Foto: We Heart It
Fingi que não te vi. Passei correndo do seu lado para não chamar muita atenção, mas vi quando virou a cabeça e levantou a mão como se fosse falar algo. Olhei para trás bem rápido e lá estava você, com a mesma cara de sempre. Cara de quem não sabe como dar o próximo passo. Cara de quem não sabe se fica ou se vai. E é esse o seu problema. É muito gesto e quase nada de atitude. Nem palavras você ousa dizer. Nem nos seus olhares você deixa transparecer. Se tivesse gritado, eu teria voltado. Se tivesse me segurado pelo braço, eu teria olhado em seus olhos. Se tivesse corrido junto comigo, eu teria deixado você ficar do meu lado.

Fingi que não te entendi. Ignorei todas as mensagens subliminares que deixou pelo caminho como forma de pedir que fosse mais explícito, mais sincero. Fiz que não entendi os abraços, os sorrisos, as meias palavras ou as meias atitudes. Mas sei que não consegui. Não consegui porque sei que sou muito mais clara do que você e meu meio olhar basta. Bastou eu sorrir e você já entendeu tudo que quis dizer. Eu sei. Eu sei.

Fingi que não me importei. Mas sonhei que me explicava cada detalhe de cada coisa que um dia você tentou falar. Voltei para casa com uma interrogação pairando sobre meus pensamentos e uma vontade imensa de só sair do seu lado quando você soubesse ser menos metódico e muito mais simples. Também não funcionou esse teatro de não me importar. Porém, enquanto não decide o que faz, ter você ocupando minha mente me impede de pensar em muitas outras coisas - ache isso bom ou não.

Fingi. Ou tentei fingir, não sei ainda. Mas sei que sabe muito (ou tudo) sobre qualquer coisa que eu vá tentar esconder. E enquanto tento te impedir de perceber a verdade, continuo torcendo para que você seja menos complicado e queira simplificar tudo. Apenas.

Apenas eu agora

9 de outubro de 2014

Foto: reprodução/we heart it
Não consigo combinar palavras e tenho dificuldade para assimilar certas coisas. E nem venha achando que sou dona de meias palavras. Inclusive, não junto meias porque ando descalça. E nem tente me calçar. Sou dona do meu próprio sustento.

Não se assuste se eu me afastar. Não vou juntar os cacos que restou dessa vida. Nem os meus, nem os seus. Não levo tempo para largar histórias, trocar o rumo ou apagar lembranças. Sou a gota que escorreu na sua janela depois que a chuva passou. Aquela palavra que te fez engasgar. O nó que sobrou em mim e em você. Não somos laços. Deixamos de ser nós e viramos apenas eu e você.

Lembra que a escolha era nossa?

Sobre sua ida sem volta

2 de outubro de 2014

Foto: Reprodução/We heart it
Vou te chamar de Paulo. Acho que combina com os olhos azuis e os dois metros de altura que trombaram em mim enquanto eu entrava no ônibus. Acho que combina com o rapaz loiro que deu um sorriso e me cumprimentou como se eu fosse uma velha conhecida depois da gente ter andado de ônibus juntos umas duas ou três vezes. Vou te chamar de Paulo, porque você não me disse seu nome. Vou te chamar de Paulo, porque sumiu depois de dois ou três dias pegando o mesmo ônibus junto comigo e sorrindo toda vez que olhava para o meu rosto. Vou te chamar de Paulo, querido. Porque, como muitos, você armou o circo, fez a festa e foi embora. Sem ao menos se apresentar.

Eu pensei que te encontraria no ponto de ônibus durante toda aquela semana que você não apareceu. Imaginei você me esperando no desembarque, porque você viu que todos aqueles dias a gente desceu junto naquele ponto de ônibus sem nem trocar uma palavra. Imaginei que tivesse percebido que estou no mesmo lugar, na mesma hora, todos os dias. E, diferentemente de você, eu não deixei de aparecer simplesmente.

Da última vez que a gente se encontrou, você apareceu de mala e olhou para mim como se estivesse despedindo. Talvez fosse um turista. Não sei. Talvez alguém perdido vagando de cidade em cidade. Andando de coração em coração. Mas eu queria tanto te encontrar de novo, que não desconfiei que seu sorriso – o mais forte depois de todos aqueles dias – era na verdade uma despedida singela para uma pessoa que nem sequer pode te conhecer.

Paulo, eu queria ter descoberto o seu nome de verdade. Queria ter descoberto que tipo de música escuta, quais filmes assiste e se é tão apegado a livros quanto eu.  Queria que tivesse contado se era mesmo um turista ou se apenas procurava um coração para se abrigar. Se você tivesse se apresentado, eu teria perguntado porque é que você não fica aqui de uma vez. Você podia arrumar a casa, enquanto organizava o coração para você.

Mas, Paulo, você se foi, não é? Eu continuo parando todos os dias, no mesmo lugar e na mesma hora. Continuo fazendo o mesmo trajeto de sempre. Na sua volta, eu ainda estarei lá. Ainda posso te chamar de Paulo? 

Livros para ler até o fim do ano

30 de setembro de 2014

Foto: Reprodução
Não me lembro a última vez que li tão pouco em um ano. E agora, em setembro, me arrependo amargamente por isso. Para amenizar a situação, resolvi separar seis livros para ler até o fim do ano. Trouxe quase todos da Bienal do Livro de São Paulo, que aconteceu no mês passado, e vocês vão poder conferir também, para cada um, uma resenha aqui no blog. A maioria, como devem saber, não é um lançamento recente, mas todos ainda valem a leitura.
Imagem: Reprodução/Montagem
1) Minha vez de brilhar – Erin E. Moulton (#irado)

“Em uma noite, Indie faz um pedido para uma estrela. Ela quer muito reencontrar a sua lagosta de estimação, e também quer que sua irmã Bibi volte a gostar dela. Mas ter os seus desejos realizados pode exigir dedicação integral! Indie trabalha no teatro durante o dia, mostrando a Bibi e seus amigos o quanto ela pode ser útil. À noite, ela procura sua lagosta perdida, e para isso conta com a ajuda de seu novo grande amigo, Owen. Tudo vai bem até que Bibi e sua turma começam a pegar no pé de Owen, o maior exemplo de nerd e futuro loser. Será que Indie vai conseguir manter em segredo sua amizade com Owen? Será que, para ser uma pessoa melhor, Indie precisa mesmo ser diferente?”

Sabe aquele livro que você compra pela capa? É esse. Adorei a capa do livro assim que a vi e confesso que só li sobre o que falava depois de comprado.


2) Claro sinais de loucura – Karen Harrington (Editora Intrínseca)

“Você nunca conheceu ninguém como Sarah Nelson. Enquanto a maioria dos amigos adora Harry Potter, ela passa o tempo escrevendo cartas para Atticus Finch, o advogado de O sol é para todos. Coleciona palavras-problema em um diário, tem uma planta como melhor amiga e vive tentando achar em si mesma sinais de que está ficando louca. Não é à toa: a mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eles tinham apenas dois anos, e desde então mora em uma instituição psiquiátrica. O pai, professor, tornou-se alcoólatra.
Com a chegada do verão em que completa doze anos, ela está cada vez mais apreensiva. Mas a vida não pode ser só de preocupações, e, entre uma descoberta e outra, Sarah vai perceber que seu verão tem tudo para ser muito mais. Bem como seu futuro.”

Outro que me conquistou pela capa e por como ele fala de loucura e amor. Li este antes mesmo de terminar de escrever esse post. Não vou dizer mais nada se não vou entregar todo o meu amor por esse livro. Ops.

3) Era uma vez um corredor – John L. Parker Jr. (Editora Intrínseca)

“Era Uma Vez Um Corredor acompanha a trajetória de um atleta em meio a suas paixões, seus dilemas e sua determinação de vencer. Quenton Cassidy, atleta da Southeastern University, sonha percorrer uma milha em quatro minutos. Quando está prestes a atingir sua meta, porém, a agitação política e cultural provocada pela guerra do Vietnã chega ao pacato departamento de atletismo de sua universidade, mudando de forma repentina o rumo de sua vida, ao se envolver em um protesto organizado pelos colegas, Cassidy é suspenso da equipe de atletismo.
Cassidy abre mão daquilo que seria seu futuro e incluía uma bolsa de estudos e a namorada, para se entregar a um refúgio monástico no campo. Lá, começa a treinar para a competição de sua vida, uma disputa de igual para igual com o maior nome da história das corridas de uma milha.”

Esse foi o único que não trouxe da Bienal. Já comecei a ler umas duas vezes, mas acabava abandonando no caminho. Parece ser um livro interessante exatamente por falar da paixão pelo esporte e a superação. Estou ansiosa para recomeçar a ler.

4) Diários de Aventuras da Ellie – Ruth McNally Barshaw (Editora Ciranda Cultural)

“Quando os pais da Ellie vão viajar, ela é obrigada a acampar com sua tia, seu tio, seus primos e seu irmãozinho Ben-Ben. Ela sabe lidar com pernilongos e reconhecer plantas venenosas, mas dividir uma cabana com seus parentes irritantes? De jeito nenhum! Entre as regras duras de sua tia e as brincadeiras sem graça de seu primo Eric, Ellie precisa de seu diário para sobreviver a essas férias em família!”

Quando folheei o livro na Bienal, confesso que ele me ganhou pelas ilustrações que estão dentro. Eu amo livro ilustrado! E, além disso, história de Ellie parece ser bem engraçada.

5) Vida Organizada – Thais Godinho (Editora Gente)

“Em seu primeiro livro, Thais Godinho mostra ao leitor as melhores maneiras de organizar a rotina e a vida. Embora a palavra “organização” pareça estar ligada a uma realidade utópica, com as instruções da autora, viver em paz com as coisas no lugar ficará surpreendentemente fácil.
O livro aborda a organização da casa, do trabalho e de todos os itens fundamentais para deixar o dia a dia mais tranquilo e, principalmente, para que o leitor possa ter muito mais tempo para a família e o lazer.”

Já acompanho a Thais no blog e comprei o livro porque ter todas as ideias de organização reunidas em um só livro me agradou mais que qualquer coisa. Esse eu já estou quase terminando e, apesar de já aplicar muita coisa na minha vida, o livro tem me ajudado muito. Em breve eu conto mais!

6) O começo de tudo - Robyn Schneider (Editora Novo Conceito)

“O garoto de ouro Ezra Faulkner acredita que todo mundo tem uma tragédia esperando ali na esquina – um encontro fatal depois do qual tudo o que realmente importa vai acontecer. Sua tragédia particular esperou até que ele estivesse preparado para perder tudo de uma vez: em uma noite espetacular, um motorista imprudente acabou com a perna de Ezra, com sua carreira no esporte e com sua vida social.  Ezra agora almoça na mesa dos losers, onde conhece Cassidy Thorpe. Juntos, Ezra e Cassidy descobrem flash mobs, tesouros enterrados e um poodle que talvez seja a reencarnação do Grande Gatsby. Agora, ele precisa considerar: se uma tragédia já o atingiu, o que poderá acontecer se houver mais infortúnios?”

Quando comprei esse, também foi pela capa. Mas me encantei com o assunto do livro. Com certeza é o próximo que vou ler.

Livro bônus: Fora de mim – Martha Medeiros (Editora Objetiva)
Foto: Reprodução
“Recém-separada de um casamento longo e pacífico, a protagonista se apaixona loucamente, embora não cegamente, por um outro homem, de personalidade conturbada, com quem vive uma intensa paixão. Consciente do mergulho, a mulher pressente que no fundo daquela relação só acabaria encontrando a escuridão da dor. Mesmo assim, dá o salto. E perde. A entrega é um vício sem saída.”

Como eu amo esse livro! Antigo, porém lindo. Já li, no mínimo, umas seis vezes e sempre que quero esquecer completamente de tudo, eu mergulho nessa história linda da Martha Medeiros. É perfeito para aqueles momentos de tristeza profunda (caso queira mesmo se render ao choro) ou simplesmente para esquecer todo o resto.

Assim que for lendo, trago resenha de todos. Você já leu algum desses livros? Me conta o que achou!

Amando por dois!

23 de setembro de 2014

Imagem: Reprodução/We Heart It
Eu sempre conversei mentalmente com você durante todos esses anos. Anos os quais você recusava nosso diálogo educadamente enquanto eu amava por dois. Você não faz ideia do quanto isso dói! Triste mesmo é saber que eu depositei toda ilusão de uma vida em um banco onde você nunca sequer quis ter o acesso. E eu lastimavelmente descobri isso tão tarde que nem pude demonstrar e te devolver na mesma moeda cada centavo desse sofrimento. Estive tão apática com você por um tempo que tive a leve impressão que você poderia ter mudado. Não por mim, claro! Isso você nunca faria simplesmente porque eu nunca mereci.

Sigilosamente, eu ainda considero minha a culpa que nos fez ficar tão distantes. Ok, eu posso assumir: pouca parte é sua... Ou nossa como preferir. Reconheço a condição que me encontro e sei que é um erro permanecer assim. Sabe o que eu não reconheço mais? Você! Onde foi para aquele sujeito que me mandava mensagens de madrugada só para dizer que a 10min atrás havia sonhado comigo, hein? Diga-me onde foi e traga-o de volta. Aliás, não sei se estou pronta para outra dose de amor. Ainda mais, vindo de você.

Se você ainda não sabe, eu entrei em descompasso comigo mesma e com o resto do mundo. Provavelmente você não saiba o que isso quer dizer, mas se soubesse, sei que estaria ao meu lado segurando minhas mãos. Nunca entendi sua falta de sensibilidade e agora eu nem sei se tenho forças para tentar entender. Por fim, desejo de todo coração que você consiga alguém suficientemente cruel que te ensine o poder por trás do “amar por dois”. Porque eu, meu bem, cansei!

Layout novo e novidades, finalmente!

21 de setembro de 2014

Imagem: Reprodução/We Heart It
Depois de quatro anos, enfim novidades. Depois de quatro, enfim eu vi o quanto isso aqui é importante para mim. Depois de quatro anos recebendo a visita de vocês, algumas mudanças aconteceram e as novidades, finalmente, chegaram. Esse projeto de um blog completamente novo faz parte de mim há muito tempo. Até criei outro (alguém aí leu o Like a Classic?), mas nada disso acabou funcionando. Então, eu vi que poderia juntar tudo que mais gosto aqui também.

A partir de agora, além de postagens com uma frequência bem maior, textos dramáticos e de amor que eu tanto gosto, vocês vão poder acompanhar também algumas resenhas de livros, um pouco mais sobre fotografia (arte que tem me deixado encantada cada dia mais), música e muito mais.

Repararam também no layout lindo e novo em folha só para a gente? Estou completamente apaixonada! Foi a Emily do Chave Criativa que fez e ficou incrível! Tem um pouquinho de mim em cada detalhe.  E ah, vocês também podem colaborar ainda mais com o blog, sabiam? Deixei um formulário prontinho para que eu possa conhecer vocês cada vez mais e melhor. Me ajuda? É só clicar aqui.

E aí? O que vocês acharam da mudança? Conta para mim!

Beijos e sejam bem vindos novamente!

Pausa para novidades

11 de setembro de 2014

Olá, pessoal!

Quem me acompanha aqui sabe que o blog já passou por algumas pausas. Geralmente, elas aconteciam porque eu me sentia mal ou não tinha muito tempo para atualizar o blog. Dessa vez, a pausa é para um motivo diferente! O blog (finalmente) vai passar por umas reformas e voltará cheio de novidades. Para que eu consiga organizar tudo, farei uma pausa de duas semanas. Enquanto isso, vou arrumando alguns detalhes, trabalhando no novo layout (sim, vem aí um layout lindo para vocês!) e preparando com o maior amor todas as novidades que virão pela frente!

Como vocês também bem me conhecem, não consegui guardar todas as novidades e uma delas (a mais simples e também importante para essa nova fase) vocês já podem ver: o blog agora é .COM.BR (percebeu lá em cima na barra de navegação?)

No mais, é só isso que posso contar ainda! Uma coisa eu garanto: aguardem e confiem! E, ah! Enquanto o blog fica nesse tempinho de pausa, eu preparei um formulário para que eu possa conhecer vocês cada vez mais e para que eu consiga trazer o novo conteúdo com a qualidade que vocês merecem. Será que vocês podem me ajudar? Prometo que não leva mais que cinco minutos!




Muito obrigada! E aguardem que, em breve, eu estou de volta.

As cores que escolhi

31 de agosto de 2014


Amarelo para os dias que faltarem ambição. E azul para quando faltar paz. Branco para que eu consiga ficar tranquila. E verde para toda vez que eu esquecer de respirar fundo. Rosa para quando não tiver sorriso e enfim, vermelho para os dias que eu deixar de transbordar amor. Marrom, preto e cinza entram para complementar o que faltar, porque não existe cor negativa. Quem faz o negativismo é você. 

E agora, entre soluços e sorrisos só me resta fechar os olhos e me acalmar. Agradecer pelo céu limpo que apareceu hoje. Ou pela oportunidade de clarear meu dia mesmo estando tudo cinza. Pela oportunidade de espalhar cor, amor. E bem menos dor. Sem rancor. A rima pode até ser pobre, mas funciona muito bem quando é de coração. O dia pode ser mesmo cinzento, mas o pincel aquarela está aqui. Para pintar e bordar o mundo com as cores que mandam a minha felicidade. Sem drama. Sem choro. Com mais amor e mais leveza também, por favor.

Desencana

27 de agosto de 2014

     

Moça, desencana. Você é quem é por tudo que viveu antes de chegar até aqui. O outro também. Você tem suas histórias. Não se enfureça porque outra pessoa também tem.Quase todo mundo queria ter chegado antes de todo o resto do mundo acontecer na vida de quem a gente ama. Eu também, às vezes. Posso ser clichê? A hora certa é agora. E esses passados não deveriam responder dúvidas presentes. Você também viveu muitas histórias. E amém! 

Gente que tem passado tem história para contar, aprendizado para passar para a gente. Gente que tem passado, viveu. E você lá queria viver com alguém que não sabe nada sobre viver? E digo mais: é bom até agradecer. Graças aquela história que você odeia escutar, essa pessoa que você tanto gosta é o que é. Graças aquela outra pessoa que ficou para traz aos trancos e barrancos você também é o que é. E isso não é maravilhoso?

Moça, desencana. Não se apegue ao passado do outro. Vá fazer sua história, porque o presente agora é você.

Perseguição

2 de agosto de 2014


Sonhei com você de novo. Lá estava você parado com seu carro em uma avenida qualquer, enquanto eu fingia que não te via e subia em direção a qualquer lugar. Nunca te enganei. Você me viu, deu oi e ainda pediu que eu ficasse. Tortura. Você sabe como acabar com meu coração. Eu fiquei no sonho, mas queria mesmo era ter ficado na vida real também. Do seu lado. No seu carro. Na sua vida. No seu coração.

Tempos depois, saí de casa para esquecer e nossa música tocou na minha loja favorita. Quis ir até a gerente e implorar para que ela desligasse o rádio, mas precisava ser forte. Me recompus e até cantei junto, se quer mesmo saber. Mais uma vez, desejei estar com você cantando aquele trechinho que só você sabe cantar e sempre me corrige. A gerente não desligou o som. 

E eu não desliguei você da minha cabeça. Horas depois, te encontro perdido na rua se perguntando onde é mesmo que você compra aquela pastinha que eu te dei da última vez. Queria fingir que não vi, mas respirei fundo e fui até à loja comprar o que você tanto queria. Aquele silêncio torturante no caminho era a única saída para não errar ou acabar falando demais. Errei em não ter saído da sua vida enquanto eu tinha tempo e disposição para isso. 

E quem nos vê assim, juntos e sorridentes, mal sabe que você nunca foi um homem de verdade pra mim e sempre quis que os próximos chegassem. Eles chegaram e você nunca foi. Muitos vão vir ainda e você não vai passar, eu sei. Não vai passar na minha casa, na minha rua e muito meno vai sair da minha cabeça. 

Sobre o amor que você nunca mereceu

26 de julho de 2014


Passei e nem te disse nada. Não te chamei, como de costume. Não te liguei, não mandei mensagem, não gritei seu nome aos ventos. Sobrevivi mais um dia sem você. Comemorei dormir e não sonhar com seu rosto e nem ter vontade de acariciar essa sua pele macia e morena.

Passei e continuarei passando todos os dias até perceber que percorrer os mesmos caminhos que você percorre já não mexe mais o meu coração. Tentarei ignorar sua ligações e prometo não tentar entender porque só fui procurada de segunda a sexta. Posso fingir também não saber que não sou sua garota para os fins de semana. Tentarei me acostumar com o fato de ter me escondido no escuro. Dentro da sua casa. Debaixo do seu casaco. Não direi nada as pessoas que me perguntarem se ainda estamos juntos. Direi que nunca estivemos, apesar de você saber muito bem que sim. Prefiro deixar que a gente seja um casal perfeito na cabeça das pessoas, apenas. 

De tudo que vivemos, nunca entenderei porque sempre lutou contra nós. Porque me mantinha por perto todo o tempo, mas sempre me escondeu. E nunca permitiu que a gente fosse digno de um casal que sai a luz do dia para tomar sorvete. Prometo não tentar entender agora. Apenas entendo agora que nossos corações nunca formaram uma conta de mais. Nunca foram soma. E você sempre me dividiu em pedaços agindo assim. 

Por agora, desejo apenas que você cruze aquela avenida pouco antes de mim, porque simplesmente não quero ter o trabalho de te encontrar. Que esteja na prateleira de biscoitos, enquanto eu passo as minhas compras no caixa. E que não me ligue mais. E se por acaso, me ligar em um domingo a tarde me convidando para um "lance", deixarei chamando até você entender que não sou a garota que merece estar com você na claridade de um fim de semana. Sou agora apenas a garota que você não merece. Não mais.

O que eu desejo para mim e para você

17 de julho de 2014


Desejo mais leveza. Mais brisa no rosto, mais sorrisos pela manhã, mais pensamentos soltos, coração leve e mão vazia. Menos reclamações no domingo, mais sorrisos na sexta. Desejo que a gente carregue só o que precisar, o que for leve. E que nessa bagagem estejam inclusos o amor de sempre, o perdão necessário e a paciência que a vida exige. E as boas companhias também.

Desejo que a gente aprenda a calmaria que é viver. Que é aprender. Que é percorrer todo esse trajeto. E que o turbilhão de sentimentos possam enfim dormir e acordar sem atrapalhar o nosso dia-a-dia. Que a gente seja capaz de criar manhãs mais alegres e noites mais doces. Que a dor nas costas passe. E o peso da vida diminua.

Desejo paz. Desejo gratidão. Por tudo. Sorrisos mais uma vez, porque nunca é demais. Dias mais suaves, pegadas não tão fortes. E muito amor. Que a gente entenda finalmente quão mágico é fazer parte de um mundo capaz de nos ensinar todos os dias. E que a gente consiga aprender. Ou queria ao menor tentar. 

Minha insistência, sua resistência

23 de junho de 2014


Fiquei 3 dias de mau humor por sua causa. E mais uns 5 anos te esperando. Te esperei sentada no sofá. Esperei que chegasse com aquela medalhinha no pescoço, a camisa surrada que te dei e o tênis que você tanto gosta. Te esperaria de qualquer maneira. Com o cabelo bagunçado, mãos e coração cansados. Sei que não foi fácil. Não tem sido. Nem para mim e nem para ninguém. Muito menos para você que exala negações contra sua própria vontade – e pobre coitado, nem se dá conta disso.

Você não apareceu como de costume. Como esperado. Como imaginei. Como sempre gosta de fazer. Não veio e diz que nunca virá. Mas nunca, meu amor, é muito tempo e você sabe disso. E você sabe também que é pura decepção na vida da maioria. É aquele dia nublado que apareceu justamente no dia que combinei de ir até a piscina. É o balde de água que vem para esfriar meu coração quente. Frustração, simplesmente.

Depois que me deixou plantada te esperando, eu fui obrigada a sair de casa para conseguir falar sobre você. É que tudo aquilo que não te envolve, mas me cerca, me impede de dizer sobre o que eu mais evitei nos últimos tempos. E eu ainda deveria evitar por precaução, mas não. Você tem razão, sabe? Pouco sei de ti, concordo. Nada sei de nós, entenda. E temo nunca descobrir o que é isso que você tanto faz comigo. Ou deixa de fazer, sei lá. Eu tive que respirar um novo ar para entender o que acontece. Tive que me despir de vergonhas para assumir, enfim, o que você sempre soube.

E você não sabe, mas esse seu joguinho patético me faz repensar essa minha carência medíocre que me faz escolher qualquer coisa por aí. E por qualquer coisa entenda você mesmo. É que preciso me convencer que você não é perfeito. Afinal, perfeição nem existe né? E longe de mim depositar expectativas em você, mas deixa eu te contar um segredo: se você se entregar, entrará num mar sem volta. Não te deixo nem pedir socorro em caso de afogamento.

Já disse: larga dessa e se permita. Se insistir em ser essa criança teimosa, o castigo será muito pior depois que crescer. Aproveita enquanto tem tempo e minha boa vontade está aqui, à disposição. Permita que nossas exatidões se somem numa conta que vai além de qualquer coisa que a gente já imaginou. Permita viver o que seu coração e seu corpo já pedem há muito tempo: nós dois. Para de marra, meu bem. E vem.

Prêmio Teen Web Awards

11 de junho de 2014

É com um imenso orgulho e quase com lágrimas nos olhos que venho contar uma novidade muito linda para vocês: estou concorrendo à uma premiação da Revista Capricho! Lindo isso, não é? Todo mundo que me conhece sabe como isso aqui é a minha vida e como eu faço isso tudo com muito amor e dedicação. Esse é só uma parte dessa trajetória linda que eu construo aqui, todos os dias e com todos vocês.

E sabe o que é o mais legal nessa história? Você ainda podem me ajudar (e MUITO) a vencer essa premiação. Para isso, só preciso que vocês votem no blog nesse link aqui: http://capricho.abril.com.br/teen-web-awards/ . A votação vai até o dia 4 de julho e o resultado deve sair logo depois.

Mais uma vez, obrigada para todxs que me ajudam todos os dias. Que visitam e comentam o blog e que, principalmente, me emocionam com palavras lindas de incentivo. Muito, muito, muito, muito obrigada.

E conto com vocês!

Não agora

3 de junho de 2014



Eu sempre estive atrelada a você. Sempre estarei, desconfio. Nosso prazo de validade chegou, mas não vou te jogar fora. Pelo menos não agora. Seu físico não esta mais aqui, mas você sempre esteve comigo, caso não saiba. Sempre esteve. Você me roubou sonhos. Me roubou tempo. Me encheu de vontades. Me ajudou a derramar lagrimas, a abrir sorrisos, a morrer de saudade. Não morri, você sabe. Mas nem desconfia que matou metade do que um dia foi seu aqui dentro. Do que foi meu. Do que foi nosso. Matou a pequena parcela de culpa que você tinha na minha vida. 

Você era meu cúmplice. Meu meio amor que foi meio amado. Minha metade que nunca se encaixou. Meu stress que transbordou. Nunca me dei por inteiro e que bom que nunca mais darei. Você teria roubado tudo se eu tivesse me doado por completo. Não teria se contentado em levar a minha paz, o meu sossego, o meu quase seu amor. 

Eu teria obrigado meu coração a te esquecer a base de ameaças se você ainda estivesse aqui. Mas você se foi. E eu não vou me desfazer de você. Não vou te jogar fora. Não vou roubar sua paz. Não vou te fazer pagar por tudo que fez comigo. Pelo menos não agora.

Quase socorro

30 de maio de 2014


Levantar da cama era quase um sacrifício. Quase. O frio lá fora a incomodava muito, mas o coração quase gelando era o que a preocupava ainda mais. Transbordava sem dizer, reclamava sem necessariamente falar.  Quem sabia, se recusava a ajudar e ela optava por quase sempre a ficar calada.

A garganta ardia toda vez que o fim da tarde chegava. O estômago doía regularmente e sempre que percebia, sentia seu corpo gritar. Ela sabia que a dor nas costas era exatamente porque os sentimentos andavam pesados demais para ela suportar. As lágrimas escorriam sem ela ao menos perceber e aqueles calafrios eram quase que insuportáveis.

Gritar por ajuda nunca foi seu forte. Falava como podia, do jeito que queria. Quando o tempo deixou de existir, a leveza desapareceu e o limite foi chegando cada vez mais perto. Ela sabia que ainda não tinha chegado no seu máximo e isso é o que mais a atormenta: saber que ainda pode existir muito mais.

Quando já não conseguia completar uma frase sem conseguir pensar em outra coisa, percebeu que o cansaço estava além do que deveria. De manhã, olhou discretamente para os calmantes ao lado da cama e jamais imaginou que era aquilo que tomaria naquela altura da vida. Acordou para mais um dia. Respirou fundo, agradeceu pela chance de recomeçar e (sobre)viveu. 

Meias e metades

21 de maio de 2014


Você deveria dar meia volta e ir embora antes que eu queira ainda mais que você fique. Porque volta e meia seu meio fantasma me assombra e domina meu coração por inteiro. Inteira ainda estou depois de suas idas e vindas. Meu amor nunca chegou na metade. E seu sempre me desdobrei para ocupar todo espaço da cama que você deixou. 

Você nunca vem por completo. Nunca veio. Temo nunca vir. Sua presença é sempre pela metade e seus passos nunca deixam marcas. Todo cuidado do mundo para não ferir alguém que por contra própria se feriu sozinha. Gosto de tomar para mim as responsabilidades da sua ausência de marcas. De meios desejos. Meios beijos. Meios corpos. 

Largue essas meias, meu bem. Venha de pés descalços, alma nua e coração brando. Tenho o amor que precisa e os espaços para que possa marcar seus pés. O calor na medida certa para te aquecer nesse inverno. A paz necessária para te livrar do inferno. Sem medos desnecessários. Sem metades interrompidas. Sem meias, sem voltas. 

Amor próprio

19 de maio de 2014



Se apaixonou. Beijou como nunca. Sofreu como nunca. Amou como sempre. Soprou a dor para longe. Tirou o pó das coisas velhas. Sorriu para vida. Sorriu para si mesma. Viveu. Sem se arrepender jamais. E descobriu que o maior amor que existe é a que temos por nós mesmos. E fim.

Senta aqui

23 de abril de 2014

Senta aqui. Só por hoje, escute tudo que eu tenho para te dizer. Só por hoje, permita que eu derrame toda a minha raiva e te culpe por tudo que vivo. Senta aqui. E perceba o quanto meu olhos ainda enchem de lágrimas toda vez que falo sobre você. Desconfie do sofrimento que foi capaz de causar e das marcas que você deixou. Só por hoje.

Eu sempre tive muito pra te dizer. Sempre torci para te encontrar e sempre tive raiva o suficiente para despejar toda e qualquer palavra em cima de você. Mas o problema é que eu sempre te encontrei. E você deveria se perguntar por que diabos eu sempre estava chorando. Ou sorrindo. Ou com medo. Ou em paz.

Pode não parecer, mas de tudo que você me devolveu quando foi embora, a paz consegue ser maior que qualquer coisa. Uma paz tão grande, tão grande, tão grande, que eu me esqueci completamente de voltar pra dizer que te odeio. Te odeio hoje. Te odeio amanhã.Te odeio tanto que sempre torci para você não cruzar o meu caminho de novo. Te odeio só por odiar. Te odeio só por não te querer por perto, por não te querer longe, por não te querer nesse mundo.

Senta aqui. E veja cada milímetro do meu corpo arder de raiva toda vez que eu olhar em seus olhos. Perceba o quanto estou equivocada e me desvende como antes. Se você bem entende ainda, saberá que todo ódio só pode ser amor. E que escrevo assim porque te odeio o suficiente para dizer “volta e senta aqui”. E vê se dessa vez não sai nunca mais. 

Sorri

20 de abril de 2014


Sorri na janela. Sorri perto de você. Sozinha na cama. Ao seu lado na sala de estar. Por aí. Sorri enquanto pude. Espalhei só risos e fui me ganhando pouco a pouco. Até que te ganhei também. 

Sobre o que fiz sem você

10 de abril de 2014


Ninguém nunca me entendeu. Desconfiei que ninguém entenderia mesmo. Prossegui. Mas confesso que foi muito mais difícil prosseguir sem você. Doeu. Chorei insanamente por noites seguidas sem sono. Chorei até me esvaziar. Chorei até não te ver mais no espelho. Chorei até começar a derreter de uma velha pessoa e construir um novo eu.

Suspirei. Suspirei na sala, no quarto, na cozinha, no banheiro e durantes os filmes melosos de domingo à noite. Suspirei na rua. Na praça que a gente sempre ia. No cidade vizinha que você adorava passear. Sobrevivi. Por mim. De você. Renasci em cima de um sofrimento que doeu. Me desfiz de velhos hábitos, antigas palavras e construí um novo caminho.

Você deixou marcas. Gosto de lembrar daquela cicatriz que deixou no meu braço quando o copo de vidro caiu da sua mão e esbarrou em mim. Gosto da cicatriz que deixou do lado do meu coração. Gosto do gosto de mel que deixou na minha boca. Gosto do fato de ter me deixado para traz. Gosto de ter gostado de você.

Não foi fácil. Eu disse. Não foi. Ardeu enquanto coube ardor. Chorei enquanto coube lágrimas. Vaguei pelas ruas enquanto consegui te encontrar. Nunca te encontrei. Nem na porta da sua casa, nem naquela praça, nem no cinema. Nem me importava te encontrar com outra pessoa. Nem me importava olhar nos seus olhos e não ter uma resposta sequer. Doeu não te ver nunca.

Estranhei cada passo sem você. Mas superei. Simplesmente te deixei. Superei.

Não há de ser nada

3 de abril de 2014


Não há de ser nada não. Não há de ter mais nada aqui. Nem amor, nem compaixão. Essa vontade grande de te abraçar também há de ser só um desprezível devaneio. Devaneio esse que você aprendeu a lidar. E isso já tem um certo tempo. E aprendeu a ignorar. E a amar em silêncio. 

Meu amor, não há de ser nada. 

Essa saudade fora do normal que você sente de mim. Essa vontade louca de me puxar pelo braço de novo. Esse nervosismo por saber que sei dos seus segredos. Essa olhadinha meio de lado, meio séria, meio confusa, meio linda. Tudo isso, amor, não há de ser nada. 

E eu também sei que já não sou mais nada. Me tornei mais um de seus segredos e pronto. Você finge que me esquece, eu fingo que consigo seguir sem você e a gente deixa assim mesmo. Perto dos olhos. Longe do coração. A gente sabe que foi muito um para o outro, mas a gente também já não é mais nada para ninguém aqui. 

Eu sei que você sabe. Te dobrei, enrolei, maltratei, ignorei. Mas terminei sendo enganada. Tentei te julgar inocente, mas nem sequer fui madura para sair desse jogo de prazer sem deixar rastros ou lembranças. Seus olhos estão vazios, mas sei que ficou em mim. E esse sentimento louco que sobrou não há de ser nada não, amor. 

Não há de ser. Não há de caber. Não existe mais espaço para poder ser. 

Meu passado e seu fantasma que não me assombra

15 de março de 2014


Apesar de triste e confusa, eu me sinto relativamente bem. Pensar em você ainda me alimenta e só eu sei o quão difícil foi escolher não prosseguir, porque o único jeito de encontrar com você era dar passos para trás. Todo mundo me julgou por isso. Até meu atual namorado. Futuro ex, sabe.

Soube que você está bem. Que encontrou outra pessoa e que rasgou minha foto 3x4. Inclusive sei que doou aquela minha blusa de lã para a campanha do agasalho. Fez bem, confesso. Aquecer alguém no inverno sempre te deixou com a consciência mais leve, mas acredito que esse ano tenha sido um tanto mais doloroso porque você sabe que eu continuei passando frio.

Meu coração gelou, meu bem. E eu arrepio toda noite quando sonho com você. Cansei daqueles sonhos embaraçosos onde você sempre vem me buscar. Atualmente, durmo embriagada. Suficientemente cansada para não me preocupar com você me visitando durante a noite. Eu voltei a fumar também. E aquela sua blusa azul, que você tanto gosta, fede ao cigarro que você tanto odeia. Foi a forma mais terrível que encontrei para te atingir. E nem te atingiu. Mas eu não sei fazer mais que isso.

Rasguei fotos, joguei fora alguns textos e tentei não escrever sobre você. Tentei não encontrar com você por aí e começou a dar certo, mas encontrar comigo mesma é encontrar com você também. Me pergunto quantas vezes Deus não te impediu de cruzar o meu caminho, fazendo com que você frequentasse somente a minha alma. Você pode ter atravessado aquela avenida pouco antes de mim. Enquanto você estava na fila do supermercado, eu estava lá nos fundos escolhendo o que comer naquela noite. Fico feliz porque isso aconteceu. Não aguentaria cruzar com ela também. E sei que vocês não se desgrudam mais.

Outro dia sonhei que te parabenizava pelo casamento. Acordei em paz, mesmo não sendo a noiva. Seu fantasma me acalma, caso não saiba. Amadureci muito mais com sua perda do que com a sua presença. E me sinto bem por isso, apesar de confusa. E eu ainda gosto de encontrar com você por aí. Por aqui. Mesmo que os espaços se limitem à minha mente.

Ainda uso os esmaltes que gosta. Ainda tenho aquele travesseiro mais alto que te livrava da dor chata no pescoço. Ainda alimento a alma de pequenas doses diárias de você e tenho medo de que meu estoque esteja chegando ao fim. Seus rastros me dão forçar para prosseguir e vira-e-mexe eu faço uma visita ao passado como forma de me alimentar. Mas, sabe, algumas lembranças estão sendo apagadas da minha mente. E eu não sei mais o que fazer para te manter vivo aqui.

As lembranças doem, mas saber que elas um dia chegaram ao fim consegue ser ainda mais doloroso. Saber que vou acordar e não restará mais sentimento algum me faz ter pesadelos durante a noite. E eu ainda acredito que voltará por mais uns dias, só para me abastecer um pouco mais das suas energias e descongelar meu coração. Mesmo que essas visitas sejam só durante à noite.
Seu lugar na cama ainda está guardado. Deita aqui.

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Para todo mundo que perguntou o que aconteceu: falta de tempo, vontade e inspiração me deixaram sem escrever por muito tempo. Mas eu voltei, porque o Intimidade Efêmera faz parte de mim. Por enquanto é só eu escrevendo novamente sobre meus devaneios. Sejam bem vindos, de novo.