Uma saudade faleceu em mim

15 de setembro de 2013


Uma saudade faleceu em mim. Deixou de existir no exato momento que percebi que você não voltaria mais. Faleceu o amor, a compaixão e a vontade. Aqui jaz um sentimento que deixou uma alma em paz. E eu até te agradeceria por isso, mas devo confessor que o mérito é só meu, para ser sincera. Eu sabia que você faleceria. Em mim. Aqui. Mais cedo ou mais tarde.

Naturalmente, não comemorei a morte, mas também não perdi muito tempo de luto. Me doeu acordar e ver que não era você que vinha em minha mente primeiro, mas no fundo eu fiquei feliz. Aquela tristeza pós-amor dói mesmo, você sabe. O luto também incomoda, mas esse passou rápido. Não que eu goste de mortes. Nunca gostei. Mas ver você morrendo em mim me trouxe uma sensação inédita: tranquilidade.

O inverno me fez bem, sabe? Consegui me aquecer sozinha. E me perguntei muito por onde você estaria e se estava tomando o seu chá toda noite. Com o tempo, passei a tomar esse mesmo chá também. E depois perdi o hábito de você. Você nunca foi uma necessidade e agora eu entendo isso. Posso deitar em paz, sonhar comigo mesma. Te expulsei dos meus sonhos e você não fez a menor falta na cama. Retomei certos hábitos sem o peso na consciência e por mais que ainda me doa um pouco, eu convivo em paz com a sua morte.

É uma ferida que não arde. Um machucado em pleno processo de cicatrização. Uma saudade que não existe. E uma paz que eu nunca pensei que fosse encontrar. É um desejo que descansa. Um amor que morreu em mim, enfim.

1 comentários:

  1. Você escreve muito bem, moça. Parabéns, de verdade, deveria criar um tumblr pra eu poder reblogar todos seus textos, sem exceções. (risos)

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