Sobre os nãos que você diz para você mesmo

5 de setembro de 2013


Rascunhado atrás de um papel encontrado na mesa que você se recusou a sentar.

Ando cansada de suas recusas e não consigo entender o que se passa em sua mente. Eu tive um sonho. E nele, as coisas também aconteciam. Como você pensa. Como eu penso. Nele, nossa imaginação ia além e nossos caminhos eram muito mais próximos. Não havia certo ou errado. Suas dúvidas eram mínimas e não existia “não”. Você ao menos sabia dizer o que sente.

O que você prefere não assumir é que, na verdade, minhas respostas são suas dúvidas. Você não as entende e recua sempre que iniciamos esse processo juntos. Você não me deixa explicar e eu tenho desistido nessas tentativas vagas. Eu sei que você também tem muito para falar, mas sua omissão às vezes me irrita. E eu nunca sei o que quer dizer quando muda repentinamente de comportamento.

Fui embora com um discurso entalado na garganta de novo. De novo não conseguir ler seus olhos. E de novo você sorriu como se eu nunca tivesse passado em sua vida. De novo. Você soltou meus dedos devagar me pedindo para ficar. Rima pobre, ritmo lento. Eu ficaria se você soubesse ser um pouco mais veloz. Se soubesse falar um pouco mais. Eu teria ficado se, ao invés de sorrir para mim, você tivesse me beijado. Eu ficaria por você. Mas enquanto seu silêncio for sua melhor resposta, eu me recuso a permanecer.

Agora eu sei que você vai desaparecer por um tempo. Sumir das minhas vistas. Fingir que nada acontece. Sei que vai sonhar com meu sorriso – e você sempre sonha – e acordar se perguntando o que é isso que a gente vive.

Você já sabe me ler. Já me desvenda. Entende perfeitamente o que quero e joga com isso. Esse teste patético que você me obriga a viver sempre que a gente se encontra tem roubado minhas energias e você não se cansa nunca. Você me confunde. Me sente. Mas mesmo assim se recusa. É que você, no fundo, diz não para você mesmo e nem sequer se dá conta disso. Eu sei, você sabe. Tudo isso, solto no ar, sem complementos, fins, conversas ou qualquer coisa aleatória que traga definições aliado às suas recusas representam um castigo que você mesmo criou. E acontece que você vive isso sozinho.


Você já sabe o que eu quero. Já sabe o que precisa fazer. Dê passos firmes que eu caminho com você. Te deixo até pisar na areia da praia. Te garanto que a gente o mar não leva. 

3 comentários:

  1. Nossa cara... perfeito! É exatamente assim que me sinto :/

    rebecaverli.blogspot.com.br

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  2. É assim que eu estou me sentindo. O que você escreveu, é tudo o que eu gostaria de ter escrito, e cuspido na cara dele, pra ver se assim alguma coisa muda. Desperta desse sono, que só nos faz cansar cada vez mais. ♥

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Obrigada!