Um novo amanhecer

23 de setembro de 2013


Todo novo amanhecer é uma nova oportunidade. De fazer diferente. Fazer feliz. Fazer em paz. Fazer bem. Fazer bem feito. Cada novo amanhecer traz a dose de recomeço necessária. Traz a coragem que a gente precisa para esquecer a tristeza, superar a dor, sentir a tranquilidade chegar e ser feliz. Traz a paz. Traz a cor, o amor. Uma nova visão de um novo dia. De uma nova ordem. Um novo mundo. Um novo eu. Um novo você.

Todo novo amanhecer traz.

Uma saudade faleceu em mim

15 de setembro de 2013


Uma saudade faleceu em mim. Deixou de existir no exato momento que percebi que você não voltaria mais. Faleceu o amor, a compaixão e a vontade. Aqui jaz um sentimento que deixou uma alma em paz. E eu até te agradeceria por isso, mas devo confessor que o mérito é só meu, para ser sincera. Eu sabia que você faleceria. Em mim. Aqui. Mais cedo ou mais tarde.

Naturalmente, não comemorei a morte, mas também não perdi muito tempo de luto. Me doeu acordar e ver que não era você que vinha em minha mente primeiro, mas no fundo eu fiquei feliz. Aquela tristeza pós-amor dói mesmo, você sabe. O luto também incomoda, mas esse passou rápido. Não que eu goste de mortes. Nunca gostei. Mas ver você morrendo em mim me trouxe uma sensação inédita: tranquilidade.

O inverno me fez bem, sabe? Consegui me aquecer sozinha. E me perguntei muito por onde você estaria e se estava tomando o seu chá toda noite. Com o tempo, passei a tomar esse mesmo chá também. E depois perdi o hábito de você. Você nunca foi uma necessidade e agora eu entendo isso. Posso deitar em paz, sonhar comigo mesma. Te expulsei dos meus sonhos e você não fez a menor falta na cama. Retomei certos hábitos sem o peso na consciência e por mais que ainda me doa um pouco, eu convivo em paz com a sua morte.

É uma ferida que não arde. Um machucado em pleno processo de cicatrização. Uma saudade que não existe. E uma paz que eu nunca pensei que fosse encontrar. É um desejo que descansa. Um amor que morreu em mim, enfim.

Sobre os nãos que você diz para você mesmo

5 de setembro de 2013


Rascunhado atrás de um papel encontrado na mesa que você se recusou a sentar.

Ando cansada de suas recusas e não consigo entender o que se passa em sua mente. Eu tive um sonho. E nele, as coisas também aconteciam. Como você pensa. Como eu penso. Nele, nossa imaginação ia além e nossos caminhos eram muito mais próximos. Não havia certo ou errado. Suas dúvidas eram mínimas e não existia “não”. Você ao menos sabia dizer o que sente.

O que você prefere não assumir é que, na verdade, minhas respostas são suas dúvidas. Você não as entende e recua sempre que iniciamos esse processo juntos. Você não me deixa explicar e eu tenho desistido nessas tentativas vagas. Eu sei que você também tem muito para falar, mas sua omissão às vezes me irrita. E eu nunca sei o que quer dizer quando muda repentinamente de comportamento.

Fui embora com um discurso entalado na garganta de novo. De novo não conseguir ler seus olhos. E de novo você sorriu como se eu nunca tivesse passado em sua vida. De novo. Você soltou meus dedos devagar me pedindo para ficar. Rima pobre, ritmo lento. Eu ficaria se você soubesse ser um pouco mais veloz. Se soubesse falar um pouco mais. Eu teria ficado se, ao invés de sorrir para mim, você tivesse me beijado. Eu ficaria por você. Mas enquanto seu silêncio for sua melhor resposta, eu me recuso a permanecer.

Agora eu sei que você vai desaparecer por um tempo. Sumir das minhas vistas. Fingir que nada acontece. Sei que vai sonhar com meu sorriso – e você sempre sonha – e acordar se perguntando o que é isso que a gente vive.

Você já sabe me ler. Já me desvenda. Entende perfeitamente o que quero e joga com isso. Esse teste patético que você me obriga a viver sempre que a gente se encontra tem roubado minhas energias e você não se cansa nunca. Você me confunde. Me sente. Mas mesmo assim se recusa. É que você, no fundo, diz não para você mesmo e nem sequer se dá conta disso. Eu sei, você sabe. Tudo isso, solto no ar, sem complementos, fins, conversas ou qualquer coisa aleatória que traga definições aliado às suas recusas representam um castigo que você mesmo criou. E acontece que você vive isso sozinho.


Você já sabe o que eu quero. Já sabe o que precisa fazer. Dê passos firmes que eu caminho com você. Te deixo até pisar na areia da praia. Te garanto que a gente o mar não leva.