Meu último adeus

25 de fevereiro de 2013

E você marcou a data do seu casamento. Eu poderia dizer qualquer coisa sobre isso, mas preciso me limitar ao silêncio. Silêncio que eu esperei anos para que fosse preenchido por você, mas não. Foi preenchido pela sua falta. Pela espera daquele beijo que nunca aconteceu. Pela presença do adeus que eu senti sozinha. Pelo gosto amargo das lembranças. Pela sutileza dos olhares que quase nunca se cruzaram mais por aí. Pelo detalhe ignorado. Pelo sentimento escondido.

Eu poderia aparecer na porta da igreja. Você olharia para trás, eu mandaria um beijo dizendo que sempre te amei e você abaixaria a cabeça. Você sabia que deveria ter sido eu. Que sempre fui eu a pessoa que você queria para a vida. Mas sua teimosia, meu bem, ainda vai te matar. Você olharia para o lado e se perguntaria por que não sou eu que estou ali, atravessando em seus dedos um anel amarelo com meu nome. E aí você irá se lembrar. Das vezes que tentei roubar um beijo. Das vezes que te pedi amor. Das vezes que meu olhar só queria entender porque nossas exatidões nunca funcionavam numa soma de mais. Das vezes que eu só queria você. Você olharia para trás de novo e eu já teria ido. Afinal, eu não mereço ver de tão perto a realização de um sonho nosso onde não sou eu a personagem principal.

Me pergunto se você a torturou tanto quanto me torturou também ou se você simplesmente a olhou e percebeu que era ela que deveria terminar os dias ao seu lado. Se pensou ou se simplesmente escondeu o que de melhor havia sido vivido entre nós dois, por mais que a gente nunca tenha dito que se amava. Me surpreende saber que aquele homem tão forte se deixou levar pelo encantos de qualquer outra garotinha por aí. Me surpreende saber que nos esqueceu com a mesma velocidade com que resolveu nos deixar.

Felicidade, meu bem. É isso que te desejo. Para mim, para você, para um nós onde eu não estou mais incluída. E se me permite ser cruel, desejo que encoste a cabeça no travesseiro e se lembre daquela música. Daquele abraço na chuva. Daquele brinde em comemoração à um gol qualquer. Se me permite mesmo, desejo que se lembre dos detalhes que nunca poderão ser excluídos e do sorriso que você prometeu nunca esquecer. 

Além de um mero strip-tease

17 de fevereiro de 2013


Eu me dispo lentamente para você. Desfaço de velhos hábitos, antigas histórias. Começo deixando escorrer as verdades para que você possa entender o que há por debaixo das meias palavras que eu me recuso a dizer. Tiro o ar arrogante, desabotoo o orgulho e aceito que você enxergue por detrás dos meus olhos. Sempre que dou uma volta com aquele jeito perspicaz de quem expele sensualidade, eu permito que você saiba na verdade como eu sou. Quem existe por trás da armadura de força e do coração mole que você sempre dá o trabalho de entender.

Então você me desdobra. Desvenda. Descobre. Arranca minhas máscaras em plena luz do dia e enxerga meu sentimento cru e nu. Você engole as palavras, escuta meus murmúrios e vomita sutilezas. Me prende, me sente. E a gente se ama debaixo do calor do sentimento, deixando de lado qualquer hipocrisia que nos impeça de ser verdade, de ser amor. Permito então, que por último minha máscara vá ao chão e você enfim, possa entender do que se trata minha alma antes de descobrir, afinal, o meu corpo. 

Em mim

1 de fevereiro de 2013



O seu nome não apareceu em uma daquelas latinhas de refrigerante. Meu nome não é comum e eu tinha que repetir duas ou três vezes sempre que você me apresentava para alguém. “Como se pronuncia mesmo?” “É com D!”. Você ria do acaso, eu tentava ignorar o detalhe. Nunca seremos um casal digno de propaganda de shopping no dia dos namorados - eles não suportariam tamanha semelhança. Em compensação, nossa história avisou e apareceu.

A gente até poderia merecer um desses outdoors com o nosso sorriso estampado. Todo mundo fala que são perfeitos e eu até que concordo. Mas optamos pelo silêncio. Gritar felicidade trouxe problemas e a gente aprendeu a viver calado. Não que seja o ideal, mas é excitante. Dá adrenalina pensar que o próximo encontro pode nunca existir, mas dá mais felicidade ainda saber que ele existirá.

A tranqüilidade demorou, mas apareceu. O dia começou a clarear e aquele arco-íris que eu tanto quis fotografar surgiu bem naquele dia que a gente se perdeu em um desses centros enormes de qualquer cidade grande. E eu me perdi em você. Acolhemos nós dois e sorrimos para todo o resto. Semelhanças a parte, adoro nossas diferenças também. Levou tempo, mas a gente se notou.

Não é nem questão de uma combinação de nomes. Eu não tomo refrigerante e conseqüentemente não tenho tempo para procurar seu nome em uma dessas latinhas. Não é uma questão de combinação de sorrisos, porque eles notoriamente se encaixam. E nós bem sabemos que são lindos mesmo. É uma questão de sintonia, de soma. Uma questão força, coragem e de felicidade.

E não, não me cansarei de falar de sorrisos, porque foram com eles que a gente descobriu como é simples ser feliz. O meu se tornou conseqüência do seu e aparece toda vez que você canta qualquer trechinho de música no pé do meu ouvido. O seu? Ah, o seu acaba com qualquer tempestade. Ilumina o dia e me faz lembrar que eu não preciso encontrar seu nome escrito por aí. Eu já o escrevi aqui. Em mim.