Das verdades que um dia você me impediu de (vi)ver

25 de dezembro de 2012


Desculpe-me, mas eu preciso dizer. Não carrego raiva, rancor ou nada parecido. Só acho que eu poderia ter me entregado menos. Eu ainda não conhecia seu poder de manipulação, seu poder de convencimento e acabei dando conta dele tarde demais. Você ultrapassava minhas curvas, não seguia minhas regras, chegava ao meu limite e eu achava graça disso tudo. Você delicadamente tampava meus olhos. Não estou te acusando de mentiroso, mas você me poupava. E eu me poupava mais ainda por achar que você também estaria se poupando por nós dois. Nunca esteve.

Foi triste descobrir isso. Perceber que as manhãs de sábados enrolados naquele edredom eram só para me impedir de sentir o cheiro de outros perfumes que estava na roupa foi doloroso. Foi cruel. Nunca te exigi fidelidade, nunca te obriguei a me dizer a verdade. Você escolheu esse caminho e me fez escolher também. Eu teria aceitado se tivesse me proposto que eu continuasse sendo somente minha. Teria aceitado se dissesse que ainda continuaria a curtir outras mulheres na minha ausência. Eu aprendi a ser infiel comigo mesma. E eu teria conhecido outras bocas, outros lençóis sem o menor remorso.

Mas não, aquele seu charme me deixava cega. Aquelas suas mensagens no auge da noite dizendo que você já estava em casa àquela hora começaram a fazer sentido quando percebi que você realmente estava em casa, na casa delas. Os “eu te amo” tão bem programados, sempre as quartas à noite depois de duas horas de ligação só para me amolecer e me impedir de perceber que as suas quintas já estavam ocupadas por alguém que não era eu.

Não julgo seus erros. Não julgo suas quase-não-mentiras. Eu julgo a minha cegueira, meus lapsos de quase-amor. Você aproveitou da garota ingênua enquanto pode, mas se esqueceu que ao invés disso, poderia ter aproveitado de uma grande mulher. Esqueceu que diferentemente de tudo, eu teria entrado no seu jogo e criado minhas próprias verdades, que você, conscientemente, não me permitiu viver. 

2 comentários:

  1. O problema é que nos tornamos cegas e burras para não perceber onde nos metemos... Beijos

    ResponderExcluir
  2. Veja e comente http://delivro.blogs.sapo.pt

    ResponderExcluir

Obrigada!