E que em 2013...

30 de dezembro de 2012


Que em 2013, eu não perca o brilho dos olhos mesmo sabendo que o sol pode não brilhar tanto assim mais. Que eu aprenda a não esperar nada das pessoas, mas dê o máximo de mim sempre que quiser conquistar algo. Que não me falte sorrisos, histórias, abraços e amigos. Que não me falte amor. Que me sobre ternura para lidar com as situações, sabedoria para os problemas e leveza para conduzir a vida.

Desejo que em 2013, o mundo saiba amar mais. Que as pessoas deixem de criar mais laços virtuais e criem laços reais. Que as palavras de amor não sejam postadas em qualquer rede social, mas sim faladas ou escritas com todo carinho. Que haja menos indiretas e mais abraços.

Que em 2013, eu seja paciente o suficiente para entender que certas coisas acontecem quando tem que acontecer e que acelerar o tempo é impossível. Que em 2013 eu olhe para 2012 e lembre tudo que ele me ensinou. Que eu saiba olhar para trás, aceitar o passado, reconhecer os erros e continuar. Que 2013 me traga sim notícias ruins, mas que sejam seguidas de algo bom.

Que não nos falte felicidade. Que não nos falte prosperidade. Que não nos falte companhia. Que não nos falte o perdão. E, mais uma vez, que não nos falte amor. Que eu não deseje hipocritamente que 2013 seja um ano melhor. Que eu saiba ser melhor e, conseqüentemente, fazer do meu ano um só motivo feliz.

Feliz ano novo para todos vocês. 

Das verdades que um dia você me impediu de (vi)ver

25 de dezembro de 2012


Desculpe-me, mas eu preciso dizer. Não carrego raiva, rancor ou nada parecido. Só acho que eu poderia ter me entregado menos. Eu ainda não conhecia seu poder de manipulação, seu poder de convencimento e acabei dando conta dele tarde demais. Você ultrapassava minhas curvas, não seguia minhas regras, chegava ao meu limite e eu achava graça disso tudo. Você delicadamente tampava meus olhos. Não estou te acusando de mentiroso, mas você me poupava. E eu me poupava mais ainda por achar que você também estaria se poupando por nós dois. Nunca esteve.

Foi triste descobrir isso. Perceber que as manhãs de sábados enrolados naquele edredom eram só para me impedir de sentir o cheiro de outros perfumes que estava na roupa foi doloroso. Foi cruel. Nunca te exigi fidelidade, nunca te obriguei a me dizer a verdade. Você escolheu esse caminho e me fez escolher também. Eu teria aceitado se tivesse me proposto que eu continuasse sendo somente minha. Teria aceitado se dissesse que ainda continuaria a curtir outras mulheres na minha ausência. Eu aprendi a ser infiel comigo mesma. E eu teria conhecido outras bocas, outros lençóis sem o menor remorso.

Mas não, aquele seu charme me deixava cega. Aquelas suas mensagens no auge da noite dizendo que você já estava em casa àquela hora começaram a fazer sentido quando percebi que você realmente estava em casa, na casa delas. Os “eu te amo” tão bem programados, sempre as quartas à noite depois de duas horas de ligação só para me amolecer e me impedir de perceber que as suas quintas já estavam ocupadas por alguém que não era eu.

Não julgo seus erros. Não julgo suas quase-não-mentiras. Eu julgo a minha cegueira, meus lapsos de quase-amor. Você aproveitou da garota ingênua enquanto pode, mas se esqueceu que ao invés disso, poderia ter aproveitado de uma grande mulher. Esqueceu que diferentemente de tudo, eu teria entrado no seu jogo e criado minhas próprias verdades, que você, conscientemente, não me permitiu viver. 

Acabei indo

18 de dezembro de 2012


Por amar com desamor, por depositar expectativas que eu jamais daria conta de suprir, pelas culpas que você pedia que eu assumisse e pela espera de que eu preenchesse um espaço que caberia somente você, acabei indo.

Sobre a música que eu nunca mereci

10 de dezembro de 2012


E já vinha você com aquela sua música para me fazer derreter. Não sei por que segurou a minha mão. Me fez entrar no compasso, recitou algumas notas, disse meia dúzia de palavras agradáveis e pronto: Havia conquistado toda a harmonia de uma orquestra. Você desconsiderava o meu balanço. Me obrigava a dançar do seu jeito e nem me deixava descobrir, afinal, quem era aquele cantor. Aposto que tinha uma coletânea com tais canções. Deixava-as no ar, puxava uma a uma, aproveitava três minutos de dança e se não conseguisse nada, então você partiria para a próxima. Bela maneira de conquistar uma mulher.

Sabe, eu nunca te disse, mas eu sempre admirei esse seu jeito galanteador. E dei graças a Deus quando você descruzou o meu caminho. Aquele aperto no peito (ou coração, como queira) não era natural, mas eu o esquecia sempre que me lembrava das histórias que um dia me contaram sobre você. Alguns minutos de dança não eram nada perto da vida que eu ainda queria descobrir ao seu lado, mas eu sabia que eu não era a garota para ilustrar a capa do seu CD. No máximo, uma participação especial na pior faixa do álbum.

Não te culpo, nem me culpo. Certos casais, por maior que seja a harmonia, não foram feitos para estrelarem o mesmo musical. E nem merecem mais que três minutos de dança. Vai. Chama a próxima garota porque eu sei que ela sim merece mais que uma só dança ao seu lado. Procurarei outro ritmo que não o seu, procurarei outra maneira de me movimentar que não seja seguindo os passos de outra pessoa. Criarei meu próprio CD, farei das suas palavras minha principal melodia e repetirei o ritual até encontrar alguém que mereça muito mais meros passos de dança numa música qualquer. 

As mentiras que eu sempre contei

6 de dezembro de 2012



Não sou esse poço de calmaria. Meu guarda-roupa é tão bagunçado quanto o seu e eu odeio esses sites de mulherzinha moderna do século XXI. Uso minha intelectualidade para fazer minha delicadeza sobressair, mas adoro a cultura das artes marciais. Não preciso da sua ajuda para abrir o pote de azeitona, nem para destravar a torneira que eu mesma apertei mais forte minutos antes. Quanto mais você odiava uma peça do meu armário, mais eu a usava para sair longe de você. Nunca te contei dos meus flertes, dos meus outros amores, nem das noitadas que só terminavam depois das 8 da manhã. Nunca te contei sobre o meu passado - não nos detalhes que você deveria ouvir.

Acho que omiti parte daquela história que você vivia me questionando. Mas, meu querido, nunca foi sua obrigação saber de nada disso. Eu escondi certezas, falei sobre mentiras, usei de hipóteses e confirmei algumas dúvidas. Tudo para me proteger. E isso nem é crueldade porque eu nunca pedi que invadisse meu mundo e usufruísse dos meus lençóis. Bancar a garota romântica dá trabalho e é hora de deixar a máscara cair.

Tudo bem que talvez a ingenuidade seja sim meu segundo nome, mas sempre estive a beira da malícia. Joguei-me de penhascos, vivi coisas que meio mundo duvida e deixei tudo por debaixo do meu sorriso. Só conto para quem merece escutar, para quem tem eficácia suficiente para separar a mulher que fui da mulher que sou. Já subi em cima da mesa daquele bar, dei minhas crises, meus shows e já briguei com muita gente. Já falei mal de você – mas isso é história para outro texto.

Não se assuste. Meu semblante por trás do disfarce é muito mais interessante do que possa parecer. Só estou me desfazendo de velhas roupas, algumas tralhas e antigos costumes. Não estou te pedindo para ficar. A ideia de te deixar ir em meio a tudo isso é tentadora, mas eu ainda te darei o poder de escolha. Só que, meu bem, tem que ser rápido. Já escolheu?