Meu quase (seu) amor

9 de novembro de 2012


Você me disse não. Como assim você me disse não? Minha cabeça rodou, meus pés saíram do chão e você me disse não mais uma vez. Bem que já me disseram que coração dado ninguém quer. Eu não via isso e estava te dando o meu. Puro erro. Você queria o prazer de conquistar e não um coração entregue em uma bandeja com um bilhete escrito “para você”. Eu sei que você gostava de desafios, mas foi triste ver você me dizendo que não. Problemas a parte, isso me deixou confusa. Espera aí. Me explica. Qual a graça de conquistar? Não é muito mais fácil ganhar? Não. Tudo bem, eu sei que não. Mas eu não sou diferente? Não sou o suficiente? Por um acaso não sou o que precisa?

Essa sua atitude me fez repensar minha carência medíocre que me fazia escolher qualquer alimento da prateleira quando estava com fome. Eu nunca me supri. E eu tinha aquele velho hábito de substituir pessoas com a razão de nunca deixar o sentimento acabar. Nunca me bastei e nunca poderia te bastar também. Depositaria todo meu excesso de amor e toda falta de mim em você e isso nos afundaria num mar sem volta.

Esse medo de ficar sozinha nos levaria a falência, meu amor. Nos levaria a morte antes mesmo que pudéssemos estar vivos juntos. Eu sentia que eu precisava, mas ao mesmo tempo eu sabia que não. Precisar de alguém é erro. Depositar toda responsabilidade de cuidar de si em outra pessoa é um tiro no pé, como você mesmo disse. Eu sei, eu sei. Mas vem cá e diz para o meu coração. Não me canso de te implorar.

Você já deu outras desculpas. “Nos encontramos em uma época errada” não foi uma das melhores. Mas tudo bem, eu aceito. Te aceito, já disse. Mas não demora muito, viu? Eu entendi, eu entendi que não tem volta. Quem mendiga atenção tem o que merece. E eu não mereci nada. Naquela hora deu vontade de sentar na beira de alguma calçada qualquer e chorar como uma louca. Alguém passaria, sentiria dó e tentaria me consolar. E então eu conheceria alguém melhor que você. Existe, não é?! Você não pode ser tão perfeito assim. Não pode ser tão meu (ou seu) assim.

Sei que se me deixasse cuidar de você, eu me esqueceria. E aí você não teria paciência para minhas crises existências, porque eu sentiria falta de algo que você jamais poderia me devolver: eu mesma. E que fique claro: Sou mestre na arte de criar teorias. E eu criei as minhas para justificar sua ida. Me dava arrepios pensar que a nossa história não daria certo mesmo. Eu não aguentaria pedir carinho e eu sei que se dependesse de você, isso jamais partiria como uma atitude espontânea.

Sabe, amor, eu acho que me conformei. Aquele dia eu voltei para casa chorando, olhando a lua e completamente arrependida por ter dito que te amava. Tudo bem que “eu também te amo” não era o que eu esperava, mas o “você não pode me amar” doeu como um murro no rosto, minha alma foi pisada e meu coração destruído quando disse que eu não precisava mendigar paixão. Que antes de te amar, eu deveria me amar primeiro.

Não sei como eu começo. Não sei quando começar. Não sei se sei me amar. E tenho começado a pensar que nem sei se te amo mesmo. É meio doença. Não é você, é o sentimento. Amor vicia. E se sentido de maneira errada, você deixará de colher bons frutos e terá que se contentar somente com o podre. Eu era a podre da história, meu amor.

Não te tiro a razão. Não te tiro os motivos. Não os entendo, mas tudo bem. Já me acostumaram a ser deixada para trás. E eu nem vou mais repetir que te gosto tanto. Te amo, mas me amo também, caso não saiba. Te deixo ir, se quiser, mas sei que irá voltar mais cedo ou mais tarde. É só uma questão de você se cansar do brinquedo que está no alto da prateleira e resolver pegar aquele carrinho sem graça que alguma criança deixou para trás à altura da sua mão.

(Meu Deus, a que ponto eu cheguei?)

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