Como é triste o fim

18 de outubro de 2012


Eu odiava cheiro de cigarro e você sabia disso. Aquela fumaça me causava crises alérgicas e você havia deixado no canto da mesa ao lado da cama só para me incomodar. Eu sei. Sei também que fazia frio lá fora. Você ligou a música, sentou na cama e me olhou. Eu, nitidamente sem graça, deitei no seu colo e esperei que tomasse alguma atitude. Demorou, mas você tirou minha blusa de frio e desengasgou algumas palavras. Você falava de medo. Falava de paz. E acreditava que a felicidade era algo obrigatório. Nem adiantou dizer que eu estaria ao seu lado, porque afinal eu nem sabia se era isso mesmo que queria.
Vez em quando, você tragava o cigarro, olhava em meus olhos e depois olhava aquela lua minúscula que fazia sombra na janela. Nem ela estava bonita hoje, nem você. Você me ofereceu o cigarro, eu te pedi um abraço. Retribui com um beijo, você com um pouco de fumaça no ar. Nosso amor chegava ao fim e era inútil qualquer tentativa. Eu sabia que não tinha mais jeito.

Semanalmente eu publico uma crônica lá no Depois dos Quinze. Continue lendo a dessa semana clicando aqui.

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