Vai!

28 de outubro de 2012



Não tem manual de instruções. É simples. Ou você vive, ou alguém mais esperto viverá por você.  Não dê espaço para a infelicidade e, de vez em quando, finja que os problemas não estão ali e continue sorrindo, porque uma hora eles se cansam de te atormentar. Aproveite mais as manhã de domingo e tenha menos ódio da segunda-feira.  Menos reclamações, mais sorrisos. Mais positividade, menos pensar que tudo vai dar errado. Faça sua escolha e se possível, escolha ser feliz. Vai, se joga! 

Só de sacanagem

27 de outubro de 2012

(E que o texto sirva de lição à todos que votarão no segundo turno das eleições! )

Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. 

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! 

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem! Dirão: "Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!". E eu vou dizer: "Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos." Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.
Dirão: "É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!" E eu direi: "Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!"

Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!

(Elisa Lucinda)

Como é triste o fim

18 de outubro de 2012


Eu odiava cheiro de cigarro e você sabia disso. Aquela fumaça me causava crises alérgicas e você havia deixado no canto da mesa ao lado da cama só para me incomodar. Eu sei. Sei também que fazia frio lá fora. Você ligou a música, sentou na cama e me olhou. Eu, nitidamente sem graça, deitei no seu colo e esperei que tomasse alguma atitude. Demorou, mas você tirou minha blusa de frio e desengasgou algumas palavras. Você falava de medo. Falava de paz. E acreditava que a felicidade era algo obrigatório. Nem adiantou dizer que eu estaria ao seu lado, porque afinal eu nem sabia se era isso mesmo que queria.
Vez em quando, você tragava o cigarro, olhava em meus olhos e depois olhava aquela lua minúscula que fazia sombra na janela. Nem ela estava bonita hoje, nem você. Você me ofereceu o cigarro, eu te pedi um abraço. Retribui com um beijo, você com um pouco de fumaça no ar. Nosso amor chegava ao fim e era inútil qualquer tentativa. Eu sabia que não tinha mais jeito.

Semanalmente eu publico uma crônica lá no Depois dos Quinze. Continue lendo a dessa semana clicando aqui.

Pelo fim da interferência alheia

16 de outubro de 2012


Egoísmo nem sempre é defeito, raramente é ruindade e percebi que a maioria das vezes é só uma questão de priorizar o melhor para gente sem afetar negativamente o outro. Todo mundo é um pouco egoísta e se você ainda não é, então deveria começar ser. Porque um dia, você vai se cansar de sempre colocar a felicidade dos outros antes da sua. Vai se cansar de sempre dizer que será só dessa vez, que é possível deixar sua vontade de lado e agradar outra pessoa. Um dia, você achará necessário priorizar sua vida e não se privar de mais nada por mais ninguém. Absolutamente ninguém.

Chega um momento na vida que a gente sente uma vontade absurda de colocar tudo no lugar, redefinir as prioridades, arrumar a bagunça interna. Retirar da nossa vida tudo que nos atrasa, tudo que nos impede de continuar. E então, a gente entende o quanto nossa felicidade é importante. Não para os outros, não para ninguém. Mas sim para nós mesmos. E abrir mão dela simplesmente porque isso trás incômodo alheio é loucura.

Abrir mão de pequenas vontades em prol de outra pessoa é humanamente aceitável, é prova do quanto você se importa com o outro. Desistir de grandes desejos porque outra pessoa não os aceita é deixar que os outros tomem a frente da sua vida. E, sinceramente, permitir que isso aconteça não é a solução. Nada pior do que o fantasma que nos assombra tempos depois perguntando como seria se não tivéssemos deixado que outras pessoas decidissem pela gente. Nada pior do que o arrependimento que te diz que mais uma vez você errou tentando acertar pelos outros.

 É hora de colocar um ponto final em certas situações. É hora de impedir que as pessoas te privem da vida, dos sonhos. É hora de ser só um pouco egoísta, olhar para o próprio umbigo e ir em frente com as suas vontades. Porque é a sua vida, porque é você. Simplesmente. Tem motivo maior (e melhor) que esse?

Strip-Tease

9 de outubro de 2012



Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender. Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.

Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes. Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história." Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou". Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua "Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui". E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

(Martha Medeiros)

Até semana que vem, meu bem!

1 de outubro de 2012



Você tinha mesmo que aparecer com aquela sua camisa pólo que dizia “olha como eu estou mais bonita agora!”, não é? Você sabe que ela ainda tem o nosso cheiro e não, eu não estou pronta para me desfazer de você ainda. Então por que você me chamou para sairmos naquela noite? Justo naquela noite de sábado triste e vazia? Por que você resolveu aparecer com aquele seu sorriso canto de boca que diz que é só eu chamar que você vem? Com aquele seu charme e seu jeito que diz que você simplesmente não vale o chão que você pisa e muito menos dá valor aos corações que frequenta.

Foram tantos, não é? E eu me pergunto aqui o que de fato você faz com todos eles. Deduzo eu que você tenha um depósito que muito mais que acumular presentes, nele você guarda cada um dos corações que recebe. E eu aposto o meu coração (que por sinal, não foi entregue a ti) que você nem sequer guarda todos os outros com devido cuidado e não sabe nem sequer quem são as respectivas donas.

Semanalmente eu publico uma crônica lá no Depois dos Quinze. Continue lendo a dessa semana clicando aqui.