Indecifrável

5 de setembro de 2012



Sou tormento. Me bagunço com a mesma facilidade com que penso. E mesmo quando sou paz, ainda posso fazer barulho. E dizer que sou leve como o vento ou forte como uma tempestade é clichê demais para alguém que não se encaixa nos padrões. Não sou. Aliás, existem mesmo os padrões? Às vezes alma de menina, outras pensamentos de uma idosa. Danço conforme a música, mas adoro sair do ritmo. E sempre trago alguém para dançar comigo.

Cantorias só são válidas se partirem do coração. Cartas e palavras também. Não sei dizer em vão, não sei amar em vão. Porque metade de mim é sentimento e outra ainda também é. (In) Felizmente. Vez em quando eu seguro na mão da vida e atravesso a rua de cabeça erguida. Vez em quando eu prefiro me esconder do mundo. Mas é só de vez em quando. Estou sempre por aqui, engolindo nós e absorvendo encantos.

Adoro a minha bagunça. Me perco, me encontro, me completo. E finjo que sou uma pessoa organizada. E finjo que sei me organizar. Começo e não termino. Concluo antes mesmo de iniciar. E planejo. Olhos fechados e pé no chão. Ou, como prefiro acreditar, olhos abertos, mas voando presa por uma asa só. Sem mais.

Alguém me disse que seria fácil, mas confesso que eu nem acreditei muito. Outro, já previu a dificuldade e me alertou a tempo. Se é fácil ou difícil? Ainda não sei. Além de tormento, sou descoberta.  Me descubro, me cubro, protejo. Me apego, afago e deixo ir. Não fácil, não sem lágrimas. Mas sempre deixo. Adepta da insistência, do coração mole e dos sentimentos exacerbados. Intensidade deveria estar escrito na minha carteira de identidade (alguém deixou esse detalhe passar!).

É pecado se preocupar além? Penso que não. Ninguém nunca me disse nada. E se não disseram, já nem é hora de dizer mais. Sou mudança também, te contei? “Bom dia” de cara amassada. Beijo na testa seguido de um “te cuida”. Fora isso, sou um texto inacabado. Indecifrável. Reticências que não me abandonam, vírgulas que não me deixam em paz. E alguns parágrafos soltos por aí. Um dia você encontra, um dia eu me encontro. Mas enquanto isso não acontece, se cuida viu?!

2 comentários:

  1. OI Dreisse! Primeira vez que leio seu blog. Adorei esse texto. Principalmente o ultimo paragrafo.
    "Fora isso, sou um texto inacabado. Indecifrável. Reticências que não me abandonam, vírgulas que não me deixam em paz. E alguns parágrafos soltos por aí. Um dia você encontra, um dia eu me encontro. Mas enquanto isso não acontece, se cuida viu?!"

    lindo... :)

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  2. Você nos definiu (a Humanidade) muito bem: somos uma estória inacabada... Inacabada e cheia de vírgulas e pontos e vírgula.
    Adorei seu texto.
    Bjuss

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Obrigada!