Esse é só mais um adeus...

2 de julho de 2012


Pela primeira vez eu não quero te sentir. Não quero te ver. Não quero nada de você. Seu cheiro ainda exala constantemente nesse quarto e vem de tudo que me lembra você. Livros, perfume, pertences que talvez você nem lembre mais que existam exatamente porque abandonou tudo por aqui. É a nossa história exalando esse cheiro e me fazendo lembrar de você mais uma vez. É a nossa história que martela e me enche de dúvidas, mas só não me faz desistir de uma decisão.

A gente custa a tomar decisões nessa vida e eu demorei, mas tomei a minha. Nunca imaginei que nosso fim seria assim, mas eu estou certa dele. Estou certa de que é assim que tem que ser, porque afinal tudo passa, não é?! Lembro de quando me prometeu que ficaria ao meu lado enquanto estivesse vivo. Lembro da vontade que tínhamos de comprar um cachorro, uma casa e ir embora daqui.

Hoje eu só queria que essa lágrima não escorresse no meu olho. Mas sei que não está mais aqui para secá-la. Hoje eu só queria perceber como eu estava errada, mas a vida dá um tapa na cara da gente e mostra que não. Que a realidade é dura assim mesmo. Que tudo nessa vida acaba. E que de fato, tudo passa.

Suas coisas estão jogadas ali em cima da cama como quem não quer ir embora. Eu estou jogada aqui, como quem também não quer, mas que precisa. Me dói deixar nossa história para trás. E às vezes eu só me pergunto por que teve que acontecer assim. Acho que nunca soube, mas parte daquele livro que eu tanto me dediquei contava nossa história. Só que um pouco mais fictício. E eu nunca imaginei que o fim doloroso descrito ali seria o nosso fim também. Parte daquela história contava nossa história. Nossos conflitos e nossas diferenças estão ali num tom de realidade que eu me surpreendo toda vez que releio. Mas acontece que assim como eu imaginei o fim da história, a gente se redirecionou para o fim também. E se um dia ele for publicado, eu não deixarei uma dedicatória para você como havia prometido. A intenção era provar o quanto nossa história seria diferente da história do casal conturbado do livro, mas não foi possível.

Amanhã era dia de você vir para cá. Eu deitaria no seu ombro, assistiríamos a um filme e eu provavelmente dormiria antes do fim. Você me contaria toda história e faria qualquer piadinha. Amanhã seria um desses dias clichês que a gente adorava, mas só que não vai acontecer. Só que não dessa vez. Só que não, nunca mais.

Pela primeira vez eu não quero ouvir nossas músicas e te sentir de longe. Eu pensei que aquela música seria a música do nosso casamento, mas não chegou nem perto disso. Pela primeira vez eu tenho raiva do cantor que embalou toda nossa história e que me faz arrepiar dos pés a cabeça sempre que me lembro de você. Pela primeira vez eu não queria que essas lágrimas fossem para você, mas acredite: elas são. E tenho prometido para mim mesma que serão as últimas, mas essa, assim como as outras foram, é só uma promessa que eu sei que não vou conseguir cumprir de imediato, mas acredito que será aos poucos que tudo isso vai se realizar. E sabe, feridas expostas doem, mas viram cicatrizes. Levam tempo, mas elas fecham. E como a gente sabe, cicatrizes não doem mais. Apenas nos lembram de algo que um dia nos marcou.

2 comentários:

  1. "E sabe, feridas expostas doem, mas viram cicatrizes. Levam tempo, mas elas fecham. E como a gente sabe, cicatrizes não doem mais. Apenas nos lembram de algo que um dia nos marcou." - lindíssimo esse trecho!
    É como se todas essas palavras fossem direcionadas para mim. Encontrei, nessas entrelinhas, algo para me identificar. É sempre apenas mais um adeus.
    :*

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  2. Muito bom o texto. Por experiencia creio que me identifico.

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Obrigada!