Sobre efêmeras mudanças...

27 de maio de 2012

Um dia você decide que quer mudar. Em outro, você começa a querer aplicar a mudança. E entre esses dias passa muito tempo, passa a vontade de permanecer igual, a precisão da mudança e os pensamentos. Até que, sem perceber, você começa adaptar isso na sua vida. Muda a tonalidade do edredom na cama. Tira os porta-retratos da parede, deixa de gostar de certas coisas, passa a analisar outras. E quando você se dá conta, já mudou muito de si. Ninguém nota, ninguém quer notar, mas você sabe que mudou.

Aprendi que muitas dessas mudanças vem quando a gente menos espera. Aprendi também o mais importante: quando se quer mudar, o desejo parte da mente para a realidade, mas a ação necessária para aquilo sempre vai partir de fora para dentro. Eu não deixei de gostar de certas coisas da noite para o dia. Eu não me acostumei a dobrar minha roupa da noite para o dia. Eu me forçava a fazer aquilo. Se antes eu gostava do branco, um dia eu decidir usar mais o vermelho. Se eu fazia um trajeto rápido até onde eu queria, eu então passei a fazer o mais longo. Porque eu precisava mudar, porque eu precisava movimentar. Movimentar as pernas, os pensamentos, a alma. Precisava deixar certas coisas de lado, segurar o choro para algumas e sorrir mais para outras.

E um dia, quando eu notei quão diferente estava, eu comecei a querer essa mudança para tudo que eu pudesse mudar de fato. Da tonalidade do edredom ao papel de parede do celular. Do choro fácil a liberdade dos pensamentos seguidos de um sorriso. E eu então, decidi impor essa mudança a uma coisa que estava tão ligada a mim quanto eu mesma, a uma coisa que tinha muito mais de mim do que eu pudesse imaginar: Eis que eu decidir mudar aqui também. Não é uma mudança grande e eu nem desfiz de textos antigos, mas eu decidi começar pelo nome. Porque esse sim tem muito de mim agora. O Sonhos e Silêncio surgiu de uma vontade antiga,  um projeto antigo que eu achei que nunca fosse querer continuar. Mas eu continuei. Continuei até decidir que a efemeridade fazia parte da minha vida. Que a efemeridade era necessária e com ela ia parte da minha intimidade que se renovava a cada dia. Intimidade Efêmera porque decidi que assim seria. Intimidade Efêmera porque é tudo tão passageiro na vida da gente, inclusive a intimidade que a gente tem com a gente mesmo. Ela também passa, porque, no fundo, vai se tornando maior. Não tem nexo, mas é a verdade. Intimidade porque sou eu, porque tudo isso aqui é uma grande parte de mim. Efêmera porque tudo é tão pouco duradouro quando minhas vontades imediatas.

É simples. Mudar é bom e dá gosto ser diferente às vezes. Dá gosto surpreender as pessoas, surpreender a gente mesmo e vê o quanto isso valeu a pena. É bom deixar a efemeridade entrar e tudo que está ruim sair. Inspira, expira. E assim a gente vai deixando. Deixa um coisa aqui e outra ali para trás, muda uma coisa ou  outra, mas nunca abandona a essência. É tudo tão nosso, é tudo tão passageiro. Deixa ir também. Deixa a fugacidade fazer parte da vida. Deixa.

Eu também te amo...

18 de maio de 2012

(Talvez eu devesse situar quem lê esse texto. Talvez não. É só um diálogo perdido memória de um casal. Um diálogo que nunca aconteceu, mas que permaneceu misteriosamente na cabeça de ambos por muito tempo. É parte de dois corações que se amam afastados pela cegueira temporária de paixões. É só a essência de um casal que não consegue ter suas exatidões somadas e, por isso, resolveram se afastar.)

- Oi, boa noite!
- (Silêncio) Cadê sua namorada?
- Boa noite para você também! Mas ela não veio. Tudo bem com você?
- É, estou bem sim. Quanta ironia do destino, ein? Nos fazer encontrarmos logo aqui, sozinhos...
- Uma hora ele ia agir à nosso favor. Demorou muito até.
- Verdade. (Silêncio) Será que a gente pode conversar em outro lugar? Tem muita gente conhecida aqui. Não quero fofoca atravessada depois.
- Claro, vamos ali comprar algo comigo.
(...)
- Mas, e aí? Está gostando do show?
- Estou. Por que veio sem ela?
- Ela não curte esse tipo de coisa. (...) No fundo, imaginei que você estivesse aqui. Lembra quando eu não podia ir aos shows e então eu te ligava só para escutar uma música sequer?
- Lembro. Lembro de muita coisa também.
- Para ser sincero, eu nunca esqueci nada. (Silêncio) Queria te pedir desculpas por tudo que aconteceu.
- Desculpa por ter amado outra mulher?
- Não! Desculpa por ter te feito sofrer, porque eu sei que fiz.
- Olha, eu tive raiva de você. Eu quis esquecer tudo que a gente viveu, porque na verdade, tudo foi parte de um amor que eu vivi sozinha.
- Eu sempre disse que só seríamos amigos...
- E eu sempre achei que pudesse te convencer do contrário, mas quebrei a cara. Seus olhos sempre deixaram bem claro quem você realmente amava e eu sabia que não era eu essa pessoa.
- Você ainda tem raiva de mim?
- Não, porque eu sempre quis te ver feliz. Mesmo que não fosse comigo.
- E eu já nem sei se sou feliz com ela...
- Sinto muito por isso, mas essa foi sua escolha. (...) Por que simplesmente não termina, então?
- Por que acho que tenho medo de não encontrar mais ninguém que goste de mim. (Silêncio) Por que está sozinha? Soube que conheceu outro cara...
- Conheci. Foi logo na época que se envolveu com aquela garota. Eu estava disposta a amar quem me amava, mas não deu muito certo.
- Por que?
- Porque eu o amei, mas não tanto quanto amei outra pessoa.
- Entendo. Ainda está disposta a amar?
- Estou, contanto que seja a pessoa certa.
(...)
- Eu estava com saudade de falar de nós dois, sabia?
- Saudade das coisas que nunca vivemos?
- Incrivelmente, até daquela amizade estranha que tínhamos.
- Eu também sinto falta, mas você bem sabe que eu te amei, mas cansei de viver nossa história sozinha. Como acha que me senti quando você passou do meu lado e não disse uma palavra sequer, porque o 'novo amor da sua vida' o impedia?
- Me dói ouvir você dizer isso.
- Me dói lembrar de nós dois.
- (...) Acho que temos muito o que conversar ainda, mas no meio desse show vai ser impossível.
- É melhor voltarmos. Ela não pode nem sonhar que tivemos essa conversa.
- Ela nem deveria ter feito parte da nossa vida.
- Mas fez! Ainda tem meu telefone?
- Tenho. Ainda tem o meu?
- Não. Eu não conseguia te apagar da memória. Ao menos no celular, eu podia fazer isso.
- (Silêncio) Foi bom rever você.
- Me liga.
- Te ligo. E se cuida.
(E como quem escuta um 'se cuida' como quem ouve um 'te amo', ela simplesmente deu um sussurro:)
- Eu também te amo.

É hora de mudar

13 de maio de 2012




Sabe aquela época que a gente decide colocar tudo no lugar? É hora de fazer isso, só que por dentro. Não é fácil, mas é necessário. Limpe tudo, sacuda a poeira. Jogue fora o que for velho. Reorganize as lembranças. Redefina as prioridades. Cada coisa no seu lugar. Não adianta tampar o sol com a peneira também. Você sabe que não adianta. É hora de deixar a luz do sol entrar. E mudar. 

Loucos X Comuns

4 de maio de 2012


Texto escrito por mim, mas para blog Since For postado originalmente em junho/11.

Loucos e comuns. Pessoas clichês e pessoas ousadas. Afinal, o que torna uma pessoa comum? O que faz com que sejamos tachados de loucos? Talvez comum seja acreditar que existe um único caminho na vida e simplesmente se contentar com aquilo. Talvez loucura é criar atalhos, trilhas e planejar trajetos para que possamos traçar nosso destino. Loucura é correr atrás dos objetivos completamente encantado por aquilo que se quer. Comum é parar em cada obstáculo e só se concentrar nele.

É comum julgar as loucuras alheias. E ser louco é ignorar todas essas pessoas que tenta nos fazer passar pela vida sem se sentir plenamente dona da mesma. É normal viver seguindo as regras exatamente como elas são. Louco é ousar nas atitudes e criar seu próprio estilo de vida. Porque se você não conhecer as regras, não saberá quais poderá quebrar e se você não conhece a normalidade, nunca saberá que está sendo um louco. É loucura ser dono do próprio destino. É comum sentar e ver a vida passando.

Não é justo que a sociedade nos peça para sermos comuns e nem que nos rotulem de loucos. Justo é viver feliz e rodeado de coisas boas. Porque não é interessante que eu lhe diga o que ser. Existem milhares de maneira de levar a vida, mas às vezes as pessoas têm que se decidir em ser loucas ou serem comuns. Eu estou optando pela loucura. E você?