E que em 2013...

30 de dezembro de 2012


Que em 2013, eu não perca o brilho dos olhos mesmo sabendo que o sol pode não brilhar tanto assim mais. Que eu aprenda a não esperar nada das pessoas, mas dê o máximo de mim sempre que quiser conquistar algo. Que não me falte sorrisos, histórias, abraços e amigos. Que não me falte amor. Que me sobre ternura para lidar com as situações, sabedoria para os problemas e leveza para conduzir a vida.

Desejo que em 2013, o mundo saiba amar mais. Que as pessoas deixem de criar mais laços virtuais e criem laços reais. Que as palavras de amor não sejam postadas em qualquer rede social, mas sim faladas ou escritas com todo carinho. Que haja menos indiretas e mais abraços.

Que em 2013, eu seja paciente o suficiente para entender que certas coisas acontecem quando tem que acontecer e que acelerar o tempo é impossível. Que em 2013 eu olhe para 2012 e lembre tudo que ele me ensinou. Que eu saiba olhar para trás, aceitar o passado, reconhecer os erros e continuar. Que 2013 me traga sim notícias ruins, mas que sejam seguidas de algo bom.

Que não nos falte felicidade. Que não nos falte prosperidade. Que não nos falte companhia. Que não nos falte o perdão. E, mais uma vez, que não nos falte amor. Que eu não deseje hipocritamente que 2013 seja um ano melhor. Que eu saiba ser melhor e, conseqüentemente, fazer do meu ano um só motivo feliz.

Feliz ano novo para todos vocês. 

Das verdades que um dia você me impediu de (vi)ver

25 de dezembro de 2012


Desculpe-me, mas eu preciso dizer. Não carrego raiva, rancor ou nada parecido. Só acho que eu poderia ter me entregado menos. Eu ainda não conhecia seu poder de manipulação, seu poder de convencimento e acabei dando conta dele tarde demais. Você ultrapassava minhas curvas, não seguia minhas regras, chegava ao meu limite e eu achava graça disso tudo. Você delicadamente tampava meus olhos. Não estou te acusando de mentiroso, mas você me poupava. E eu me poupava mais ainda por achar que você também estaria se poupando por nós dois. Nunca esteve.

Foi triste descobrir isso. Perceber que as manhãs de sábados enrolados naquele edredom eram só para me impedir de sentir o cheiro de outros perfumes que estava na roupa foi doloroso. Foi cruel. Nunca te exigi fidelidade, nunca te obriguei a me dizer a verdade. Você escolheu esse caminho e me fez escolher também. Eu teria aceitado se tivesse me proposto que eu continuasse sendo somente minha. Teria aceitado se dissesse que ainda continuaria a curtir outras mulheres na minha ausência. Eu aprendi a ser infiel comigo mesma. E eu teria conhecido outras bocas, outros lençóis sem o menor remorso.

Mas não, aquele seu charme me deixava cega. Aquelas suas mensagens no auge da noite dizendo que você já estava em casa àquela hora começaram a fazer sentido quando percebi que você realmente estava em casa, na casa delas. Os “eu te amo” tão bem programados, sempre as quartas à noite depois de duas horas de ligação só para me amolecer e me impedir de perceber que as suas quintas já estavam ocupadas por alguém que não era eu.

Não julgo seus erros. Não julgo suas quase-não-mentiras. Eu julgo a minha cegueira, meus lapsos de quase-amor. Você aproveitou da garota ingênua enquanto pode, mas se esqueceu que ao invés disso, poderia ter aproveitado de uma grande mulher. Esqueceu que diferentemente de tudo, eu teria entrado no seu jogo e criado minhas próprias verdades, que você, conscientemente, não me permitiu viver. 

Acabei indo

18 de dezembro de 2012


Por amar com desamor, por depositar expectativas que eu jamais daria conta de suprir, pelas culpas que você pedia que eu assumisse e pela espera de que eu preenchesse um espaço que caberia somente você, acabei indo.

Sobre a música que eu nunca mereci

10 de dezembro de 2012


E já vinha você com aquela sua música para me fazer derreter. Não sei por que segurou a minha mão. Me fez entrar no compasso, recitou algumas notas, disse meia dúzia de palavras agradáveis e pronto: Havia conquistado toda a harmonia de uma orquestra. Você desconsiderava o meu balanço. Me obrigava a dançar do seu jeito e nem me deixava descobrir, afinal, quem era aquele cantor. Aposto que tinha uma coletânea com tais canções. Deixava-as no ar, puxava uma a uma, aproveitava três minutos de dança e se não conseguisse nada, então você partiria para a próxima. Bela maneira de conquistar uma mulher.

Sabe, eu nunca te disse, mas eu sempre admirei esse seu jeito galanteador. E dei graças a Deus quando você descruzou o meu caminho. Aquele aperto no peito (ou coração, como queira) não era natural, mas eu o esquecia sempre que me lembrava das histórias que um dia me contaram sobre você. Alguns minutos de dança não eram nada perto da vida que eu ainda queria descobrir ao seu lado, mas eu sabia que eu não era a garota para ilustrar a capa do seu CD. No máximo, uma participação especial na pior faixa do álbum.

Não te culpo, nem me culpo. Certos casais, por maior que seja a harmonia, não foram feitos para estrelarem o mesmo musical. E nem merecem mais que três minutos de dança. Vai. Chama a próxima garota porque eu sei que ela sim merece mais que uma só dança ao seu lado. Procurarei outro ritmo que não o seu, procurarei outra maneira de me movimentar que não seja seguindo os passos de outra pessoa. Criarei meu próprio CD, farei das suas palavras minha principal melodia e repetirei o ritual até encontrar alguém que mereça muito mais meros passos de dança numa música qualquer. 

As mentiras que eu sempre contei

6 de dezembro de 2012



Não sou esse poço de calmaria. Meu guarda-roupa é tão bagunçado quanto o seu e eu odeio esses sites de mulherzinha moderna do século XXI. Uso minha intelectualidade para fazer minha delicadeza sobressair, mas adoro a cultura das artes marciais. Não preciso da sua ajuda para abrir o pote de azeitona, nem para destravar a torneira que eu mesma apertei mais forte minutos antes. Quanto mais você odiava uma peça do meu armário, mais eu a usava para sair longe de você. Nunca te contei dos meus flertes, dos meus outros amores, nem das noitadas que só terminavam depois das 8 da manhã. Nunca te contei sobre o meu passado - não nos detalhes que você deveria ouvir.

Acho que omiti parte daquela história que você vivia me questionando. Mas, meu querido, nunca foi sua obrigação saber de nada disso. Eu escondi certezas, falei sobre mentiras, usei de hipóteses e confirmei algumas dúvidas. Tudo para me proteger. E isso nem é crueldade porque eu nunca pedi que invadisse meu mundo e usufruísse dos meus lençóis. Bancar a garota romântica dá trabalho e é hora de deixar a máscara cair.

Tudo bem que talvez a ingenuidade seja sim meu segundo nome, mas sempre estive a beira da malícia. Joguei-me de penhascos, vivi coisas que meio mundo duvida e deixei tudo por debaixo do meu sorriso. Só conto para quem merece escutar, para quem tem eficácia suficiente para separar a mulher que fui da mulher que sou. Já subi em cima da mesa daquele bar, dei minhas crises, meus shows e já briguei com muita gente. Já falei mal de você – mas isso é história para outro texto.

Não se assuste. Meu semblante por trás do disfarce é muito mais interessante do que possa parecer. Só estou me desfazendo de velhas roupas, algumas tralhas e antigos costumes. Não estou te pedindo para ficar. A ideia de te deixar ir em meio a tudo isso é tentadora, mas eu ainda te darei o poder de escolha. Só que, meu bem, tem que ser rápido. Já escolheu?

Meu quase (seu) amor

9 de novembro de 2012


Você me disse não. Como assim você me disse não? Minha cabeça rodou, meus pés saíram do chão e você me disse não mais uma vez. Bem que já me disseram que coração dado ninguém quer. Eu não via isso e estava te dando o meu. Puro erro. Você queria o prazer de conquistar e não um coração entregue em uma bandeja com um bilhete escrito “para você”. Eu sei que você gostava de desafios, mas foi triste ver você me dizendo que não. Problemas a parte, isso me deixou confusa. Espera aí. Me explica. Qual a graça de conquistar? Não é muito mais fácil ganhar? Não. Tudo bem, eu sei que não. Mas eu não sou diferente? Não sou o suficiente? Por um acaso não sou o que precisa?

Essa sua atitude me fez repensar minha carência medíocre que me fazia escolher qualquer alimento da prateleira quando estava com fome. Eu nunca me supri. E eu tinha aquele velho hábito de substituir pessoas com a razão de nunca deixar o sentimento acabar. Nunca me bastei e nunca poderia te bastar também. Depositaria todo meu excesso de amor e toda falta de mim em você e isso nos afundaria num mar sem volta.

Esse medo de ficar sozinha nos levaria a falência, meu amor. Nos levaria a morte antes mesmo que pudéssemos estar vivos juntos. Eu sentia que eu precisava, mas ao mesmo tempo eu sabia que não. Precisar de alguém é erro. Depositar toda responsabilidade de cuidar de si em outra pessoa é um tiro no pé, como você mesmo disse. Eu sei, eu sei. Mas vem cá e diz para o meu coração. Não me canso de te implorar.

Você já deu outras desculpas. “Nos encontramos em uma época errada” não foi uma das melhores. Mas tudo bem, eu aceito. Te aceito, já disse. Mas não demora muito, viu? Eu entendi, eu entendi que não tem volta. Quem mendiga atenção tem o que merece. E eu não mereci nada. Naquela hora deu vontade de sentar na beira de alguma calçada qualquer e chorar como uma louca. Alguém passaria, sentiria dó e tentaria me consolar. E então eu conheceria alguém melhor que você. Existe, não é?! Você não pode ser tão perfeito assim. Não pode ser tão meu (ou seu) assim.

Sei que se me deixasse cuidar de você, eu me esqueceria. E aí você não teria paciência para minhas crises existências, porque eu sentiria falta de algo que você jamais poderia me devolver: eu mesma. E que fique claro: Sou mestre na arte de criar teorias. E eu criei as minhas para justificar sua ida. Me dava arrepios pensar que a nossa história não daria certo mesmo. Eu não aguentaria pedir carinho e eu sei que se dependesse de você, isso jamais partiria como uma atitude espontânea.

Sabe, amor, eu acho que me conformei. Aquele dia eu voltei para casa chorando, olhando a lua e completamente arrependida por ter dito que te amava. Tudo bem que “eu também te amo” não era o que eu esperava, mas o “você não pode me amar” doeu como um murro no rosto, minha alma foi pisada e meu coração destruído quando disse que eu não precisava mendigar paixão. Que antes de te amar, eu deveria me amar primeiro.

Não sei como eu começo. Não sei quando começar. Não sei se sei me amar. E tenho começado a pensar que nem sei se te amo mesmo. É meio doença. Não é você, é o sentimento. Amor vicia. E se sentido de maneira errada, você deixará de colher bons frutos e terá que se contentar somente com o podre. Eu era a podre da história, meu amor.

Não te tiro a razão. Não te tiro os motivos. Não os entendo, mas tudo bem. Já me acostumaram a ser deixada para trás. E eu nem vou mais repetir que te gosto tanto. Te amo, mas me amo também, caso não saiba. Te deixo ir, se quiser, mas sei que irá voltar mais cedo ou mais tarde. É só uma questão de você se cansar do brinquedo que está no alto da prateleira e resolver pegar aquele carrinho sem graça que alguma criança deixou para trás à altura da sua mão.

(Meu Deus, a que ponto eu cheguei?)

Vai!

28 de outubro de 2012



Não tem manual de instruções. É simples. Ou você vive, ou alguém mais esperto viverá por você.  Não dê espaço para a infelicidade e, de vez em quando, finja que os problemas não estão ali e continue sorrindo, porque uma hora eles se cansam de te atormentar. Aproveite mais as manhã de domingo e tenha menos ódio da segunda-feira.  Menos reclamações, mais sorrisos. Mais positividade, menos pensar que tudo vai dar errado. Faça sua escolha e se possível, escolha ser feliz. Vai, se joga! 

Só de sacanagem

27 de outubro de 2012

(E que o texto sirva de lição à todos que votarão no segundo turno das eleições! )

Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. 

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! 

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem! Dirão: "Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!". E eu vou dizer: "Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos." Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.
Dirão: "É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!" E eu direi: "Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!"

Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!

(Elisa Lucinda)

Como é triste o fim

18 de outubro de 2012


Eu odiava cheiro de cigarro e você sabia disso. Aquela fumaça me causava crises alérgicas e você havia deixado no canto da mesa ao lado da cama só para me incomodar. Eu sei. Sei também que fazia frio lá fora. Você ligou a música, sentou na cama e me olhou. Eu, nitidamente sem graça, deitei no seu colo e esperei que tomasse alguma atitude. Demorou, mas você tirou minha blusa de frio e desengasgou algumas palavras. Você falava de medo. Falava de paz. E acreditava que a felicidade era algo obrigatório. Nem adiantou dizer que eu estaria ao seu lado, porque afinal eu nem sabia se era isso mesmo que queria.
Vez em quando, você tragava o cigarro, olhava em meus olhos e depois olhava aquela lua minúscula que fazia sombra na janela. Nem ela estava bonita hoje, nem você. Você me ofereceu o cigarro, eu te pedi um abraço. Retribui com um beijo, você com um pouco de fumaça no ar. Nosso amor chegava ao fim e era inútil qualquer tentativa. Eu sabia que não tinha mais jeito.

Semanalmente eu publico uma crônica lá no Depois dos Quinze. Continue lendo a dessa semana clicando aqui.

Pelo fim da interferência alheia

16 de outubro de 2012


Egoísmo nem sempre é defeito, raramente é ruindade e percebi que a maioria das vezes é só uma questão de priorizar o melhor para gente sem afetar negativamente o outro. Todo mundo é um pouco egoísta e se você ainda não é, então deveria começar ser. Porque um dia, você vai se cansar de sempre colocar a felicidade dos outros antes da sua. Vai se cansar de sempre dizer que será só dessa vez, que é possível deixar sua vontade de lado e agradar outra pessoa. Um dia, você achará necessário priorizar sua vida e não se privar de mais nada por mais ninguém. Absolutamente ninguém.

Chega um momento na vida que a gente sente uma vontade absurda de colocar tudo no lugar, redefinir as prioridades, arrumar a bagunça interna. Retirar da nossa vida tudo que nos atrasa, tudo que nos impede de continuar. E então, a gente entende o quanto nossa felicidade é importante. Não para os outros, não para ninguém. Mas sim para nós mesmos. E abrir mão dela simplesmente porque isso trás incômodo alheio é loucura.

Abrir mão de pequenas vontades em prol de outra pessoa é humanamente aceitável, é prova do quanto você se importa com o outro. Desistir de grandes desejos porque outra pessoa não os aceita é deixar que os outros tomem a frente da sua vida. E, sinceramente, permitir que isso aconteça não é a solução. Nada pior do que o fantasma que nos assombra tempos depois perguntando como seria se não tivéssemos deixado que outras pessoas decidissem pela gente. Nada pior do que o arrependimento que te diz que mais uma vez você errou tentando acertar pelos outros.

 É hora de colocar um ponto final em certas situações. É hora de impedir que as pessoas te privem da vida, dos sonhos. É hora de ser só um pouco egoísta, olhar para o próprio umbigo e ir em frente com as suas vontades. Porque é a sua vida, porque é você. Simplesmente. Tem motivo maior (e melhor) que esse?

Strip-Tease

9 de outubro de 2012



Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender. Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.

Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes. Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história." Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou". Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua "Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui". E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

(Martha Medeiros)

Até semana que vem, meu bem!

1 de outubro de 2012



Você tinha mesmo que aparecer com aquela sua camisa pólo que dizia “olha como eu estou mais bonita agora!”, não é? Você sabe que ela ainda tem o nosso cheiro e não, eu não estou pronta para me desfazer de você ainda. Então por que você me chamou para sairmos naquela noite? Justo naquela noite de sábado triste e vazia? Por que você resolveu aparecer com aquele seu sorriso canto de boca que diz que é só eu chamar que você vem? Com aquele seu charme e seu jeito que diz que você simplesmente não vale o chão que você pisa e muito menos dá valor aos corações que frequenta.

Foram tantos, não é? E eu me pergunto aqui o que de fato você faz com todos eles. Deduzo eu que você tenha um depósito que muito mais que acumular presentes, nele você guarda cada um dos corações que recebe. E eu aposto o meu coração (que por sinal, não foi entregue a ti) que você nem sequer guarda todos os outros com devido cuidado e não sabe nem sequer quem são as respectivas donas.

Semanalmente eu publico uma crônica lá no Depois dos Quinze. Continue lendo a dessa semana clicando aqui.

Só mais uma

29 de setembro de 2012


E se vestia lentamente como fizera em todas aquelas noites. A camisola de seda escorria pelo seu corpo com uma delicadeza invejável e ela aproveitava o momento. Sem ninguém a quem dedicar à ação, ela ia todos os dias delicadamente a estante e passava aquele óleo que trouxera de uma viagem há muito tempo atrás. Sem muitas delongas, pegava um cobertor e deitava certa de que estava sozinha. Sentia os pelos quentes roçando seu corpo e, então, embalada pelo silêncio noturno, dormia feito um anjo de asas feridas.

Fora tomada por pensamentos infames durante todo o tempo que esteve longe, mas a mente sempre permaneceu vagando em um só lugar. Era alimentada pela frustração misturada a felicidade de ser simplesmente assim: indecifrável. Viveu histórias de outras pessoas, presenciou clichês durante a maior parte do tempo. E se rendeu aos laços e pedidos que desejavam sua mudança. Odiava ter que ouvir sua voz interior, mas acabava se rendendo aos planos de ir mudando pouco a pouco.

Era alguém que abandonaria qualquer história a qualquer momento, mas isso nunca a impediu de vivê-las. Era capaz de dormir completamente arrependida, mas nunca acordava com a vontade de ter feito algo. A frieza só se fazia presente quando se tratava de autoproteção. Se recusava a recolher culpas e a tomar novas decisões. Preferia a certeza de um não à dúvida de um talvez - eu disse que sua vida também era um clichê impagável.

Gostava da segurança, da tranqüilidade. Procurava paz. Precisava de espaço mesmo que aquela casa passasse a maior parte do tempo vazia. Sua rotina exalava antigos cheiros, mas isso nunca deixou que ela optasse por antigas escolhas. Frequentava antigos lugares, trocava com estranhos os mesmos olhares de sempre. Era alguém sem nexo ou ordem. Irreal, surreal, real. Era só mais uma.

Acordava todas as manhãs no mesmo horário e mais uma vez usava seu óleo corporal. Calculava seus passos, repensava todos os seus planos. Os sonhos ela deixava para depois. Passava a mão no cabelo certa de que talvez fosse uma pessoa inconsequente,  mas apesar das circunstâncias, gostava de ser alguém assim. Por fim, pensava em uma certeza: suas asas de anjo, que por todas as noites dormiam feridas, acordavam prontas para um novo voo e certas de que novos machucados viriam.

Procura-se alguém que goste de Teatro Mágico

19 de setembro de 2012


Procura-se um amor que me chame de menina, que guarde minha primeira blusa de lã e que me case consigo. Alguém que entenderá quando eu disser que às vezes minto tentando ser metade do inteiro que eu sinto. Que subirá na pedra mais alta ecoando notas pra todo dia. Procura-se alguém que nos faça ser como feijão e arroz que só se encontram depois de abandonar a embalagem, mas que seja também capaz de construir nosso pequeno castelo enquanto sobra tanta falta.

Que toque sonho em uma flauta, que entenda que nossa sina é se ensinar e que enquanto respirar, se lembre de mim também. Que seja meu anjo mais velho, meu mérito e meu monstro. E que entenda que eu não sei na verdade quem eu sou. Tem hora que sou senhora (tem horas? que horas são?). Alguém que não faça, não vá e se desaprenda. E que se perca nas margens de mim.

Prefiro alguém que goste da entrega, da folia no quarto e que entenda o que se perde quando os olhos piscam. Que não seja Chico, mas queira tentar. Que não tenha a fé solúvel, mas que saiba que o tudo é uma coisa só. Que reconheça minha pressa e sua prece. Alguém que me dê um sorriso por ingresso. E que não falte assunto e nem acesso. No fundo, que saibamos calcular a tática e a estratégia. Porque, afinal, eu só quero alguém que me bagunce, tumultue tudo em mim. Que assimile, dissimule, afronte, apronte e carregue-me nos abraços. Alguém que enfim saiba quão mágico é todo esse teatro.

O amor...

16 de setembro de 2012

O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas quase silencioso. Não é menor em extensão. É mais definido, colorido e poetizado. Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento. Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro somente aceita viver os problemas da felicidade. Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer. Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro. O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão. Basta-se com o todo do pouco. Não precisa nem quer nada do muito. Está relacionado com a vida e a sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso. É feito de compreensão, música e mistério. É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.

O amor maduro não disputa, não cobra, pouco pergunta, menos quer saber. Teme, sim. Porém, não faz do temor, argumento. Basta-se com a própria existência. Alimenta-se do instante presente valorizado e importante porque redentor de todos os equívocos do passado.
O amor maduro é a regeneração de cada erro. Ele é filho da capacidade de crer e continuar, é o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme. O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa. Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois. Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.

Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue. Não persegue, recebe. Não exige, dá. Não pergunta, adivinha. Existe, para fazer feliz. Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.

(Artur da Távola)

Quase eterna estiagem

13 de setembro de 2012



Uma pausa. Aquele espaço vazio entre os tempos, entre os acontecimentos, entre colheitas. Nada de frutas maduras ou podres caindo do pé. Nada de flores brotando entre as folhas. A seca quase devasta e o tempo de chuvas ainda vai demorar a chegar. Um momento de pausa, quase eterna pausa. Nada te surpreende, nada de te decepciona. A bagunça interna é tanta que o destino se esqueceu de te dar uma força e você se esqueceu de fazer acontecer. Só refletir e nada mais.

Mais importante que tratar de criar um foco ou correr atrás do que quer, é reconhecer que haverá um momento em que tudo entrará em um leve descompasso. Nada agradará, nada melhorará. Mas é nesse momento que sua vida precisa de cautela. É o momento que você para na rua quando está prestes a virar a esquina e se pergunta se é isso mesmo que deve fazer. É um momento de perguntas e de reconhecer que é entre as safras que se conhece a plantação de cultiva, arranca as ervas daninhas e faz o possível para que, quando a estiagem passar, você saiba colher bons frutos sem deixar nada apodrecer por desuso. 

Indecifrável

5 de setembro de 2012



Sou tormento. Me bagunço com a mesma facilidade com que penso. E mesmo quando sou paz, ainda posso fazer barulho. E dizer que sou leve como o vento ou forte como uma tempestade é clichê demais para alguém que não se encaixa nos padrões. Não sou. Aliás, existem mesmo os padrões? Às vezes alma de menina, outras pensamentos de uma idosa. Danço conforme a música, mas adoro sair do ritmo. E sempre trago alguém para dançar comigo.

Cantorias só são válidas se partirem do coração. Cartas e palavras também. Não sei dizer em vão, não sei amar em vão. Porque metade de mim é sentimento e outra ainda também é. (In) Felizmente. Vez em quando eu seguro na mão da vida e atravesso a rua de cabeça erguida. Vez em quando eu prefiro me esconder do mundo. Mas é só de vez em quando. Estou sempre por aqui, engolindo nós e absorvendo encantos.

Adoro a minha bagunça. Me perco, me encontro, me completo. E finjo que sou uma pessoa organizada. E finjo que sei me organizar. Começo e não termino. Concluo antes mesmo de iniciar. E planejo. Olhos fechados e pé no chão. Ou, como prefiro acreditar, olhos abertos, mas voando presa por uma asa só. Sem mais.

Alguém me disse que seria fácil, mas confesso que eu nem acreditei muito. Outro, já previu a dificuldade e me alertou a tempo. Se é fácil ou difícil? Ainda não sei. Além de tormento, sou descoberta.  Me descubro, me cubro, protejo. Me apego, afago e deixo ir. Não fácil, não sem lágrimas. Mas sempre deixo. Adepta da insistência, do coração mole e dos sentimentos exacerbados. Intensidade deveria estar escrito na minha carteira de identidade (alguém deixou esse detalhe passar!).

É pecado se preocupar além? Penso que não. Ninguém nunca me disse nada. E se não disseram, já nem é hora de dizer mais. Sou mudança também, te contei? “Bom dia” de cara amassada. Beijo na testa seguido de um “te cuida”. Fora isso, sou um texto inacabado. Indecifrável. Reticências que não me abandonam, vírgulas que não me deixam em paz. E alguns parágrafos soltos por aí. Um dia você encontra, um dia eu me encontro. Mas enquanto isso não acontece, se cuida viu?!

Seu jogo, minhas regras

3 de setembro de 2012


E você vem com essas palavras doces conquistando quem quer que passe pelo seu caminho. Eu sei e você também sabe que é isso que acontece. Esse seu jeito manso, carismático já deve ter conquistado muitas por aí e você nunca desiste. Mais e mais pessoas todo o tempo. E acredite: isso não é defeito. É qualidade. Dessas que se desenvolvem na pessoa certa.

Só que, de vez em quando, eu não entendo essa brincadeira. E essa sua mania de transformar brincadeiras em algo sério demais. Regras sem nexo, jogadores escolhidos aleatoriamente e você, delicadamente vigiando se tudo está dentro do esperado. Jogos à parte, às vezes tenho a sensação de que você se perde entre as entrelinhas e acaba misturando o não esperado com o real. E isso te confunde. Pode assumir, porque eu sei que confunde.

Acho que deveria repensar o seu jogo ou os jogadores, como preferir. Ou, se achar conveniente, deixe-me participar e mudar as regras. Que graça tem jogar sempre do mesmo jeito, hein? Aposto que você usa o mesmo roteiro com todas e isso tem dado certo pelo visto. Só que dessa vez não. Vou ignorar suas imposições, tirar esse seu controle patético e criar as minhas regras. Talvez você devesse assumir sua condição de jogador, querido.

Não quero parecer estar no controle, mas você há de concordar que não é necessário seguir esse script que insiste em manter. Já parou para pensar que nós somos exceções a todas as regras? Pois então deixa disso, garoto. Ao menos uma vez, deixe o imprevisível acontecer. Pare de calcular tanto e impeça que essa história seja só mais uma na sua vida. Aliás, a gente bem sabe que esse jogo não termina aqui e acredite em mim ao menos uma vez: os dois ainda podem sair vitoriosos, é só você dizer que sim.

A complexa simplicidade de amar

10 de agosto de 2012


Às vezes acho que amor é coisa de gente louca, sabe? Gente que gosta de se arriscar demais. E eu sei! Já virou clichê dizer que quem não se arrisca não vive, mas vai me dizer que você também não gosta de um pouco de segurança? Só penso que ninguém deve depositar essa segurança em mais ninguém. Ninguém é porto seguro de alguém. E se a pessoa acha que você é o dela, esqueça-a, meu querido. Isso ainda vai trazer sofrimento demais. Aliás, perdoe o conselho, mas fuja também de pessoas que não conseguem ficar sozinhas. Se a pessoa não consegue ser sua própria companhia, como espera que ela seja companhia do outro?

Dizem que amor é coisa de gente louca e talvez seja mesmo. Mas pra isso tem que saber amar.  Para amar, você tem que ser no mínimo ousado. Costumo dizer que amar é entrar em um labirinto sem desejar encontrar a saída, porque você acaba se sentindo bem mesmo perdido lá dentro. Amor é coisa de gente que não se contenta com migalhas.

Não acredito em quem diz que amor que é amor dura para sempre. As pessoas que falam isso tem noção de que para sempre é tempo demais? E que o amor da sua vida pode não durar até o ano que vem? Tudo bem! Certos amores marcam, doem, nos realizam, mas passam! E se tudo nessa vida é tão passageiro, então por que as pessoas insistem em dizer que amor que é amor vai ser eterno? Somos donos do direito de amar quantas vezes acharmos convenientes. Quantas vezes conseguimos amar. É um direito meu amar uma só pessoa durante toda a minha vida se eu me sinto plenamente satisfeita com ela, mas qual o problema em dizer que amei duas ou três vezes? E  nem venha me dizer que se você amou mais de uma vez, você entao confundiou amor com outra coisa já que amor acontece só uma vez na vida. Não, não diga isso.

É preciso saber amar, mas é amor quando a gente acha que é. Aliás, a sutil diferença entre sentir o amor e amar de fato deveria estar claro na cabeça da humanidade. Mas não vou mentir: não está claro na minha também não. E afinal, por que escrever tanto sobre amor? Porque amor causa indignação. É ferida mal fechada, é cicatriz que ficou feia demais com o tempo, é sorriso esboçado em plena madrugada. Porque amar é tão simples quanto ser feliz, mas tão complexo quanto entender a felicidade. E é impossível terminar um texto sobre amor sem ao menos ser clichê, mas você há de concordar comigo que amor, assim como a felicidade, não nasceu pra ser explicado, nasceu pra ser sentido. E, por favor, não me pergunte se eu amei. Serei um eterno poço de dúvidas quanto a isso.

Tentativa em vão!

7 de agosto de 2012


De minha autoria, mas postado originalmente no blog Depois dos Quinze em setembro/11.

Eu me esforçava para acreditar em suas promessas do mesmo jeito que você se esforçava para fazer com que eu acreditasse em cada palavra que você dizia. Eu aprendi a te ler entre as entrelinhas, se você quer mesmo saber. Assim, passei a entender seus olhos e sentir seu bruto julgamento equivocado que você insistia em fazer. E na pior das hipóteses, de mim.

Eu saía por aquela porta certa de que todas às vezes você viria atrás de mim. E veja só como você é tão previsível: você ia. Diverti-me por milhares de vezes com minhas amigas às suas custas, porque você era parte do assunto principal no qual adorávamos nos deliciar com palavras rudes e ao mesmo tempo cheias de desejo sobre sua pessoa. Patético era saber que você inutilmente tentava me fazer crer nas suas palavras que inversamente correspondiam com suas atitudes.

Apesar de tudo isso, eu nunca entendi porque eu havia me apaixonado. Essa paixão que me maltratava e me fazia derramar uma lágrima todos os dias em que me lembrava o que estava fazendo com nós dois. Eu nunca poderia confiar em você e depois de tudo, pouco confiava em mim também. Eu sabia que lá pelas tantas nós estaríamos abraçados como quem esquece que existe um mundo indo contra nossas vontades. Eu sabia que enfrentaríamos olhares maldosos e que eu mais uma vez acharia simplesmente que te enganei.

Pouco sei da vida, realmente. Eu nunca consegui te enganar e, no máximo, me enganei todo esse tempo. Eu voltava para casa como quem se sente mal por ter engolido um x-burguer repleto de gordura, mas que mesmo assim sabia o quanto tinha sido bom. Depois de um tempo, você bem sabe que a sua ficha foi caindo. Deveriam ter sido meus esses relapsos de lucidez que você tinha, onde repetia sempre: “você sabe que isso nunca vai dar certo”. Eu sempre soube que nunca mudaria e que de fato nunca daria certo mesmo. Sempre soube e nunca entendi. Quer dizer, entendo agora.

Pode procurar no meu celular. Não tenho mais seu número e me esforço todos os dias para esquecer o que havia decorado: nossas datas, nossas músicas, nossos momentos. Entendi também porque nunca poderíamos dar certo: Eu fazia parte de uma porção de acontecimentos bons na sua vida, mas eu era feito esses anjos que vem, mas que tem que ir embora rapidamente. E eu fui. Fui porque você quis e porque me permiti. Você não faz mais parte das minhas conversas maliciosas que eu mantinha com minhas amigas. Tentativa em vão, tentar manter você por perto. No máximo, você agora faz parte de mais um pedaço de papel que carrega uma porção de lembranças – como essa carta que termino nesse exato momento.

É tão simples ser feliz

5 de agosto de 2012


Descobri que a gente não precisa ser feliz durante todo o tempo. Felicidade não é uma obrigação, é uma realização. Ser feliz não é estar só alegre, mas é conviver com a tristeza e alegria de vez em quando e se sentir bem com isso. Ninguém está 100% feliz, mas a gente pode se sentir feliz uma vez ou outra. Felicidade virou pressão social e estar amargurado com a vida passou a ser proibido. Grande tolice. Alguém muito sábio já disse que só se pode ver as estrelas na escuridão e é exatamente isso que acontece. A gente só dá valor ao céu depois de ter conhecido o inferno. E enquanto as pessoas enxergarem a felicidade como obrigação, ela vai deixar de fazer parte do lado bom da vida e vai passar a ser mais um acontecimento massante e rotineiro que a sociedade tenta nos fazer engolir. 

O mundo não precisa estar do jeito que a gente quer. A gente precisa. E quando a gente simplesmente está, a gente acaba descobrindo que felicidade é a coisa mais simples que existe. E que, ao contrário do que eu pensava, ela não está em grandes acontecimentos ou em uma sequencia enorme de bons fatos. A felicidade está nos detalhes, nos momentos que de vez em quando lembram o quanto a gente se sente realizado por vivê-los. 

Felicidade é acordar com uma vontade louca de sorrir mesmo que os problemas implorem para serem resolvidos. Sabe, ser feliz é deixar certas coisas pra depois e se preocupar com a gente. É se sentir bem. É ser feliz assim do jeito que se é, do jeito que se está. E é aproveitar cada segundo de momento bom que está acontecendo. É saber que ser feliz não é estar sorrindo o tempo todo. Felicidade tem a ver com essência. Tem a ver com bem estar. Tem a ver com paz interior. 

E aí eu descobri uma das coisas mais valiosas que se pode saber: quando a gente se sente tão completo e tão bem com a gente mesmo, as situações fluem tão naturalmente que a felicidade simplesmente vêm. A vida se torna mais leve e certas preocupações passam a ser só detalhe, desses que a gente não precisa perder tempo para se estressar. E quando você percebe, está irradiando sorrisos por aí. Naturalmente e consequentemente.  

Renda-se

3 de agosto de 2012


Renda-se às vontades, às virtudes, à você. Renda-se à chuva, ao calor. Renda-se aos sentimentos e a aquela voz intuitiva que lhe diz o que fazer e que você nunca sequer escutou. Renda-se sem se preocupar com o certo ou com o errado. Erre de coração, acerte com prazer. Se jogue na eterna dança que é viver. E sem medo nenhum de errar a coreografia.

Devaneios de uma mulher (quase) mandona

31 de julho de 2012


Anda! Tira essa calça e coloca uma bermuda. Já disse: Se for para ser, vai ter que ser do meu jeito. Odeio esse seu corte de cabelo e essa sua blusa de gola V. Onde você comprou não tinha nenhuma para homem não? Meu querido, entenda que se for para ficar comigo, terá que andar feito homem. Sem arrogâncias e bem arrumado, porque mulher nenhuma merece homem com cara de que acabou de ser acordado, não é? Muito menos com essa barba de ontem. Aliás, vou abrir uma exceção: Deixe a barba crescer, é sexy e transmite seriedade - coisa que de longe se nota que falta em você.

Pode ficar com as havaianas, essa aí pelo menos combina com aquele boné amarelo ridículo que você tanto gosta. Mas por favor, saiba como e quando usar. Sempre não, porque é sinal de desleixo. E a blusa? Você ainda não vestiu? Não vou ficar te "montando" não, meu querido. Longe de mim escolher o que você terá que usar, mas terá que aprender uma coisa também: homem tem que ter jeito de homem, rosto de homem e terá que se vestir como homem. Deixe as dúvidas para os garotinhos.

Aliás, dá próxima vez capricha mais no perfume. Mulher nenhuma aguenta cheiro de desodorante de supermercado ou perfume barato de revista. Não exijo nada caro, exijo coisa boa. Vai lá colocar seu relógio de pulso que eu vou escolher uma camisa aqui. Hmm.. Gosto dessa! Te deixa malandro sem beirar a cafajestagem. Agora vai lá e se veste, porque é minha vez de me arrumar. E ai de você se der um palpite sequer.

Encerrando ciclos

28 de julho de 2012


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

(Fernando Pessoa)

Complexas reticências e um longo ponto final

23 de julho de 2012

É apertando que a gente encontra espaços. A gente aperta tanto que acaba colocando reticências onde deveria existir um ponto final. Mania tola! Reticências deixam a firmeza frouxa e a certeza balançada demais. E uma vez que aparecem, elas triplicam a história como donas da situação. Ao contrário do que se pensa, completar com vírgulas só piora.

Pontos finais em excesso em um mesmo enredo deixam arrependimentos jogados por aí. Migalhas da sensação de que poderia ter sido diferente. Resto da certeza de um erro, do "não quero mais, mas posso tentar de novo". Às vezes reticências provam o contrário. Provam que quando se aperta uma única vez para dar espaço a continuidade, elas insistem em não aparecer durante o resto da história, porque não é mais necessário.

Essas reticências deixam um gosto amargo, mas são logo disfarçadas com o doce das palavras emboladas que vem a seguir. Deixam fel na boca de quem procura mel. E deixam a incrível sensação de um talvez que nunca será cumprido. Afinal, o outro caminho ali estava, mas você preferiu andar em cima dos pontos e fingir que não poderia cair por entre os espaços. Preferiu escolher o "não consigo, mas posso tentar" do que de fato se arriscar colocando um ponto final e construir um novo parágrafo. Reticências vem de uma mistura de sorrisos e lágrimas e vez ou outra nos ensinam o que vale ou não à pena e em outros casos mostram quão errados estamos.

E ainda dá tempo! Sempre é hora de apagar os últimos dois pontos e encerrar a história sem a necessidade de vírgulas. É triste, mas é tão simples - ou complexo - quanto terminar textos. Sem mais e com um mero ponto final... ou não.

Os míseros restos de uma vida

21 de julho de 2012



E você não veio essa noite. Nem nessa e nem em todas as outras. Não sei mais identificar onde a nossa história começou a desandar e a gente nem sequer voltou tudo para o lugar, meu bem. Hoje você não veio e temo que não virá nas próximas também. Onde foi parar aquela sintonia de sempre? Cadê aquele beijo matinal que você prometeu que seria para o resto das nossas vidas?

Não entendo essa vontade louca de juntar o resto das suas lembranças, colocá-la em uma caixa e mandá-las de volta ao remetente. Continuar a vida sem seus rastros me parece mais agradável do que (sobre)viver com os restos fantasmagóricos da vida que a gente viveu. Restos estes que me pergunto se você ainda guarda como eu os guardo. Se ainda lembra como eu me lembro.

Ainda tem uma blusa guardada ali. Inundando meu quarto de sonhos e espalhando esse seu cheiro de perfume barato no resto das minhas roupas. Queria me desfazer da peça assim como nos desfizemos de nós dois, mas ela é só uma peça, afinal, e eu nem durmo mais com ela. Te eliminei do corpo antes de te eliminar da mente, mas o tolo do coração insistiu em não te esquecer. E aquela blusa jamais voltará a ser sua enquanto existir a mísera angústia da falta aqui. Falta porque você não volta mais, e isso nem é um problema para você! É problema para mim!

E quer mesmo saber? Então leva! Leva de volta a caixa com todas as suas lembranças, com a sua rotina incorporada a minha vida, com parte da sua vida. Me deixe somente com a vontade de transformar tudo isso em saudade. Saudade de algo que um dia nem saberei mais do que se trata, mas terei somente a certeza que existiu.

A nossa espera

18 de julho de 2012



Eu queria você. Bem daquele jeito que só você sabe ser e de qualquer maneira. E a gente nunca sequer entendeu o que tanto se passou entre nós. Porque tantas idas e vindas entre tantos anos. A gente nunca entendeu o que é isso que fez a gente permanecer assim, tão longe e tão perto. Entre uma desculpa ou outra, uma dispensa ou outra. A gente sempre permaneceu ali, intacto até que o outro precisasse.

Sempre achei a gente um casal bem típico de espera. Um precisa e o outro liga. Um quer e o outro atende. Sem sentimentos exacerbados, sem exigências. Sem fidelidade e sem nada que nos ligasse de fato. Era só isso: pele. Essa pele que ardia sempre que estávamos lado a lado. Essa pele que fazia a gente pular os assuntos clichês da noite e partir para o que interessa de fato. E eu nunca vou entender porque tudo entre nós dois sempre aconteceu assim. Nunca vou entender porque apesar de tanto tempo, tantas mudanças e tantos erros, a gente continuou se querendo como casal, mas mantivemos a linha de bons amigos e tirávamos proveito do nosso benefício vez ou outra.

Não se ofenda com a espera e nem se preocupe com os erros. A gente bem sabe que vamos continuar nos desejando loucamente apesar disso. Que vou morder a boca sempre que passar ao meu lado. Que você vai tentar, eu vou resistir até não agüentar mais e me entregar como sempre quis. Eu nunca vou entender mesmo. Nunca vou entender o que é isso que ainda liga a gente. O que é isso que ainda não morreu. E talvez eu até deva dizer que bom que não morreu.

Esse é só mais um adeus...

2 de julho de 2012


Pela primeira vez eu não quero te sentir. Não quero te ver. Não quero nada de você. Seu cheiro ainda exala constantemente nesse quarto e vem de tudo que me lembra você. Livros, perfume, pertences que talvez você nem lembre mais que existam exatamente porque abandonou tudo por aqui. É a nossa história exalando esse cheiro e me fazendo lembrar de você mais uma vez. É a nossa história que martela e me enche de dúvidas, mas só não me faz desistir de uma decisão.

A gente custa a tomar decisões nessa vida e eu demorei, mas tomei a minha. Nunca imaginei que nosso fim seria assim, mas eu estou certa dele. Estou certa de que é assim que tem que ser, porque afinal tudo passa, não é?! Lembro de quando me prometeu que ficaria ao meu lado enquanto estivesse vivo. Lembro da vontade que tínhamos de comprar um cachorro, uma casa e ir embora daqui.

Hoje eu só queria que essa lágrima não escorresse no meu olho. Mas sei que não está mais aqui para secá-la. Hoje eu só queria perceber como eu estava errada, mas a vida dá um tapa na cara da gente e mostra que não. Que a realidade é dura assim mesmo. Que tudo nessa vida acaba. E que de fato, tudo passa.

Suas coisas estão jogadas ali em cima da cama como quem não quer ir embora. Eu estou jogada aqui, como quem também não quer, mas que precisa. Me dói deixar nossa história para trás. E às vezes eu só me pergunto por que teve que acontecer assim. Acho que nunca soube, mas parte daquele livro que eu tanto me dediquei contava nossa história. Só que um pouco mais fictício. E eu nunca imaginei que o fim doloroso descrito ali seria o nosso fim também. Parte daquela história contava nossa história. Nossos conflitos e nossas diferenças estão ali num tom de realidade que eu me surpreendo toda vez que releio. Mas acontece que assim como eu imaginei o fim da história, a gente se redirecionou para o fim também. E se um dia ele for publicado, eu não deixarei uma dedicatória para você como havia prometido. A intenção era provar o quanto nossa história seria diferente da história do casal conturbado do livro, mas não foi possível.

Amanhã era dia de você vir para cá. Eu deitaria no seu ombro, assistiríamos a um filme e eu provavelmente dormiria antes do fim. Você me contaria toda história e faria qualquer piadinha. Amanhã seria um desses dias clichês que a gente adorava, mas só que não vai acontecer. Só que não dessa vez. Só que não, nunca mais.

Pela primeira vez eu não quero ouvir nossas músicas e te sentir de longe. Eu pensei que aquela música seria a música do nosso casamento, mas não chegou nem perto disso. Pela primeira vez eu tenho raiva do cantor que embalou toda nossa história e que me faz arrepiar dos pés a cabeça sempre que me lembro de você. Pela primeira vez eu não queria que essas lágrimas fossem para você, mas acredite: elas são. E tenho prometido para mim mesma que serão as últimas, mas essa, assim como as outras foram, é só uma promessa que eu sei que não vou conseguir cumprir de imediato, mas acredito que será aos poucos que tudo isso vai se realizar. E sabe, feridas expostas doem, mas viram cicatrizes. Levam tempo, mas elas fecham. E como a gente sabe, cicatrizes não doem mais. Apenas nos lembram de algo que um dia nos marcou.

E que seja doce

25 de junho de 2012

Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento, eles secam as lágrimas. Vou ali ser feliz e não volto. Vou ser feliz, sem me importar com o que isso irá causar aos outros… o importante é que não estou fazendo mal a ninguém, pelo contrário! Estou apenas enterrando as impurezas e toxinas da minha vida e deixando brotar uma bela e frutífera árvore, e que seja doce. 
(Caio Fernando Abreu)

O fim do sentimento

14 de junho de 2012


Ando me sentindo livre das tuas garras.  Me sentindo livre dos teus conceitos, escolhas e julgamentos. Ando me sentindo tão completa que não deixo que tu atravesse-me. Porque, meu querido, a gente custa a abrir mão nessa vida e eu, em vez de abrir, fechei-me e te tirei no sufoco, mas com gosto daqui de dentro. Porque não me agride andar ao teu lado sem tocar-te. Pelo contrário, me alivia saber que toca minha mão, mas não chega nem perto do meu coração mais.

As lágrimas secaram, o sentimento petrificou e não ficou mais nada se quer mesmo saber. Nem a marca da tua mão nas minhas costas, nem a marca das tuas palavras doentias na minha cabeça. O fim do sentimento consegue ser mais triste do que o fim de uma história, mas a certeza de um recomeço tomou-me de ti e pela primeira vez eu estou feliz por isso.

Hoje eu acordei meio...

4 de junho de 2012


Hoje eu acordei meio leve, pisando em nuvens. Meio pesada, quase sem forças para se mover. Acordei meio dama, meio santa. Hoje eu acordei meio cansada de algumas coisas, meio com vontade de mudar outras. Meio com desejo de não fazer nada também.

Hoje eu acordei meio alegria de sexta, meio tédio de domingo. Meio felicidade pelo presente novo, meio enfado por algo repetitivo. Hoje eu acordei meio assim: meio preguiçosa, meio animada. Meio séria, meio engraçada. Meio querendo ser simpática, apesar de quase nunca conseguir.

Hoje eu acordei meio eu e apesar dos meios, sinto que acordei inteira.

Sobre efêmeras mudanças...

27 de maio de 2012

Um dia você decide que quer mudar. Em outro, você começa a querer aplicar a mudança. E entre esses dias passa muito tempo, passa a vontade de permanecer igual, a precisão da mudança e os pensamentos. Até que, sem perceber, você começa adaptar isso na sua vida. Muda a tonalidade do edredom na cama. Tira os porta-retratos da parede, deixa de gostar de certas coisas, passa a analisar outras. E quando você se dá conta, já mudou muito de si. Ninguém nota, ninguém quer notar, mas você sabe que mudou.

Aprendi que muitas dessas mudanças vem quando a gente menos espera. Aprendi também o mais importante: quando se quer mudar, o desejo parte da mente para a realidade, mas a ação necessária para aquilo sempre vai partir de fora para dentro. Eu não deixei de gostar de certas coisas da noite para o dia. Eu não me acostumei a dobrar minha roupa da noite para o dia. Eu me forçava a fazer aquilo. Se antes eu gostava do branco, um dia eu decidir usar mais o vermelho. Se eu fazia um trajeto rápido até onde eu queria, eu então passei a fazer o mais longo. Porque eu precisava mudar, porque eu precisava movimentar. Movimentar as pernas, os pensamentos, a alma. Precisava deixar certas coisas de lado, segurar o choro para algumas e sorrir mais para outras.

E um dia, quando eu notei quão diferente estava, eu comecei a querer essa mudança para tudo que eu pudesse mudar de fato. Da tonalidade do edredom ao papel de parede do celular. Do choro fácil a liberdade dos pensamentos seguidos de um sorriso. E eu então, decidi impor essa mudança a uma coisa que estava tão ligada a mim quanto eu mesma, a uma coisa que tinha muito mais de mim do que eu pudesse imaginar: Eis que eu decidir mudar aqui também. Não é uma mudança grande e eu nem desfiz de textos antigos, mas eu decidi começar pelo nome. Porque esse sim tem muito de mim agora. O Sonhos e Silêncio surgiu de uma vontade antiga,  um projeto antigo que eu achei que nunca fosse querer continuar. Mas eu continuei. Continuei até decidir que a efemeridade fazia parte da minha vida. Que a efemeridade era necessária e com ela ia parte da minha intimidade que se renovava a cada dia. Intimidade Efêmera porque decidi que assim seria. Intimidade Efêmera porque é tudo tão passageiro na vida da gente, inclusive a intimidade que a gente tem com a gente mesmo. Ela também passa, porque, no fundo, vai se tornando maior. Não tem nexo, mas é a verdade. Intimidade porque sou eu, porque tudo isso aqui é uma grande parte de mim. Efêmera porque tudo é tão pouco duradouro quando minhas vontades imediatas.

É simples. Mudar é bom e dá gosto ser diferente às vezes. Dá gosto surpreender as pessoas, surpreender a gente mesmo e vê o quanto isso valeu a pena. É bom deixar a efemeridade entrar e tudo que está ruim sair. Inspira, expira. E assim a gente vai deixando. Deixa um coisa aqui e outra ali para trás, muda uma coisa ou  outra, mas nunca abandona a essência. É tudo tão nosso, é tudo tão passageiro. Deixa ir também. Deixa a fugacidade fazer parte da vida. Deixa.

Eu também te amo...

18 de maio de 2012

(Talvez eu devesse situar quem lê esse texto. Talvez não. É só um diálogo perdido memória de um casal. Um diálogo que nunca aconteceu, mas que permaneceu misteriosamente na cabeça de ambos por muito tempo. É parte de dois corações que se amam afastados pela cegueira temporária de paixões. É só a essência de um casal que não consegue ter suas exatidões somadas e, por isso, resolveram se afastar.)

- Oi, boa noite!
- (Silêncio) Cadê sua namorada?
- Boa noite para você também! Mas ela não veio. Tudo bem com você?
- É, estou bem sim. Quanta ironia do destino, ein? Nos fazer encontrarmos logo aqui, sozinhos...
- Uma hora ele ia agir à nosso favor. Demorou muito até.
- Verdade. (Silêncio) Será que a gente pode conversar em outro lugar? Tem muita gente conhecida aqui. Não quero fofoca atravessada depois.
- Claro, vamos ali comprar algo comigo.
(...)
- Mas, e aí? Está gostando do show?
- Estou. Por que veio sem ela?
- Ela não curte esse tipo de coisa. (...) No fundo, imaginei que você estivesse aqui. Lembra quando eu não podia ir aos shows e então eu te ligava só para escutar uma música sequer?
- Lembro. Lembro de muita coisa também.
- Para ser sincero, eu nunca esqueci nada. (Silêncio) Queria te pedir desculpas por tudo que aconteceu.
- Desculpa por ter amado outra mulher?
- Não! Desculpa por ter te feito sofrer, porque eu sei que fiz.
- Olha, eu tive raiva de você. Eu quis esquecer tudo que a gente viveu, porque na verdade, tudo foi parte de um amor que eu vivi sozinha.
- Eu sempre disse que só seríamos amigos...
- E eu sempre achei que pudesse te convencer do contrário, mas quebrei a cara. Seus olhos sempre deixaram bem claro quem você realmente amava e eu sabia que não era eu essa pessoa.
- Você ainda tem raiva de mim?
- Não, porque eu sempre quis te ver feliz. Mesmo que não fosse comigo.
- E eu já nem sei se sou feliz com ela...
- Sinto muito por isso, mas essa foi sua escolha. (...) Por que simplesmente não termina, então?
- Por que acho que tenho medo de não encontrar mais ninguém que goste de mim. (Silêncio) Por que está sozinha? Soube que conheceu outro cara...
- Conheci. Foi logo na época que se envolveu com aquela garota. Eu estava disposta a amar quem me amava, mas não deu muito certo.
- Por que?
- Porque eu o amei, mas não tanto quanto amei outra pessoa.
- Entendo. Ainda está disposta a amar?
- Estou, contanto que seja a pessoa certa.
(...)
- Eu estava com saudade de falar de nós dois, sabia?
- Saudade das coisas que nunca vivemos?
- Incrivelmente, até daquela amizade estranha que tínhamos.
- Eu também sinto falta, mas você bem sabe que eu te amei, mas cansei de viver nossa história sozinha. Como acha que me senti quando você passou do meu lado e não disse uma palavra sequer, porque o 'novo amor da sua vida' o impedia?
- Me dói ouvir você dizer isso.
- Me dói lembrar de nós dois.
- (...) Acho que temos muito o que conversar ainda, mas no meio desse show vai ser impossível.
- É melhor voltarmos. Ela não pode nem sonhar que tivemos essa conversa.
- Ela nem deveria ter feito parte da nossa vida.
- Mas fez! Ainda tem meu telefone?
- Tenho. Ainda tem o meu?
- Não. Eu não conseguia te apagar da memória. Ao menos no celular, eu podia fazer isso.
- (Silêncio) Foi bom rever você.
- Me liga.
- Te ligo. E se cuida.
(E como quem escuta um 'se cuida' como quem ouve um 'te amo', ela simplesmente deu um sussurro:)
- Eu também te amo.

É hora de mudar

13 de maio de 2012




Sabe aquela época que a gente decide colocar tudo no lugar? É hora de fazer isso, só que por dentro. Não é fácil, mas é necessário. Limpe tudo, sacuda a poeira. Jogue fora o que for velho. Reorganize as lembranças. Redefina as prioridades. Cada coisa no seu lugar. Não adianta tampar o sol com a peneira também. Você sabe que não adianta. É hora de deixar a luz do sol entrar. E mudar. 

Loucos X Comuns

4 de maio de 2012


Texto escrito por mim, mas para blog Since For postado originalmente em junho/11.

Loucos e comuns. Pessoas clichês e pessoas ousadas. Afinal, o que torna uma pessoa comum? O que faz com que sejamos tachados de loucos? Talvez comum seja acreditar que existe um único caminho na vida e simplesmente se contentar com aquilo. Talvez loucura é criar atalhos, trilhas e planejar trajetos para que possamos traçar nosso destino. Loucura é correr atrás dos objetivos completamente encantado por aquilo que se quer. Comum é parar em cada obstáculo e só se concentrar nele.

É comum julgar as loucuras alheias. E ser louco é ignorar todas essas pessoas que tenta nos fazer passar pela vida sem se sentir plenamente dona da mesma. É normal viver seguindo as regras exatamente como elas são. Louco é ousar nas atitudes e criar seu próprio estilo de vida. Porque se você não conhecer as regras, não saberá quais poderá quebrar e se você não conhece a normalidade, nunca saberá que está sendo um louco. É loucura ser dono do próprio destino. É comum sentar e ver a vida passando.

Não é justo que a sociedade nos peça para sermos comuns e nem que nos rotulem de loucos. Justo é viver feliz e rodeado de coisas boas. Porque não é interessante que eu lhe diga o que ser. Existem milhares de maneira de levar a vida, mas às vezes as pessoas têm que se decidir em ser loucas ou serem comuns. Eu estou optando pela loucura. E você?

Eu sou assim

30 de abril de 2012

Eu sou assim. E eu nem deveria pedir desculpas por isso, porque eu simplesmente sou assim. Às vezes, mudo na velocidade do vento. Em outras, tão rápido como uma tartaruga. E eu nunca pedi que as pessoas tivessem paciência por conta disso, porque sou eu. Eu tenho paciência comigo mesma e sei que certas pessoas não têm. E eu não vou pedir desculpas por conta disso, porque é assim que as coisas funcionam. Posso ser quente, mas sou capaz de chegar à frieza bem rápido. Tenho a péssima mania de insistir no que para mim ainda vale a pena, mesmo que no fundo não valha nada. Sei não, mas eu me acho meio estranha. Gosto de solidão, contanto que minha alma não se sinta só. Gosto de viver rodeada de pessoas, contanto que elas não invadam minha tranqüilidade. E, olha, eu abri mão de parte da minha tranqüilidade por muita coisa nessa vida e não me agrada nem um pouco ficar aqui chorando por certas coisas que no fundo também nem merecem minhas lágrimas. Eu gosto muito de mim, mas me cobro com o fervor de um professor que só quer sacanear seus alunos. Eu gosto de paz, mas posso ser tempestade assim que eu me permitir.

Não gosto de choro, mas vira-e-mexe eu estou chorando. E eu nem me julgo por isso. Eu sou assim. Um tanto desespero, aliado a pouquíssimas doses de razão, mas conectados a muito amor. Sou um borbulho de idéias gritando por alguém que queira me escutar. Sou o sim, mas posso ser o não. Sou o tormento de uma sexta à noite e o tédio de um domingo pela tarde. Eu nunca te disse que eu era simples e nem madura. Eu havia lhe dito que eu sou simplesmente assim. Complexa. E sim, eu lhe dou o direito de cansar, porque eu sempre me canso. Me cansa ser assim às vezes, mas aí a gente vai levando. No fundo, eu gosto disso tudo. Nunca pedi para ninguém me tolerar. Prefiro que as pessoas fiquem perto pelo o que sou e não pelo o que posso oferecer. Se não gosta, simplesmente se afaste.

Eu sou complicada. Eu sei que sou complicada. Mas acho as mudanças tão difíceis quanto equilibrar um ovo na ponta de uma faca presa pela sua boca. Comparação ridícula, eu sei. Mas eu também sei ser ridícula às vezes e para certas coisas minha ficha quase nunca cai. Uma vez me disseram que a gente só muda pela gente mesmo. Se alguém lhe pede para mudar, você não vai porque você não quer. Às vezes acho isso errado, mas tenho medo de ser exatamente isso que acontece. Gosto de me ter assim. Gosto de ser assim, porque eu aprendi a ser quem eu sou. Não foi fácil chegar até aqui e não vai ser fácil chegar até onde quero, mas eu vou tentando. Equilibrando um defeito aqui e outro ali, transbordando em lágrimas enquanto tenho um tsunami de palavras tomando conta de mim. Eu sou assim. 

A não dor da despedida

24 de abril de 2012



Às vezes acontece, sabe. Dia aqui e outro ali as coisas não vão sair como planejado mesmo. Elas podem não dá certo, ou simplesmente sair do eixo, mas acontece de vez em quando. Às vezes você vai ter uma vontade imensa de mudar, mas vai se encontrar de mãos amarradas porque além de não ver a oportunidade, não sabe como começar. E tudo é só uma questão de saber enxergar. Se a oportunidade que você deseja ainda não apareceu, então se vire com as que você tem. Elas são o caminho, são o seu caminho. E você tem que querer ser levado, se não, de nada adiantará.

Às vezes demora para sair do nosso jeito, mas sai. No tempo que tem sair. Às vezes a gente tem que deixar simplesmente acontecer para se encontrar depois de um tempo e saber o que fazer em seguida. Siga o vento, ande de leve, respire ar puro que um dia você encontra a resposta. E quando fizer isso, faça em silêncio. Respeite a voz do seu coração e se segure na hora de gritar para o mundo seus projetos. Costuma dá mais certo ficar calado às vezes. Além do que, o mundo também tem lá seus planos, não precisa compartilhar os seus. A sua realização falará por si só e você não vai precisar dizer uma palavra sequer.

Às vezes a gente tem que caminhar com os próprios pés, sem querer depender de ninguém. Às vezes, só às vezes, você é obrigado a fazer isso. Um dia, mesmo sem querer, você vai ter que fazer as malas, fingir que está tudo bem e deixar certas coisas para trás. Saiba onde colocar pontos-finais. Saiba dizer adeus sem o peso na consciência. Porque um dia você irá pegar essas malas, despedir de algumas pessoas e ir rumo a um novo lugar.  Porque um dia você simplesmente pode querer desfazer do seu velho eu e aí a despedida não vai lhe doer nem um pouco, porque, no fundo, você saberá que tudo valeu a pena. 

Não foi de propósito

17 de abril de 2012


Eu sempre quis levar um pouco menos de você. Essas partes de doses extraordinárias da sua pessoa não andam me fazendo muito bem. E eu realmente não ando nada bem com isso. Eu quis trilhar um caminho diferente, mas eu sempre voltava ao mesmo lugar: ao meu mundo de lágrimas. Eu realmente quis fazer diferente, mas eu não consegui. E eu nem deveria te pedir desculpa por isso, mas mesmo assim: desculpa-me, porque não foi de propósito.

As palavras fugiram e eu realmente não sei mais o que fazer. Talvez seja hora de caminhar sozinha de novo. Talvez seja hora de fingir que tudo está bem, porque o “tudo” logo passa. Desculpa-me se aprendi a te chamar de amor e desculpa-me se hoje sou obrigada a sussurrar somente seu nome. Não foi de propósito. Nada foi de propósito. 

Sequestro do coração

11 de abril de 2012


Às vezes você encontra alguém que te rouba, te seqüestra. E não é seqüestro físico não. É seqüestro sentimental, do coração. Às vezes - às vezes não, sempre – seqüestros não são bons, e nesse caso não seria diferente. Às vezes você encontra alguém que te suga tão de leve, que na hora que você percebe, mais da metade de você já se foi. Um vazio preenche o espaço oco e você jura não entender o porquê, mas no fundo sabe a verdade. De vez em quando a gente nem percebe quando acontece, mas às vezes a gente se deixa ser roubado e na hora que percebe o prejuízo, passa a arrepender amargamente por isso.

Aí você começa a querer lutar. Volta a fazer o que fazia antes, corre contra o tempo, contra a vontade, contra o orgulho e às vezes você custa a conseguir. Você tem vontade de ligar para o seqüestrador, para o ladrão que te levou a alma, que levou o melhor que você tinha, mas você resiste, resiste, desiste e liga. E percebe como é engraçado como tudo fica ainda mais vazio depois que cede à vontade que você nem sabe de onde vem – afinal, ele não levou tudo? De repente você começa querer fugir, fugir dele, do pouco que te resta. Você precisa voltar, sabe que precisa se livrar desse cativeiro que deixou ser construído na sua mente, sabe que precisa da razão, mas ela, incompleta, não é capaz de agir. Porque, acredite: razão sem o desequilíbrio do coração também não costuma funcionar. E às vezes você começa querer deixar o desespero bater, mas vai lá e pega um livro, faz de conta que ainda sabe fazer o que gosta e passa a analisar criticamente a situação: Ele conseguiu. Se esse não era seu objetivo – porque, aliás, nunca deve ser! – ele chegou chegando. O que era para ser saudável virou pedra e começou a te machucar, e você passou a sentir que é só você que está sendo machucada também. Percebe que essa não é a primeira vez que você se deixa levar, essa não é a primeira pessoa que te rouba e, se for ou não, você precisa fazer alguma coisa.

Um drible ali, um tapa na cara que a vida te dá aqui e com muita calma, você volta a ser você. Talvez você ainda esteja com a pessoa, talvez não. Se estiver, que você tenha aprendido a moral da história, que, por sinal, agora sim pode ser um conto de fadas. Se não estiver, eu te garanto que os machucados logo virarão cicatrizes e que um belo dia você irá olhar nos olhos dele e pensar: “Estou grata por me ter de volta e ainda mais apaixonada por mim mesma. Obrigada.”

Só um pouco de sossego

10 de abril de 2012


Eu queria um pouco de sossego. Mas não desses que a gente quer se afastar do mundo. Pode parecer estranho, mas eu queria sossego de mim mesma, desses pensamentos mal formulados, dessa confusão, dessa minha teimosia. 

Queria ver a situação de fora, mas com a mesma sensibilidade de quem sofre no osso. Queria arrumar essa bagunça com a racionalidade de quem vê de longe. Porque às vezes o emocional atrapalha, a razão não acompanha e vira-e-mexe eu transbordo. E chega uma hora que a gente não aguenta mais esse tipo de coisa. Você quer chorar, você sabe que vai chorar, mas tem tanta raiva das lágrimas que elas nem são capazes de escorrer mais.

Eu só queria usar aquela reserva de paz e força que a gente sempre tem. Eu só queria um banho de chuveiro por dentro, como já decifrou Caio F. Abreu. Queria um banho desses que lava a alma e nos faz esquecer de tudo que nos abala, desses que são facilmente substituídos por um porre e dificilmente invalidados pelo tempo. Quero me organizar, mas ao menos sei por onde começar. 

E assim, eu vou dando um sorriso aqui e outro ali enquanto eu finjo que não estou cansada dessa confusão interna que eu mesma criei. 


Sobre a tal felicidade

8 de abril de 2012


Dia desses me cobraram a tal felicidade. Me perguntaram por onde andariam meus sorrisos e eu, amargamente, não soube responder. Um dia me mandaram olhar para meu próprio umbigo e esquecer o resto do mundo, porque esse só me fazia esperar o que nunca iria acontecer. 

Um dia também eu aprendi o real significado de felicidade e aí, eu compreendi que nada tinha a ver com sorrisos distribuídos ao mundo. A felicidade tinha simplesmente a ver com minha paz interior. A felicidade plena, que nada se parece com a momentânea, eu descobri  que dependia apenas de mim e que de nada adiantaria esperar das pessoas, até porque no fundo elas também esperavam de mim. 

Depois de um tempo eu percebi que para ser feliz de verdade, eu dependia apenas de uma companhia: da minha. E descobri, aliás, a sutil diferença entre ser e estar. Eu não queria apenas estar feliz e, para me sentir completa, bastava apenas um equilíbrio: razão e emoção de mãos dadas que eu seria feliz.

Felicidade não é aquilo que esperam de mim. Felicidade é aquilo que eu mesma reflito para mim. E, no momento, eu só quero refletir paz. Não me interessa saber que o mundo espera apenas sorrisos! Me deixem em paz com minhas lágrimas, porque eu sei que um dia elas passam. Felicidade mesmo é saber que você não depende de ninguém para ser completo. Basta você, basta querer e basta saber!