Sobre as nossas mudanças

26 de novembro de 2011



A gente tem que aprender a se aceitar e a ponderar nas mudanças. É, a ponderar. Porque nem sempre a gente deve mudar simplesmente porque deva haver mudanças. Às vezes nem tem necessidade. A gente quem que entender que convivências são complicadas, mas se for pra mudar, que ambas as partes mudem então.  Porque se sacrificar sozinho, por duas pessoas, não compensa. Eu sei que vocês me entendem. 

Levou tempo até que eu me aceitasse. Levou muito tempo. E vira-e-mexe eu ainda quero alterar certas coisas como quem altera um projeto inacabado em busca do perfeccionismo. Não gosto de nada mal feito, pela metade ou com defeito. E eu demorei até entender que eu não precisava ser assim comigo mesma. Porque, eu torno a repetir, a gente tem que se aceitar. Leva tempo algumas vezes, mas vale à pena esperar.

Mais cedo ou mais tarde a gente entende que não precisa ficar mudando o tempo todo só para agradar. Porque ser autocrítica demais não resolve o nosso problema, só piora. Se algo incomoda muito, então cogite mudanças. Se não, então relaxe e só mude quando necessário. Mude para melhorar a convivência e apenas uma relação: a da sua razão com seu emocional e seu espelho. Somente. 


Quase soma

24 de novembro de 2011


Eu nunca gostei do jeito que você arruma o cabelo e você sempre soube disso. Eu nunca gostei daquela sua barba mal feita, da sua blusa xadrez e daquele seu relógio de pulso. Pra ser sincera, eu nunca gostei de nenhum relógio até porque todos insistiam em permanecer parados enquanto eu aguardava ansiosamente sua chegada. Eu nunca gostei desses seus olhos castanhos claros que sempre tentaram me dizer algo que eu nunca entendi o que. Eu sempre gostei de você, porém nunca gostei de reconhecer isso.

Você fazia parte do que eu chamava de “baú dos segredos” e, obviamente, fazia parte dos mistérios íntimos que eu pensei que jamais revelaria. Tentativa em vão, eu hei de concordar.  Você era o tipo de cara que pede o telefone já sabendo que nunca vai ligar e que mesmo assim, surpreende qualquer uma no meio de uma tarde chuvosa com uma mensagem cafajeste que arranca sorrisos. E assim você repetia o ciclo até conquistar todas que queria e depois praticar o que podemos chamar de “rejeição em massa”. Pobre garoto! Não conhece nada da vida, pelo visto.

Assim como eu diria por aí, você foi mais um que eu aprendi a gostar e aprendi a desgostar na mesma velocidade incrível com que você me excluía da sua vida. Você, sem ao menos perceber, me ensinou o quanto eu nunca precisei de ninguém para conquistar o que sempre quis.  Porque no fim, era somente eu, papel e caneta na mão (como está acontecendo agora). Ensinou-me que pessoas se somam e não se completam como acham por aí. E me mostrou a sutil diferença entre acorrentar o coração e somente entrelaçar os corpos. Porque nós, todos nós, somos inteiros e não precisamos de ninguém que nos complete, porque já somos completos por si só.  Não precisamos nos subtrair diante de alguém, porque se for pra sentir, então que seja algo que acrescente beleza à vida. Porque se somar é compartilhar. Completar é assumir que nos falta um pedaço - situação que de fato não ocorre.

Para tanto, me sinto honrada de ter sido recebedora de todo seu charme e por suas ligações madrugadas adentro. Porque agora tanto faz o que quer que você faça. Ah, sabe uma coisa que eu nunca gostei em mim? Essa facilidade com que ignoro tudo isso e sigo em frente. Não sei nem sequer seu telefone mais e agora pouco me importa mesmo. Achei que tentaria junto comigo, mas percebi que nunca poderíamos nos somar por completo.  Sinto muito, querido. Por mim, acabou a brincadeira e eu te aconselho a também por fim nisso tudo, sinceramente falando. 

É um texto meu postado originalmente no blog Depois dos Quinze em agosto desse ano. 

É demais pedir paz?

17 de novembro de 2011



Tenho muito à dizer, mesmo. Só não tenho certeza desses impasses todos. Porque isso cansa também, sabia? Eu gosto de calmaria, de paz e de sossego. Surpresas uma vez ou outra, tudo bem. Mas sempre não dá. Um trajeto errado, um momento que me faça mudar o jeito de pensar, ok. Mas eu odeio situações que me tiram a concentração e o sono. Gosto de tranqüilidade e de estar quase sempre no controle. Perco a cabeça com facilidade, não sei lhe dar com meu emocional e raramente uso minha razão. Consegue entender o que por que dos meus pedidos de paz?

Nada contra mudanças radicais, contanto que elas não me façam chorar, mas eu prefiro ficar deitada sentindo a brisa passar certa de que tudo está bem. E que se algo der errado, eu ainda assim vou consegui controlar. Cansei dessa brincadeira, desse medo de não saber o que fazer e de agir com impulsividade. Afinal, eu só queria descer dessa montanha-russa e seguir em direção a um brinquedo que não me causasse náuseas e nem me virasse de cabeça para baixo.

Outra dose de sofrimento

12 de novembro de 2011



 Levou a mão ao rosto e exclamou:

– Que luzes fortes! – Enquanto andava pela avenida. Era tudo que ela conseguia dizer diante da impiedosa saudade que lhe torturava a alma. O calafrio que percorria seu corpo e o medo se fazia tão presentes como as lembranças que lhe viam todos os dias na cabeça.

Apesar de ser noite, avenida estava clara e havia milhares de carros trafegando aquele horário – o que era comum naquela cidade.  Calmamente, ela seguiu até o outro lado até que chegasse enfim a passarela que a levaria ao maior viaduto da cidade. Com uma garrafa de vodca na mão e uma carta na outra, ela se sentia anestesiada perante toda falta de amor que lhe era imposto. Aquele se moletom precisava ser lavado assim como sua alma precisava ser limpa como nunca fora antes. Com um pouco de medo e uma dose de álcool na cabeça, ela via o maior rio da cidade e seu coração lá embaixo, enquanto os carros passavam ao seu lado.

Em passos lentos, ela chegou ao topo do viaduto e sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto. Juntamente com o silencio, ela se acostumara com o vazio inoportuno que a invadia deixando um rastro de sofrimento que insistia em persegui-la. Ela ajoelhou e chorou suplicando por paz. E, vendo o quanto tinha sido em vão todas aquelas lágrimas, simplesmente sentou e leu aquele papel milhares de vezes até finalmente se cansar.

Os minutos passavam e as doses de vodca eram cada vez maiores. A bebida rasgava-lhe o organismo e ela sabia que viver a juntar os míseros cacos do amor que a dilaceravam era uma função desgastante, no qual fora acostumada a viver. Emendas a parte, recomeçar daria trabalho e ela havia escolhido sofrer pacientemente até que o ciclo recomeçasse. Cedo ou tarde, agora ou nunca.

Terminou a bebida, ficou tonta de sono e tomou certas decisões. Amassou aquele pequeno pedaço de papel que estava entre seus dedos e prometeu que não choraria aquela noite. Sozinha, ela se levantou do chão e mirou a água lá embaixo. No impulso, soltou sua garrafa e esperou para que visse os pequenos pedaços de vidro, mas isso não aconteceu. Repentinamente, sentiu uma imensa vontade de voar. Não sabia ao certo se conseguiria, mas resolveu tentar. Sem pensar em nada, tirou seu moletom e largou o pequeno papel amassado no chão. Equilibrou-se no para-peito do viaduto e saltou certa de que aquela era a solução de todos os seus problemas. 

Só mais uns conselhos

9 de novembro de 2011



Aprende uma coisa: Ninguém pertence a ninguém nessa vida. E por mais que faça esforços, eles nunca serão suficientes pra fazer alguém permanecer ao seu lado, porque simplesmente na hora que as pessoas têm que ir, elas vão. Não transpareça aquilo que não sente. Seja sincera acima de tudo com seus próprios sentimentos e não deixe que ninguém pise em cima deles. Guarde seu coração e não se permita viver em função de alguém. Viva em função da sua felicidade, está me entendendo? E outro detalhe: Não se preocupe em ser inteiramente entendida. Nem sempre todo seu amor será reconhecido.  

Pela última vez

5 de novembro de 2011


Não fala nada. Por hoje, só me escuta por favor. Não julgue meu silêncio, meu esquecimento ou minhas não-ações. Não é nada por mal, eu juro. É só um mero escudo que criei com o tempo e com as marés da vida que sempre vinham me arrastar pro fundo do mar e nunca me traziam de volta. Foi só um tempo que impus a mim na tentativa equivocada de não deixar-me levar por algo que eu julguei não ser muito importante. Hoje, como você disse todo o tempo, eu sei que estive errada. Te amei usando meu melhor lado e para ti, meu amor, te mostrei somente meu pior.


Meu pior. Quis tanto mudá-lo, mas essa foi mais uma tentativa equivocada. Te agradeço tanto pela paciência. Você foi meus passos enquanto eu não fui nem sequer sua menor parte. Nem menor, nem pior. Não pense mal. Não fala nada. Espera eu terminar, por favor.


Você me fazia transbordar, e nos melhores casos, eu transbordava amor. Transbordava tanto que meu coração inutilmente se afundou em solidão. É tão estranho pensar em solidão quando se tem alguém por perto todo o tempo, não é? Não sei, não sei. Sei que falar não resolve muito, mas só deixa eu terminar por favor. Durante anos eu transbordei sentimentos bons, porque você fazia com que sobrasse isso em mim. Hoje, meu eterno amor, eu transbordo sofrimento. E só. Não sei como, mas você sugou minha essência e pouco a pouco foi sugando meu humor.


Sabe, eu ainda te amo. Mas assim como prometi que essas palavras seriam breves, eu também prometo que esse amor será. Eu sei que vai doer te ver sair por aquela porta certa de que essa é a última vez que te tenho em meus braços, mas eu prefiro acreditar que o perfume que ficará por aqui é o suficiente para minha alimentação diária de ti.


Cruel mesmo é te manter aqui sendo que nem sequer eu soube te amar. Te amo, mas não soube te mostrar. E agora eu prefiro te amar sozinha. É. Eu, todo meu amor e seu cheiro. Só isso me basta. E eu sei que assim como seu cheiro, todo esse amor também vai exalar até que por fim só me reste um mísero gosto de saudade na alma.


Pronto, acabei. Agora encosta aqui no meu ombro e deixa eu te sentir pela última vez. Prometo não chorar.