Malditas borboletas!

26 de setembro de 2011



Uma leve embriaguez causada pelo sono. Um enorme vazio causado pela falta delas. Desde quando resolveram sair por aí, ela ficou assim, com um buraco localizado próximo ao coração e que lhe castigava a alma toda vez que pensava porque havia deixado-as ir. O “elas” em questão? As borboletas. Essas que voam de estômago em estômago procurando vítimas, deixando calafrios e borrando maquiagens. Essas que vem, mas que logo vão porque simplesmente já cumpriram seu papel.

Papel esse que ela nem entendia qual. Se dependesse somente dela, as manteria ali, guardadas em vidros só pra privar outras pessoas do sofrimento pós-borboletas. Porque o amor havia acabado e elas haviam deixado boa parte do que nunca sonhara viver. Ela não sentia falta dele ou delas. Ela sentia falta do que era antes de tudo isso, sentia raiva dos planos e morria lentamente toda vez que não tinha o abraço que ela tanto esperava.

Aquelas míseras borboletas! Quanta raiva partilhava por pensar que elas também haviam abandonado-a. Saber que seguiria com um vácuo e pequenos outros animais (que jamais lhe trariam tanta felicidade) causava-lhe repulsa e isso ela odiava admitir. Para tanto, ela esperava pacientemente o tempo passar. Ela sabia que novas sensações surgiriam e torcia com todas as forças para o retorno das tão temidas borboletas que insistiam contrariamente freqüentar estômagos alheios. 

Sobre o que a gente não consegue entender na infancia

21 de setembro de 2011


Já quis ser muita coisa nessa vida. E quando a gente é criança, não dá para entender o quanto de esforço terá que fazer pra que cada uma dessas vontades realize. Na medida em que a gente cresce, a gente vai deixando uns desejos pra trás, desses de criança que você nunca acha que vão se realizar. A gente cresce e começa a entender a luta árdua que viveremos todos os dias. Começos a definir gostos e a ver o que de fato nos agrada. A gente perde aquela inocência e deixa de acreditar que no fim tudo vai dar certo.
Começam as dúvidas, as jogadas do destino e você finalmente passa a entender que o que você planta agora, você colhe no futuro. Às vezes demora, outras não. Eu, por exemplo, errei muito até entender que sou inteiramente responsável pelos próximos acontecimentos e já me arrependi com todas as forças por não ter entendido isso há um tempo. Desisti de sonhos e os vi sendo realizados muito tempo depois.

Entendi que a gente tem que subir um degrau por vez. Sem pressa, sem desespero. Subir um degrau, esperar. Subir mais um degrau, esperar. A gente sempre sabe a hora de dar o próximo passo. E mesmo que às vezes não pareça, sempre é possível contar com aquela força extra que te empurra e te diz “Anda! É a sua vez!”. Porque a gente não precisa enxergar toda a estrada que vem pela frente. A gente tem que saber enxergar os próximos metros como um carro a noite que só ilumina um pouco adiante e, à medida que formos andando, o resto do caminho vai sendo revelado.

O que não pode acontecer é deixar a dúvida te cegar ou os gritos alheios tamparem seus ouvidos. Na pior das hipóteses, eu aprendi onde o tempo entra nessa história: Se não sabe o que vai fazer, senta nesse degrau aí mesmo e espera. Em breve aquela força vem e te empurra. Ou não.

Presente para o blog II

19 de setembro de 2011


Oi gente!

Ganhei mais um selinho para o blog. E dessa vez veio em dose dupla! É porque eu ganhei o mesmo selinho dos blogs Sonhos Entrelaçados e Cinderela ao contrário. Lindo né?!


Quem criou o selo foi a Gaby do Cinderela ao Contrário e como regra, ela pedia que eu indicasse cinco blogs. Mas tem tantos blogs lindos por aí, que isso não é justo. Por isso, eu vou deixar ele em aberto aqui pra quem quiser pegar e divulgar algum blog bacana para os leitores.

Muito obrigada Ana Luisa e Gaby! Adorei. (Ah! O blog das meninas também são um charme. Vale a pena conferir.)

Beijos.


UPDATE: Dose tripla! A linda da Gabriella Rocha do blog Letras do Céu também me presentou com o mesmo selo. Obrigada, linda!

Sobre tudo que transcorre sob auxílio do destino

13 de setembro de 2011



Se fosse para falar, eu preferiria calar. E se for pra insistir em mais um erro, eu preferiria nem ter começado. Inútil mesmo é saber que tudo vai chegar ao fim e ainda assim continuar agindo como se fosse eterno. Aprendizagem é perceber tudo isso e realmente tentar fazer ser eterno. Porque querendo ou não, é. Mergulhar de cabeça dói muito mais do que só molhar os pés. Mas em compensação, sentir a alma sendo lavada é muito mais gratificante do que só sentir as pontas dos dedos.

Porque tudo sempre passa e se não passou, ainda vai passar. E acreditar no fim, ainda no começo é como infelizmente se segurar diante de toda uma história. Palavras sem nexo, eu hei de concordar. Mas aceitar que se é feliz mesmo sabendo da condição do não-eterno é como lá no fundo dizer que o amadurecimento vem.

Sem pressa, sem medo e sem receios. Tudo que vem, um dia tem que ir. E isso já deixou de ser mistério. Mistério é aceitar a condição errônea do pra sempre, sem ao menos ter a oportunidade de senti-lo. Mistério é perceber que não se pode tentar entender - algumas coisas sempre acontecem simplesmente porque tem que ser assim. A triste lucidez só destrói. Ela não retém e pelo contrário, só repele. A lucidez amorosa (ah, como eu queria vivê-la!) é a chave de quase tudo nessa vida. Saber que se tem um fim e ainda assim arriscar viver. Afinal, se não for assim, quem viverá por nós? 

Só mais uma carta sem sentido algum...

6 de setembro de 2011



O jogo virou e eu estou de ponta-cabeça. A confusão se inverteu e agora, eu me encontro completamente muda a mercê de todos os acontecimentos. Porque isso nunca fez parte do que um dia eu planejei. Isso fazia parte do que você um dia quis por nós dois. E eu, pobre de mim, sempre estive tão firme no chão que não me permiti sentir um dia sequer. E se senti, foi completamente contra meu querer. Aliás, senti porque um dia quis que você sentisse por nós dois. Amar por dois deve doer, né?

Sinto muito se é assim que tem que ser. Você sempre soube que se não fosse pra me fazer voar, então era melhor você nem tirar meus pés do chão. Por pura teimosia, foi o que fez. Abraçou-me tão forte e nem me presenteou com asas. Usei das tuas enquanto pude. E agora, que não posso mais, não sei o que fazer. Você levou o que de melhor eu mantive e em troca deixou toda sua saudade. Saudade, aliás, de uma vida que viveu sozinho (ou por dois, como preferir.).

Sinto muito por saber que teve que ser assim. Sabe como é, me faltou estrutura e você, em contrapartida, nunca se preocupou com tal condição. Diferenças a parte, você é o culpado. Dizer que simplesmente agiu sozinho nesse complô que nos destruiu pouco a pouco é melhor do que assumir a condição de que fui responsável por jogar ambos em um buraco sem volta. Não foi assim. Não quero acreditar que foi assim.
Sem mais lástimas ou pedidos. Já era hora de você ir.

De um anjo com asas cortadas, Cady

Eternas lembranças...

3 de setembro de 2011



Naquele vento frio que batia lá fora, tudo que ela conseguia sentir era sua espinha dorsal se arrepiando lentamente. As lembranças de ontem ainda eram vivas e, para tanto, ela ainda se sentia zonza. Nada que tivesse sido errado ou contra sua vontade. Havia sido mágico, único e ela, de fato, precisaria de uma boa noite de sono agora. Finalmente sozinha, ela percebia que acorrentar dois corações requer muito mais esforço do que simplesmente entrelaçar dois corpos e que, acima de tudo, era também muito mais recompensador.

Reviver as lembranças como se estivessem acontecendo em tempo real era algo que ela conseguia sem esforço nenhum. Até porque, elas faziam parte de um pequeno grupo de situações que provavelmente ela jamais esqueceria. Se fechasse os olhos, tudo voltaria à tona. Era simples. Ligar uma música já era capaz de fazer esses momentos se tornarem eternamente únicos. Porque agora, eles já eram eternos.

Diante de todas aquelas promessas e pensamentos e nitidamente perdida, ela se levantou e em passos lentos caminhou até a porta, certa de que iria atrás da pessoa responsável por todos aqueles sorrisos. Sem arrependimentos ou receios. Iria atrás do amor, sem nem sequer olhar para trás.