Sem conseguir duvidar

28 de junho de 2011

Sempre acreditei que o fato de eu me apegar facilmente às pessoas um dia fosse me fazer mal. E tenho medo de que essa afirmação um dia se torne real. Eu sempre acreditei que meu maior erro ainda seja acreditar demais sem propor olhares duvidosos ou perguntas com segundas intenções. Sempre acreditei no que me disseram, no que me mostraram e nas mentiras que inventaram. E eu sempre descobri que mais uma vez, assim como minha razão tentou avisar, eu tinha errado.
Pode não parecer, mas eu às vezes vou embalada na primeira frase bonita que vejo por aí. E depois descubro quanta coisa ruim esteve por trás de cada frase mal interpretada e mentirosa que um dia eu escutei. Até que por fim, cansada de tanto quebrar a cara, eu passei a duvidar das pessoas que eu deveria acreditar e continuei a acreditar nas mentiras que certas pessoas me diziam.
Eu aprendi a ler os olhos de alguns e a acreditar nas dúvidas de outros. E passei a questionar. E a construir barreiras de prevenção contra qualquer um que tentasse em vão me fazer crer em supostas verdades. E pra ser sincera, essas barreiras nunca deram muito certo.
Não sou uma boba que acredita na primeira pessoa que me aparece. Não mesmo. Julgo-me um pouco esperta, mas ainda um tanto ingênua. Eu acredito nas pessoas e na capacidade que cada um tem de mudar e fazer melhor, mas nem sempre as pessoas acreditam em si próprias e eu tento, algumas vezes em vão, provar que, na verdade, se trata do contrário.
E essa parte que não gosta do fato de eu me apegar facilmente às pessoas, tenta por diversas vezes me dizer que não. E eu, na esperança de ser diferente, digo que sim. Vou construindo ciclos e aprendendo com as verdades do mundo. Acreditando e me apegando. Vivendo e aprendendo. Duvidando e questionando.

De quantos “para sempre” uma pessoa é capaz de viver?

25 de junho de 2011


Se o “para sempre” fosse realizado, ninguém gostaria de, de fato, vivê-lo. Imagine conviver com algo até o fim de seus dias, sem a mínima possibilidade de viver algo parecido ou completamente diferente em outros momentos de sua vida? Imagine compartilhar de toda essa experiência com uma única pessoa sem a opção remota de conviver e aprender com outros amores? Pois bem, o para sempre não poderia ser realizado, porque se não seriamos obrigados a conviver com algo repetitivamente por todos os dias de nossa vida sem a menor chance de mudarmos e sermos diferentes.
Já pensou também se os sentimentos nunca chegassem ao fim? Se todo amor que você diz sentir nunca esfriasse te privando da alegria de viver outros momentos e outros sentimentos com outras pessoas? Já pensou se nós vivêssemos para sempre? Sempre acreditei que melhor que todos os “meios” de tudo que podemos viver, existe o começo. A dúvida do tempo, a certeza de um início e as descobertas de algo completamente novo. Para que se estagnar na perspectiva de conviver eternamente com tudo exatamente igual? Que graça teria a vida?
Os dias sempre hão de passar de um jeito ou de outro e os milhares de ciclos que nossa vida forma hão de repetir quer você queira ou não. Porque o amor tem seu fim. E tudo isso que a gente vive também vai acabar mais cedo ou mais tarde. Aproveitar o “enquanto dure” é melhor do que concentrar-se no fim ou acreditar que vai ser pra sempre. Porque nunca é.
É para sempre enquanto continuar a existir e virão milhares de outras eternidades por toda sua vida, cada uma com seu tempo e com sua intensidade estabelecida pelo tempo que nosso coração mandar. As coisas mudam, os sentimentos acabam e as pessoas constroem “para sempre” todos os dias. A gente nunca quer que um capítulo se encerre, mas acreditar que continuar parado exatamente no mesmo lugar e na mesma situação seja a melhor saída não é uma opção interessante. E disso a gente sabe.
Vivemos de quantos “para sempre” nosso coração aguentar e nossos sentimentos permitirem. Não fomos feitos para sermos tachados de eternos. Somos feitos para fazer durar e mudar sempre que for necessário. Somos formados de infinitos “para sempre” que terão seus términos definidos assim que nosso inconsciente achar que basta. E ele, você acreditando ou não, sempre sabe a hora de dizer que acabou.

Intermináveis lembranças de uma noite vazia

16 de junho de 2011


Hoje a lua me fez lembrar de você. E daqueles momentos em que nos embebedávamos de risos completamente embalados pelas noites de céu estrelado. Me fez lembrar daquele olhar lindo que me dava a certeza da eternidade mesmo que só por aquela noite. Para mim, aquelas sempre seriam as últimas, mas você acabava me ligando dois ou três dias depois me convidando como quem não quer nada e alimentando minha ilusão na esperança de que um dia eu seria única. E mesmo que me doesse, eu sabia que nunca fui e que nunca ocuparia um lugar singular nessa sua vida que você julgava vazia o suficiente para precisar de mim.

Eu nunca precisei de você e nunca vou entender porque você sempre quis me esconder do mundo. Eu te queria como quem quer algo de mais importante, mas você me quis esse tempo todo só no silêncio. Até o dia em que eu, inocentemente, te disse não. E eu sei que aquele "não" te soou de forma tão inesperada que você nunca mais me procurou e simplesmente desapareceu de vista.

E eu comecei a ocupar meus dias tentando entender o que afinal aconteceu com você. E continuei assim, passando pela vida me lembrando de tudo que um dia vivemos juntos. Pensando em como agora eu poderia ter sido, de fato, única se eu não tivesse dito aquele não para você há um tempo.

Hoje a lua me lembrou de tudo que um dia a gente viveu enquanto eu inutilmente esperava por você debruçada naquela janela. Hoje a lua me fez lembrar você e de como você escapou de mim como água que escorre entre meus dedos. Me fez ter saudade. E me fez perceber que essa saudade dói.

Pudera eu mudar nosso destino. Eu era o que alimentava o brilho dos teus olhos e o fazia enxergar melhor e, pra minha infelicidade, você nunca entendeu isso.
Deixa estar. Só gostaria de saber se está olhando a lua com a mesma certeza de que nós fazemos falta um ao outro. E o pior: sei que isso não está acontecendo.

Sobre aquilo que por anos fez meus dias mais felizes

13 de junho de 2011

Dia desses deu saudade. Saudade de uma porção de coisa que eu vivi a um tempo. Deu saudade das lágrimas que um dia eu derramei e do sorriso por qual fui tomada por todas as vezes que delicadamente fiz o que havia sido destinado a mim. Deu saudade daqueles abraços e daquelas gargalhadas antes dos encontros. Das bagunças durante as viagens e do cansaço extremo no qual eu me via quase que diariamente após uma longa jornada.

Não foi um trajeto fácil, mas foi extremamente recompensador saber que encerrei uma etapa orgulhosa de tudo que um dia fiz por tudo aquilo. Se eu pudesse, permaneceria eternamente assim, mas às vezes a vida aqui fora chama a gente de um jeito que não podemos tampar os ouvidos e fingir que não existe nada. E ela me chamou. E eu encerrei uma etapa e continuei. Derramando uma lágrima aqui e outra ali, mas eu continuei como alguém que espera encontrar outro caminho após uma mudança brusca de trajeto. E eu também encontrei esse outro caminho.

E passei a acreditar que a vida é feita de etapas que se encerram todos os dias. Etapas que eternamente serão lembradas independentemente do tempo que permaneceram vivas, até porque havia sido eterno. Foi eterno e ainda é. Ainda é meu tudo aquilo que vivi e eu ainda levanto todas as manhãs com a mesma garra e a mesma disciplina que me foi ensinada há muitos anos atrás. Eu ainda faço da vida uma dança bem ensaiada, mas cheia de improvisos porque vira-e-mexe eu e outras pessoas erramos alguns passos e perdemos o sincronismo. Aquele drama e aquela força de vontade ainda fazem parte de mim e me deixam seguir todos os dias. Aquele sorriso no rosto que me impedia de derramar lágrimas que demonstrariam toda minha fraqueza por detrás daquela sapatilha ainda se mantém de pé todos os dias que eu sigo.

Porque por mais que me doa dizer que acabou, eu me encho de vaidade por saber que valeu a pena. E me obrigo a esquecer todas as vezes que tive vontade de jogar tudo para o alto. Eu não desisti de um sonho, porque, de fato, acho que ele nunca foi. Eu encerrei uma etapa e fui viver outras experiências. Sem medo do arrependimento e sem medo do que estava por vir. Eu arrisquei no novo e me surpreendi. Foi eterno enquanto durou e eu aprendi a conviver com a saudade (que sempre me diz que encerrar esse capítulo foi o melhor que me aconteceu).

Simplicidade

7 de junho de 2011


E hoje eu sei, de fato, o que me define. Ou talvez penso saber. Sei tanto que às vezes sinto como se não soubesse de nada sobre essa tal de vida aí. Até porque, realmente não sei.

Essa vida lá fora exige tanto e eu, não vou mentir, gosto de ficar aqui olhando o sol lindo que brilha lá fora e imaginando quantas histórias existem por detrás de cada pessoa na rua. Não é que eu não viva. Pelo contrário! Vivo bem (intensamente) até demais, mas é que eu gosto de calma, sabe? Gosto daquela brisa que bate pela manhã quando saio delicadamente para ver os pássaros. Gosto de sentar abraçada no sofá e ouvir histórias no pé do ouvido. Gosto de dormir ao som de uma boa música e acordar com beijo na testa. Aprecio longas conversas e longos sorrisos.

Sabe, eu gosto do simples. O simples encanta e me basta. Afinal, quem precisa de muito pra ser feliz?