Pessoa certa, hora errada

9 de maio de 2011

_Eu nunca vou te abandonar.
_Nunca é muito tempo.
_Não para nós dois. Disso eu estou certa.

E ela sentia um calafrio subir por completo. Suas mãos suavam e a cada minuto que decorria no relógio, ela tinha a certeza de que o havia perdido. Ele era uma ferida incrustada, dessas que não saravam nunca. Era aquela ferida que não doía frequentemente, mas sempre havia algo que a fizesse doer. Ela não sabia o que tinha acontecido, mas havia desistido de tentar entender no dia em que ele passou ao seu lado sem dar um mísero oi. Por que? Ela bem que sabia, mas gostava de fingir que desconhecia tamanha crueldade que ele lhe causava. Ele era só um homem, como milhares de outros que ainda iam aparecer. E eles desapareceriam, assim que esse estava fazendo agora.

_Tem certeza?
_Tenho. Não vale a pena tentar entender.
_Não vou render a conversa. Você já pode sair da minha vida.
_Eu sei que vai superar. Você sempre superou.

Com o coração na mão e o frio subindo por seus braços naquela noite de quinta-feira, ela virou as costas e saiu andando lentamente com o peso de quem estava deixando uma vida para trás. Não a dela, não a dele. Era a vida dos dois. Uma história que só ela viveu e muitos outros presenciaram. Pareciam destinos cruzados, certos e feitos um para o outro. Pobre ironia. Mal sabia ela que esses destinos se cruzariam de modo tão negativo e com milhares de interferências. Eram as pessoas certas nas horas erradas.

Caminhos separados, orgulho ferido e eternamente cegos. De uma coisa ela tinha certeza: percorrer aquele caminho de volta para a casa sem derramar uma lágrima sequer lhe deu a certeza de que ela o esqueceria, cedo ou tarde, mas o esqueceria.

3 comentários:

Obrigada!