Uma noite de Berlim e um beijo seu

15 de maio de 2011



(...)
_E o que te levou a sair com um cara feito eu? Tipo, eu sou um...
_Um estranho? – Seu rosto estava parcialmente iluminado e seus olhos brilhavam cada vez mais. Você estava com uma camisa cinza e um casaco marrom. Ok, não gostei da sua roupa aquela dia, mas seu sorriso combinaria com qualquer coisa que estivesse usando.
_É, um estranho. Não te dá medo? Eu posso ser qualquer cara com péssimas intenções.
_Não, não mesmo. Pode parecer estranho e posso estar redondamente enganada, mas você não me parece um cara louco. Seu olhar me transmite muita coisa boa. – Demos uma gargalhada. Naquela hora, a lua iluminou por completo o seu rosto.
_E você gostaria de estar enganada?
_Não, porque eu sei que não tem como estar.
_Mesmo? – Você insistiu mais uma vez e eu não conseguia entender o que queria com aquilo.
_Mesmo.
E eu não tive muito tempo para pensar. Vi você lentamente envolvendo seus braços e com um sorriso no rosto você me abraçou. Sim, eu esperava um beijo, mas você foi incrivelmente dócil. E ficamos abraçados por um bom tempo. Havia tempo que eu não recebia um abraço como aquele e confesso que foi um das melhores sensações do mundo.
Quando senti seus braços me soltarem, eu te soltei e a baixei o rosto. Você delicadamente levou suas mãos até meu rosto e me olhou nos olhos. Senti que você estava na esperança de eu falar algo ou que esperava uma atitude minha, mas naquela hora eu era incapaz de pensar em qualquer coisa.
Na hora que vi você aproximando seu rosto lentamente em direção ao meu, inclinei-me para o lado e te dei um beijo na bochecha. Não queria ter visto sua reação àquela hora, mas você me pareceu entendido do meu caso. Comecei a pensar se estaria imaginando que eu tivesse outra pessoa, mas você foi tão compreensivo que me afagou em seus braços novamente como se entendesse minha reação e como se você estivesse errado. Não, você não estava.

(...)

Aquele dia, nós chegamos a minha casa pouco mais da uma da manhã. Todas as luzes estavam apagadas e você me olhou nos olhos com um ar de despedida e saiu do carro. Saí do carro e esperei que viesse até mim. Em passos lentos você se aproximou e não disse muitas coisas. Sussurrou algo que eu não pude entender o que, fechou a porta do carro e me puxou pela cintura. Não pude sequer entender porque aquilo estava acontecendo, mas correspondi meio receosa ao seu beijo. Naquele instante, Berlim já estava fria e perigosa e depois daquele beijo meio rápido e sem graça, você me acalentou em seus braços como se quisesse me proteger. Por um instante me senti bem, mas lembrar que a Alemanha estava se tornando um passado foi um pouco doloroso e você havia percebido.

2 comentários:

Obrigada!