Insano

30 de maio de 2011


É insana essa sua vontade do nada. Do quase. Do talvez. É insana essa sua vontade do extremo e de todo esse contentamento fácil e inútil. E eu não entendo. Você saiu por aquela porta deixando uma saudade absurda e sem ao menos olhar para trás. Você nem viu, mas eu chorei aquela noite como uma criança que, sem noção nenhuma do que é viver, chora por uma coisa tão pequena, mas tão importante. Você havia conseguido o prêmio máximo que alguém poderia ter de mim: eu te dei minhas lágrimas numa taça de puro orgulho e tristeza, e você as bebeu com tanto prazer que não soube sequer dizer tchau quando decidiu juntar suas coisas e abandonar a nossa vida.

E a minha? Diz-me o que eu faço agora. Você levou quase meu inteiro e eu me acostumei com esse sentimento vazio que me prende toda vez que me lembro do que você foi pra mim. Eu sento no sofá todos os dias com sua foto na mão e a lágrima no olho. E pego aquele seu suéter que você deixou aqui em casa e o visto na esperança de nunca deixar sua lembrança morrer, porque assim, eu também estaria morta. E eu sigo fazendo o sentido figurado de quase tudo que eu tento tocar em frente.

Você não voltou para me dar notícias. Esperei-te por um ou dois dias e você não voltou. Passei a ocupar meus dias pensando sobre tudo que eu possa ter representado pra ti e tudo que você fez por mim enquanto eu tentava desesperadamente te mostrar o que é o amar. E você, no ato mais simples que alguém pode cometer, virou as costas e se foi. Se foi pra nunca mais.É insano demais pensar em como tudo pode ter realmente decorrido. (reparou como gosto de usar a palavra ‘insano’? É só pra frisar que nosso amor também havia sido assim. Havia – verbo no passado. Eu estou bem e acho que aquele travesseiro ainda tem seu cheiro.)

Outro dia comprei um bolo de prestígio e guardei na geladeira para você vir buscar. E você não veio. E eu segui. Continuei vivendo a mercê de tudo isso que você me proporcionou e agora eu estou aqui sentada (naquela mesma mesa que diversas vezes te vi parado lendo algum livro) escrevendo uma carta na esperança de que esse papel antigo, mas com tanto sentimento te repasse tudo que eu não consegui te oferecer em anos. E mais uma vez eu digo: eu estou bem.

De alguém que trocaria todo o passado por só mais um pedaço de futuro ao teu lado,
Cady

Sem fugir do clichê

23 de maio de 2011


Me tornei colaboradora do blog Sincefor também. :D
Esse texto foi meu primeiro post lá no outro blog.
O link do Sincefor está no fim da página.
 
Eu poderia tentar fugir do banal que é falar sobre tudo que a vida me ensinou ou sobre tudo que ela tenta me ensinar, mas ela insiste em me surpreender a cada minuto que decorre nesses dias. Eu poderia falar do que é viver nessa sociedade que exige mais e mais a cada dia, mas aí eu permaneceria em volta de todo esse eterno clichê que todos nós tentamos fugir em quase todos os momentos.



E fugir desses tormentos sociais e de tudo que a vida tenta nos ensinar é um tanto errado, afinal a vida se torna uma eterna aventura a partir do momento que não temos medo de ousar em nossas atitudes e enfrentar tudo isso. “E aceitar que a vida não vem com manual de instruções” como já dizia Martha Medeiros.

A vida é simples, bem simples. Não tente tornar a sua complicada. Aprenda que sua felicidade depende única e diretamente de você e que os outros são os outros. E que esses milhares de rótulos que a sociedade tenta impor não devem influenciar no sorriso estampado em seu rosto. Desistir pelo o que te faz feliz não é viver, é se render a uma sociedade um tanto estereotipada. Sonhar nunca é demais e saber a linha tênue que deve existir entre o imaginário e o real é mais do que necessário. Respeitar (os seus) limites. Respeitar os limites do próximo. Acreditar em si própria e duvidar da maioria. Tampar ouvidos para conselhos inúteis e tomar a frente da situação. Aceitar que o tempo sabe o que faz e que todas essas dúvidas que nos aparecem só aparecem exatamente porque somos preparadas o suficiente pra decidir com firmeza. Mesmo que seja o maior equivoco da nossa vida. Aprenda, também, que nada é tão grande que possa ser o “maior da nossa vida” ou tão forte que dure para sempre.

Isso todas nós sabemos, mas esquecemos de colocar em prática diversas vezes. E essa vida aí fora é dos que arriscam, dos que tentam e dos que são fortes o suficiente para erguer a cabeça, olhar para trás com saudade, mas com toda vontade e ação de quem quer seguir em frente. Fugir do clichê? Que nada. Essa é a vida. Ninguém disse que é fácil, só que vale a pena tentar.

Vontade do futuro

17 de maio de 2011


Tenho tido uma vontade de enorme de dormir. E de ver os dias chegando ao fim. E de ver o tempo passando rapidinho. E de me arrepender depois por desejar tudo isso. Porque eu sei que o arrependimento é inevitável e eu sei que ele vai acontecer. Mas eu tenho tido tanta vontade de ver o relógio correndo mais depressa e de ver o sol se pondo logo que não vou me culpar ou me arrepender por estar arrependida.

Não é egoísmo e isso nem quer dizer que eu esteja vivendo uma fase ruim. Pelo contrário. Eu ando vivendo muito bem e esse bem me encanta e me faz querer dormir todos os dias com a sensação de que tudo que havia sido planejado foi cumprido e que o dia seguinte será muito melhor.

Não me leve a mal. Não quero dizer que quero viver atropelando os dias e me concentrando só em alguns. Quero dizer que tenho vivido o agora de forma tão bonita que passei a ter essa ansiedade absurda (e bem feminina) de querer o dia de amanhã logo, porque sei, ou pelo menos penso saber, que ele será tão bom quanto esses. Sinto um desejo e uma saudade tão ilógica do futuro que texto nenhum vai conseguir explicar. É vontade. É saudade. Sou eu.

Uma noite de Berlim e um beijo seu

15 de maio de 2011



(...)
_E o que te levou a sair com um cara feito eu? Tipo, eu sou um...
_Um estranho? – Seu rosto estava parcialmente iluminado e seus olhos brilhavam cada vez mais. Você estava com uma camisa cinza e um casaco marrom. Ok, não gostei da sua roupa aquela dia, mas seu sorriso combinaria com qualquer coisa que estivesse usando.
_É, um estranho. Não te dá medo? Eu posso ser qualquer cara com péssimas intenções.
_Não, não mesmo. Pode parecer estranho e posso estar redondamente enganada, mas você não me parece um cara louco. Seu olhar me transmite muita coisa boa. – Demos uma gargalhada. Naquela hora, a lua iluminou por completo o seu rosto.
_E você gostaria de estar enganada?
_Não, porque eu sei que não tem como estar.
_Mesmo? – Você insistiu mais uma vez e eu não conseguia entender o que queria com aquilo.
_Mesmo.
E eu não tive muito tempo para pensar. Vi você lentamente envolvendo seus braços e com um sorriso no rosto você me abraçou. Sim, eu esperava um beijo, mas você foi incrivelmente dócil. E ficamos abraçados por um bom tempo. Havia tempo que eu não recebia um abraço como aquele e confesso que foi um das melhores sensações do mundo.
Quando senti seus braços me soltarem, eu te soltei e a baixei o rosto. Você delicadamente levou suas mãos até meu rosto e me olhou nos olhos. Senti que você estava na esperança de eu falar algo ou que esperava uma atitude minha, mas naquela hora eu era incapaz de pensar em qualquer coisa.
Na hora que vi você aproximando seu rosto lentamente em direção ao meu, inclinei-me para o lado e te dei um beijo na bochecha. Não queria ter visto sua reação àquela hora, mas você me pareceu entendido do meu caso. Comecei a pensar se estaria imaginando que eu tivesse outra pessoa, mas você foi tão compreensivo que me afagou em seus braços novamente como se entendesse minha reação e como se você estivesse errado. Não, você não estava.

(...)

Aquele dia, nós chegamos a minha casa pouco mais da uma da manhã. Todas as luzes estavam apagadas e você me olhou nos olhos com um ar de despedida e saiu do carro. Saí do carro e esperei que viesse até mim. Em passos lentos você se aproximou e não disse muitas coisas. Sussurrou algo que eu não pude entender o que, fechou a porta do carro e me puxou pela cintura. Não pude sequer entender porque aquilo estava acontecendo, mas correspondi meio receosa ao seu beijo. Naquele instante, Berlim já estava fria e perigosa e depois daquele beijo meio rápido e sem graça, você me acalentou em seus braços como se quisesse me proteger. Por um instante me senti bem, mas lembrar que a Alemanha estava se tornando um passado foi um pouco doloroso e você havia percebido.

Pessoa certa, hora errada

9 de maio de 2011

_Eu nunca vou te abandonar.
_Nunca é muito tempo.
_Não para nós dois. Disso eu estou certa.

E ela sentia um calafrio subir por completo. Suas mãos suavam e a cada minuto que decorria no relógio, ela tinha a certeza de que o havia perdido. Ele era uma ferida incrustada, dessas que não saravam nunca. Era aquela ferida que não doía frequentemente, mas sempre havia algo que a fizesse doer. Ela não sabia o que tinha acontecido, mas havia desistido de tentar entender no dia em que ele passou ao seu lado sem dar um mísero oi. Por que? Ela bem que sabia, mas gostava de fingir que desconhecia tamanha crueldade que ele lhe causava. Ele era só um homem, como milhares de outros que ainda iam aparecer. E eles desapareceriam, assim que esse estava fazendo agora.

_Tem certeza?
_Tenho. Não vale a pena tentar entender.
_Não vou render a conversa. Você já pode sair da minha vida.
_Eu sei que vai superar. Você sempre superou.

Com o coração na mão e o frio subindo por seus braços naquela noite de quinta-feira, ela virou as costas e saiu andando lentamente com o peso de quem estava deixando uma vida para trás. Não a dela, não a dele. Era a vida dos dois. Uma história que só ela viveu e muitos outros presenciaram. Pareciam destinos cruzados, certos e feitos um para o outro. Pobre ironia. Mal sabia ela que esses destinos se cruzariam de modo tão negativo e com milhares de interferências. Eram as pessoas certas nas horas erradas.

Caminhos separados, orgulho ferido e eternamente cegos. De uma coisa ela tinha certeza: percorrer aquele caminho de volta para a casa sem derramar uma lágrima sequer lhe deu a certeza de que ela o esqueceria, cedo ou tarde, mas o esqueceria.

Sobre observações e aprendizados

4 de maio de 2011


Voltei a postar com muito mais vontade e tempo. Deu saudade do blog.
Eu aprendi a observar as pessoas. E passei a analisar cada um dos meus passos crente de que outras pessoas também são assim, digamos um tanto observadoras. Eu aprendi que poucas são o que realmente dizem ser e muitas só se preocupam com o que o outros têm a oferecer. É como se estivessem vivendo numa mão única, sendo que o mundo exige vias duplas de tudo o tempo todo. Quanto mais você pode oferecer, mais você vai receber. E que muitas dessas pessoas são um desperdício de atitudes e palavras como se fosse um álbum musical que dá vontade dar stop logo no começo de tão repetitivo.

Enquanto eu ocupava meus dias fazendo uma análise dessas pessoas, eu percebi que uma pequena (ou grande) parcela de sabedoria que todo mundo têm foi o mundo que ensinou ora de forma cruel, ora de forma simplificada demais. Até porque, todos nós temos ao menos uma cicatriz de um ensinamento que levaremos para sempre.

E nessa de fingir que entendo da vida durante esse tempo que tento erroneamente entender essa sociedade, eu aprendi a observar pequenos detalhes que formam o mundo por completo. Você já parou para perceber as belas diferenças nos sorrisos das pessoas? Ou até mesmo em uma coisa simples, mas bela por sua grandiosidade como a posição do sol na passagem das estações? Já parou para observar como o brilho do olhar do seu melhor amigo, da sua mãe ou do seu namorado muda de acordo com cada situação?

Apesar de muitas pessoas serem como um livro que a gente não consegue ler até o fim de tão chato, existem outras que valem a pena ler, reler, sublinhar e levar conosco cada detalhe. É hipocrisia da minha parte dizer que observo sem propor comentários para mim mesma, mas é assim que eu aprendo a respeitar as pessoas e agradecer pelas diferenças. Sem pré-julgamentos ou comentários maldosos. Apenas observo em quantos universos distintos esse mundo aí fora é capaz de se dividir.