Falar de amor

31 de março de 2011

As pessoas gostam de ouvir falar de amor porque elas ainda acreditam nele. Por mais que nunca tenham vivido uma boa história, por mais que nunca tenham tido de verdade amor por alguém. Histórias de amor encantam, e levam nossa imaginação pra lugares desconhecidos. Ouvir falar de amor faz com que nasça em nós vontade de vivê-lo. Afinal, quem quer ouvir casos de desamor, de histórias trágicas, de finais infelizes, ou os não finais? Esses fatos já estão presentes em nosso cotidiano sem a gente precisar ir atrás. Agora o amor, o amor de verdade, está cada vez mais raro que chega a ser necessário buscá-lo em livros e histórias, já que não o encontramos mais por aí. Ou talvez a falta de contato com esse amor bonito fez com a gente não o reconhecesse mais.


(Clarice Lispector)

Teu silêncio

25 de março de 2011


O teu silêncio não me incomoda, não me agride e não me destrói. Não me fere, não me corrompe e não me faz te desejar longe. Teu silêncio abriga palavras que o vento se encarrega de transmitir enquanto, singelamente, eu permaneço em teus braços. Teu silêncio conforta e muito. E me completa instantaneamente durante todo o tempo que me encontro perto de ti. Cada palavra dita se perde no exato momento em que é jogada para fora e é esquecida cada vez que não estamos juntos, mas eu sorrio cada vez que me lembro de todas as vezes que você tentava em vão ocultar tais palavras.
Palavras que não precisam de serem ditas para serem entendidas e só por serem pensadas já se tornam capazes de serem sentidas.

Sobre faltas e medos

23 de março de 2011


Parar e pensar demais nos faz perceber certas coisas que deveriam ser postas na balança. Faz-nos deixar em evidência certos sentimentos, nos faz imaginar milhares de coisas e entre elas no faz focar no que a gente nem deveria ter: O medo. O medo de perceber que se fez uma escolha errada consegue ser maior do que desespero de ter que escolher. E o medo de não saber o que fazer consegue ser ainda maior. Assim como falta sono quando se quer dormir, faltam palavras quando se quer gritar. Faltam milhares de coisas mais. Sobram milhares de coisas mais e essa sobra machuca, dói e transborda. Transborda medo, drama e exageros. A falta só não é maior que o medo e o medo só não é maior do que a certeza de que é preciso seguir por um caminho ou por outro. Por onde quer que seja. Medo. Falta. Certezas. As respostas hão de vir, de um jeito ou de outro.

Meu, pra sempre meu cão

20 de março de 2011

Chegou tão miúdo e tão magrinho. E vai fazer falta. MUITA FALTA.

Quase dez anos não representa somente a sua idade, representa o tempo de cumplicidade e carinho que ele me proporcionou. Foi apelidado de Pit por ser da raça pinscher e ninguém entrar em um acordo para o nome. Sou capaz de me lembrar nitidamente da noite em que chegou: Eu voltava da praia e ele estava aqui em minha casa, aos prantos. Tão pequenininho e tão assustado ao mesmo tempo. Me fez ficar a noite inteira em claro, acudindo-o enquanto meu cachorrinho incisivamente permanecia latindo. Os anos se passaram e o carinho foi crescendo cada vez mais. Meu primeiro cachorro, meu primeiro animalzinho, simplesmente meu.

Posso não ter sido a melhor dona, mas permanecer cada minuto com ele me fez a criança mais feliz do mundo. Lembro de todos os seus latidos, todas as noites em que ele virava latindo debaixo da janela do meu quarto, todas as brincadeiras, todas as roupas, chinelos e objetos que ele destruiu. Lembro do coração estampado que ele tinha próximo as patas. Coração esse que foi se desfazendo a cada dia que sua doença piorava e ele emagrecia.

Cada pedacinho de mim dói por saber que ele se foi e que não voltará mais. Ai, que falta vai fazer. Lembro de quando ouvia barulho e ia até a varanda ver o que estava acontecendo e lá estava ele enrolado em um edredom que ele mesmo puxou do varal. Era a coisa mais fofa de se ver. Quando meu segundo cachorro morreu ainda filhote, foi o Pit que permaneceu ao meu lado enquanto via que eu me desmanchava em lágrimas. Arrumava briga com os vizinhos e quando pequeno, não era capaz de subir um degrau de escada sozinho. Quando velho, desenvolveu uma epilepsia e foi se agravando a cada dia que se passava.

Mordia qualquer pessoa, tinha um latido fino e chato. Com o tempo, virou uma bolinha de pêlos brancos e pretos e foi se desanimando. Corria atrás de pequenos bichos e tinha pavor que batessem palmas perto dele. Tinha medo de gatos e se irritava com luz de lanterna. Sempre que eu o via em dias de chuva, ele aparecia ao meu lado e ficava deitado debaixo da mesa enquanto eu estudava. Era um cão animado, mas com nove anos a idade já não o permitia fazer tanta coisa.

Nos últimos dias de vida, já não andava e simplesmente esperou a manhã de hoje pra dar o último suspiro em meus braços e fechar os olhos.

Uma das poucas fotos que eu tenho. Creio que ele tinha uns 7 anos nessa foto.

É, você se foi.Obrigada por cada sorriso que você me proporcionou e por ter me mostrado o quanto animais também tem sentimentos. Obrigada simplesmente por ter existido e entrado na minha vida. Obrigada.
Pit, 23/10/2001 à 20/03/2011

O dia seguinte

18 de março de 2011


Celular na mão. Coração na boca. Lembranças mais que recentes na memória. Tão recentes, que sozinha você é capaz de sentir todas de novo como se estivessem acontecendo exatamente naquela hora.

A cada minuto que decorre no relógio, a tela do celular acende com um mero clique em qualquer um dos botões na mera esperança de ouvir o soar de uma mensagem ou uma surpreendente ligação. Ora se esquece, ora se lembra. O celular permanece intacto ao seu lado de modo que ao sinal de qualquer aviso, com sua rápida agilidade treinada por diversas outras histórias, você é capaz de pegá-lo. O celular pisca a todo o momento por bateria fraca e você rapidamente coloca-o na carga. Seu celular até toca, mas é aquela sua amiga querendo saber detalhes do dia anterior. Tantas novidades, mas uma só espera: A ligação do dia seguinte.

E entre todas aquelas milhares de lembranças e detalhes repassados dez mil vezes na sua cabeça, você na falta do que fazer começa levantar hipóteses sobre o que estaria acontecendo. Afinal, o celular do cara-encantador-de-ontem pode ter descarregado, sumido, evaporado ou criado asas. Ou, na pior das hipóteses, você começa a considerar o fato de representar só mais um número na agenda interminável dele. Você começa a pensar que a mera conversa ou a mera ficada, pode não ter representado absolutamente nada na cabeça oca que provavelmente ele tem.

Você vira para um lado, vira para o outro. Mexe nos cabelos e levanta daquele sofá, certa de que não irá esperar mais ligação nenhuma e que, quando ele achar conveniente, ele vai te ligar. Até porque, nós mulheres sempre merecemos uma ligação do dia seguinte para pelo menos... Garantir que realmente foi interessante para ambas as partes.

Se ele vai ligar ou não, só o tempo pode dizer. Enquanto isso, o dia se arrasta e você mantém o tempo todo por perto aquele celular que tem sido útil somente para aumentar a ansiedade. E é assim que funciona aquele ciclo interminável, até que se passem os dias e o celular finalmente toca. Ou não.

Sem lamentar

15 de março de 2011


Tudo sempre chegou ao seu fim e eu tinha certeza que esse sentimento também chegaria.
Por muito tempo permaneci debaixo daquela chuva lamentando sua perda.
Hoje, eu vislumbro as gotas e aproveito o sol que sai logo em seguida.

Chegou a sua vez!

12 de março de 2011


Porque há dias em que nós olhamos para a trás na expectativa de encontrar força suficiente para seguir em frente. Dias em que esperamos a coragem nos impulsionar perante a esse mundo aí.

Pois bem, lhe afirmo que não é necessário isso e que você não precisa de motivos para seguir em frente. Mesmo que sua “cota de força” esteja menor do que de costume (e ela nunca está, acredite), mesmo que tudo lhe segure ao presente e te faça querer reviver o passado, eu lhe afirmo que é hora de seguir em frente e colocar todas as mudanças que você imaginou em prática. E para isso, não é necessário muito esforço. Mostre o que você tem de melhor. Aposto que irá se surpreender.

Prove para si mesma o quanto pode ser feliz e quanto pode ser forte apesar de tudo. Sempre somos mais fortes do que parece, e não sabemos de toda essa força até o momento em que precisamos colocá-la em prática.

Aproveite. Realize. Permita-se. Dance como se não houvesse ninguém olhando. Dance sem precisar de música para isso. Sorria como se estivesse perante aos flashes de uma premiação. Cante com toda sua força. Não tenha medo de parecer ridícula perante ao mundo. Mantenha o equilíbrio enquanto fala e mostre como você é feliz. Muito mais do que deixar isso claro para o mundo, é necessário deixar isso claro para você.

Vai. Você consegue. É só tentar. Existe uma pessoa maravilhosa dentro de ti só esperando para conquistar espaço. Distraia sua cabeça com atividades agradáveis e divida bem o seu tempo. Durma sempre que necessário e não deixe que a preguiça tome conta de ti. Não caia na rotina. Conheça novas pessoas. Faça novas rotas, percorra novos caminhos. Deixe que o mundo se aproxime de você. Seja firme. As pessoas só fazem conosco aquilo que nós as permitimos fazer. Não deixe que as pessoas abusem de sua boa vontade. Por fim, cuide da sua saúde física e emocional. Fique atenta a tudo que te cerca e proteja-se com pensamentos positivos. A vida está aí esperando sua ousadia e coragem.

A sua hora é agora!

Sobre toda essa vontade

9 de março de 2011


Eu saía todas as tardes na esperança de encontrar algo que pudesse me encantar. E voltava pra casa com a certeza de que talvez não tinha chegado a minha vez, exceto por alguns detalhes.

Eu andava por qualquer lugar que me trouxesse vontade. Vontade de qualquer coisa. E virava-e-mexia eu voltava ao mesmo ponto da partida com uma dose a mais de confusão e dúvidas.

Eu voltava somente com a certeza de que essas dúvidas iriam se auto-eliminando a medida que eu descobrisse a resposta para algumas. E era esse tipo de vontade que ainda me fazia querer prosseguir. Essa vontade de respostas, essa vontade do novo.

E esse novo me intrigava e me fazia querer continuar a caminhar por todas as tardes a procura de respostas inacabadas, dúvidas mal respondidas ou qualquer coisa que simplesmente me desse vontade. Vontade de escrever, vontade de amar, vontade de gritar para o mundo ou simplesmente guardar para mim como mera parte dessa alma repleta de dúvidas.

Palavras de uma mente confusa

2 de março de 2011


E toda essa insuficiência existencial me persegue a ponto de me fazer quase entrar em desespero cada vez que eu não sei mais o que pensar de tudo isso. Vontades? Carrego um turbilhão dentro de mim, mas eu simplesmente não sei o que fazer com cada uma delas. Vazio de um lado, dúvidas do outro e aquela luz no fim do túnel que ainda me faz querer prosseguir. Aquela luz que quase me cega de tão mínima, mas que não me faz perder o foco.

Sou capaz de ouvir cada sentimento dando um leve eco nesse túnel. Ecos que me parecem intermináveis, assim como cada momento tem se tornado. É como se ainda assim eu sentisse tudo oco, se é que eu realmente estou sentindo algo.

O mundo me ensinou a me “auto-anestesiar” e a situação chegou a um ponto onde eu prefiro observar tudo de longe, enquanto finjo que não é comigo. É, é só fingir mesmo. Porque no fundo, eu sei que tudo aquilo me pertence de um certo modo, mas eu prefiro deixar assim até me recompor de modo a erguer a cabeça e continuar sorrindo. E sei que estou quase lá.