Voe!

26 de fevereiro de 2011


Texto que eu crei para o Depois dos Quinze.
Postado originalmente em janeiro no site.

Durante esse tempo chamado de “nossa breve existência” fomos capazes de absorver centenas de aprendizados que pouco a pouco nos fizeram tornar quem somos. E esse tal tempo foi capaz de amenizar, e talvez até de curar, desde uma ferida na pele até um corte no coração.

No decorrer de todo ele, passamos por metamorfoses como meras libélulas, dessas que ficam um tempo na sua fase mais simples, sem asas e passando por diversos estágios de desenvolvimento, mas que logo tomarão seu rumo e conhecerão o mundo com suas próprias asas. Essas simples libélulas deixam suas casas, suas mudanças e seu “antigo eu” para entrar numa nova metamorfose onde as mudanças variam desde leves a radicais. Essas libélulas, assim como nós, meros seres humanos confusos, entram em uma fase marcante onde, de certo modo, não dependem tão obrigatoriamente de seu berço e resolvem ir atrás daquilo que realmente querem.

Essas libélulas, mesmo que não pareça, deixam uma bela moral na história e acima de qualquer coisa, absorvem coragem o suficiente para seguir seu destino. E é por isso que você também deveria deixar os sonhos te guiarem. Acredite nos seus sonhos e trilhe seus caminhos, acredite em você e duvide da maioria. Sorria e agradeça por existirem essas milhares de singularidades que te fazem assim. Pode não parecer às vezes, mas você é dona de uma sorte incrível por ser exatamente desse jeito: única e repleta de qualidades e defeitos. Já pensou que um mero detalhe diferente poderia modificar tudo aí que existe dentro de você?

Pois bem, acredite na sua vontade e nas suas qualidades. Controle seus defeitos e permita-se ser diferente. Seja autêntica e cultive um bom humor. Se desprenda de pequenos detalhes e vá voar como uma libélula prestes a descobrir o universo. Existe um mundo te chamando lá fora. Abra seu melhor sorriso e vá ser feliz. Voe.

E no meio de tanta chuva...

23 de fevereiro de 2011


Foi de você que eu me lembrei enquanto a chuva caia lá fora. Cada gota que escorria naquela janela me fazia lembrar cada pedaço do seu rosto. Seu sorriso, Seus olhos e tudo mais que eu era capaz de imaginar.

E aquela tempestade repleta de trovões me fez lembrar também de que você não está mais aqui, e que nunca sequer esteve. E você sabe disso.

Cada gota de água que caia lá fora me fazia imaginar o que estaria fazendo enquanto eu estava ali, naquela janela em uma tarde de verão imaginando como teria sido  se estivéssemos juntos.

E depois de um turbilhão de pensamentos e ilusões que se misturam, eu cheguei a conclusão de que essa nossa história não foi feita pra ser entendida, ela foi feita para ser vivida. Nossos caminhos foram feitos para serem cruzados e que seja agora ou depois. Estive imaginando se estaria na janela da sua casa imaginando algo também. Estúpido esse meu pensamento? Pode até ser, mas eu sei que a nossa história não termina aqui. Ainda temos muitos caminhos para percorrer. E com um detalhe: percorreremos juntos.

Pedaços de nós dois - Parte III

18 de fevereiro de 2011




Cheguei em minha casa e encostei a mochila no sofá. Fui até o guarda-roupa, abri nossa gaveta de lembranças e joguei tudo no chão. Fotos, presentes, cartas, cartões... Exatamente tudo. Tudo aquilo agora ia para o lixo, exceto uma caixinha com uma bailarina e nosso nome estampado na tampa, aquele presente era especial.
Joguei uma mala de roupas que estava em cima do guarda-roupa no chão e esse foi o primeiro item que peguei. Liguei para minha mãe e expliquei minha situação e ela prometeu que iria resolver o resto dos problemas para mim.
_Mãe, eu preciso que faça isso. Não posso continuar aqui. Ficaria agradecida se fizesse isso por mim.
_E quanto à passagem?
_Já tenho tudo planejado, a chave do carro está na caixa de correios. Quando achar necessário pode vim pegá-lo. Tenho que desligar agora. Beijo. – E as lágrimas escorreram no meu olho, e não foram poucas lágrimas.
Abri as outras gavetas e comecei separar outras roupas. Jogava-as na mala com tanta força que mal tive tempo de preocupar com a organização. Em uma daquelas gavetas estavam duas passagens para Espanha. No maior ato de impulso que já cometi, eu rasguei a sua passagem. É, eu rasguei. Eu não podia permitir que você fosse comigo porque eu queria ir sozinha. Sozinha.
Peguei minha passagem e fiz uns telefonemas. O embarque seria daqui a uma semana e o aeroporto ficava a algumas horas da nossa cidade. Olhei meu saldo no banco e resolvi ficar hospedada em um hotel por lá. Eu merecia essas férias de você. Mesmo que elas fossem eternas.
Quando terminei de fazer minhas malas, ainda aos prantos, resolvi não ser clichê. Não deixei um bilhete, uma lembrança, uma mensagem e nem ao menos um e-mail. Resolvi ir sem deixar rastros. Fui para a rodoviária e de lá peguei um ônibus para a capital. Confesso que mesmo que tenha passado rápido cronologicamente, aquela semana foi a mais lenta para meu coração. Doía-me saber que deixava cada pedaço de você para trás. Seu suéter ainda estava comigo e dormi com ele todas as noites na esperança de ainda te sentir por perto. Ligava para minha mãe diariamente e ouvia o desespero na voz dela, mas eu estava decidida: Eu iria embora.
Nosso um mês na Espanha, se tornaria as minhas férias e depois, eu me resolvia com a burocracia. Estava disposta a ficar por lá e eu sabia que minhas economias eram capazes de pagar. Só não sabia como ficaria meu coração e a essa altura do campeonato, isso pouco me importava. Exatos sete dias depois, eu fui para o aeroporto, certa da minha decisão. Parei e por um instante pensei em mudar de idéia. Liguei para minha mãe e aquelas foram minhas últimas palavras que se referiam a você:
_Mãe, só diz que eu o amo muito, mas que eu precisava ir.
Pensei mais um pouco e olhei para todos os lados na esperança de te ver correndo atrás de mim. Expectativa frustrada. Abracei seu suéter e entrei naquele avião. E mal sabia eu o que me reservaria. Só esperava que ficasse bem. Espero que se lembre de mim, assim como eu me lembro de você. Não me arrependo de ter feito isso e nem sei ao exato o porquê disso tudo. Mas eu precisava te deixar. O que o destino nos reserva? Não sei.
Só quero que entenda que foi com você que eu deixei a minha melhor parte e que me dói todos os dias saber que não está mais aqui comigo. Dói-me mais ainda saber que te fiz chorar e que deixei nossos sonhos correr pia abaixo. Não me pergunte o porquê. Só quero que se lembre de mim todos os dias de sua vida. Espero que me entenda. Eu ainda te amo.
Fim

Não preciso mais de você aqui

16 de fevereiro de 2011


Como assim? Que direito você acha que tem pra voltar como se nada tivesse acontecido? Ok, eu fui responsável pela grande parte, mas mesmo de longe, você me ensinou milhares de coisas e eu prometi a mim mesma que não te queria por perto nunca mais.
Por não parecer, mas foi com você que eu aprendi a não confiar em um rostinho bonito, aprendi que garotos sem atitudes são um saco e que garotos como você não me mereciam. E acho que não merecem até hoje.
Foi com você que eu aprendi que uns meros escritos podem acabar com sua felicidade e que às vezes evitar contatos é o melhor que se faz.
Eu e você sabemos muito bem que um olhar pode mudar muita coisa. Pelo menos, eu sei. Você me fez falta por anos e nem é capaz de imaginar todas as vezes que vislumbrei como seria se estivéssemos juntos. No fundo, você quis assim. Agora vai, some de perto de mim.
Você me fez muita falta, mas agora, meu bem, você não faz a menor diferença na minha vida.


Pedaços de nós dois - Parte II

11 de fevereiro de 2011


E foi exatamente o que fiz. Peguei as minhas chaves e saí por aquela porta certa de que não te veria nunca mais. Não sei por que motivo estava fazendo isso, mas eu não podia aceitar seu pedido de casamento. Egoísmo? Pode ser. Mas, acima de qualquer coisa eu só queria que você entendesse que o que eu sentia era amor. Eu te amava e sentia que precisava te deixar livre. Você era o amor da minha vida, porém eu não era o amor da sua e eu não podia ser tão egocêntrica a ponto de te acorrentar a mim, mesmo que você quisesse. Até porque, eu não queria.

Naquela mesma hora eu peguei o elevador, desci no estacionamento e fui em direção ao carro. Passei por um casal e não pude deixar de reparar. Confesso que foram os passos mais lentos de toda minha vida. O seu carro estava estacionado logo ao lado do meu e estava aberto. Aquele seu suéter alemão estava lá e você sabia que era meu favorito. Não resisti e peguei-o. Entrei no meu carro e pedi que o porteiro lhe avisasse que o carro estava aberto.

_Claro, eu aviso sim. Tenha uma boa noite. – Foi tudo que ele disse. Peguei seu suéter e larguei no chão do carro, embaixo da minha bolsa. Aquela mesma bolsa que você tinha me dado quando voltou da Argentina.

Andei algumas quadras e parei o carro. Vesti seu suéter azul e me lembrei da cor dos seus olhos, exatamente iguais a cor do suéter e me lembrei de como eu me sentia a mulher mais feliz do mundo quando você olhava no fundo dos meus olhos. Não sei o porquê, mas imaginei o que pudesse pensar quando desse falta daquela peça de roupa. Você sabia exatamente que estava no carro, pois além de boa memória, era ótimo em organização.

_Ele deve ligar no meu celular. – pensei. Imediatamente desliguei-o. Suspirei fundo e me lembrei do seu sorriso e de cada detalhe do seu rosto. Liguei o carro novamente e fui até a minha casa. Confesso que veio uma explosão de pensamentos em minha cabeça. E a idéia de que tudo estava perto do fim me assustou pela primeira vez.

(Continua)

Pedaços de nós dois

9 de fevereiro de 2011

(...)
_ E ano que vem? Decidiu onde vai morar? –Vi seus olhos brilharem.
_ Na minha casa, ué. É mais fácil pra mim.
_Ah. – Você suspirou e desviou os olhos como fez em todas as vezes que eu lhe disse que não. E foi aí que eu vi a decepção no seu olhar.
Aquelas duas frases não foram necessariamente outro pedido de casamento, mas eu sei que você queria dizer algo como “Vem morar comigo ano que vem então” enquanto sussurrava aquele simples e seco “ah”. O café estava quase frio e eu permaneci em silêncio na esperança de que dissesse mais alguma coisa.
_E daqui a quatro anos? Onde pretende ir?
_Não estou em condições de planejar tão longe assim. – desviei o olhar.
_E se eu te falar que estou disposto a esperar? – Surpreendentemente você me retrucou.
_Eu vou ficar agradecida. – Foi tudo que consegui dizer, mesmo com uma vontade imensa de lhe dizer que você não deve me esperar por tanto tempo assim.
Olhei no fundo do meu copo e desviei o olhar. Eu sabia que meus olhos estavam cheios de água e que você a qualquer momento poderia perceber. Eu não sabia dizer o que era aquilo necessariamente. Era um tipo de amor que eu não conseguia identificar qual. Eu te amo muito e queria te ter por toda eternidade aqui, mas de certo modo eu sentia que não podia lhe prender e que eu precisava te deixar livre para encontrar seu caminho, porque no fundo eu sabia que ele não coincidia com o meu.
E isso me deixava confusa exatamente por não saber quando encerrar essa história e me deixava mais aflita ainda por não saber de que jeito lhe tirar de vez da minha vida. Por fim, levantei da mesa e peguei minhas chaves. Você disse um eu te amo tão suave que eu nem sequer fui capaz de dizer eu também, e você havia percebido isso. Dei-lhe um beijo na testa e disse tchau, com a profunda sensação de que não voltaria aquele apartamento novamente.

(Continua) 

7 de fevereiro de 2011

Posso te garantir que o verão solitário me deixou mais mulher, mais leve e mais bronzeada e que, depois de sofrer muito querendo uma pessoa perfeita e uma vida de cinema, eu só quero ser feliz de um jeito simples. Hoje o céu ficou bem nublado, mas depois abriu o maior sol.
(Tati Bernardi)

(...) para longe de mim.

4 de fevereiro de 2011

E confesso que foi um alívio saber que meu coração não acelera e minhas mãos não suam mais quando te vejo. Mas, em silencio a gente ainda sabe que existe muita coisa. Confesso também que foi ótima a sensação de não sentir meus olhos brilharem e minhas pernas tremerem quando você chegou. Mas, ainda é triste saber que sua voz e seu sorriso ainda mexem com meu coração e reviram meu estômago, assim como as palavras ditas por você fazem certo tipo de replay na minha cabeça enquanto eu fico parada, olhando você virar as costas e dar passos bem lentos, desses que ainda te levam para longe de mim.