Imensidão

8 de dezembro de 2011

Imensidão. Pensa em quanta coisa cabe em uma imaginação que gira através dessas 9 letras. Pensa em quanta coisa cabe numa só imensidão que, por si só, se divide em milhares de outras: imensidão da alma, do sentimento, da memória, das lembranças.

Imensidão. Ainda não sei se gosto disso. Imensidões de lembranças me atormentam diariamente, mas a imensidão de paz que toma conta de minha alma me alegra tanto. Ainda não sei como não gostar disso. Ainda não sei como não gostar de um tanto de coisa. E aquela imensidão de gotas que caem lá fora? E a imensidão do brilho nos seus olhos? E a imensidão que existe por trás de seu sorriso? E toda essa imensidão dentro de mim?

Imensidão. Já parou para pensar quantos significados cabem em simples 9 letras?


Sem nexo, eu sei. Também precisava dizer isso.

Sobre as nossas mudanças

26 de novembro de 2011



A gente tem que aprender a se aceitar e a ponderar nas mudanças. É, a ponderar. Porque nem sempre a gente deve mudar simplesmente porque deva haver mudanças. Às vezes nem tem necessidade. A gente quem que entender que convivências são complicadas, mas se for pra mudar, que ambas as partes mudem então.  Porque se sacrificar sozinho, por duas pessoas, não compensa. Eu sei que vocês me entendem. 

Levou tempo até que eu me aceitasse. Levou muito tempo. E vira-e-mexe eu ainda quero alterar certas coisas como quem altera um projeto inacabado em busca do perfeccionismo. Não gosto de nada mal feito, pela metade ou com defeito. E eu demorei até entender que eu não precisava ser assim comigo mesma. Porque, eu torno a repetir, a gente tem que se aceitar. Leva tempo algumas vezes, mas vale à pena esperar.

Mais cedo ou mais tarde a gente entende que não precisa ficar mudando o tempo todo só para agradar. Porque ser autocrítica demais não resolve o nosso problema, só piora. Se algo incomoda muito, então cogite mudanças. Se não, então relaxe e só mude quando necessário. Mude para melhorar a convivência e apenas uma relação: a da sua razão com seu emocional e seu espelho. Somente. 


Quase soma

24 de novembro de 2011


Eu nunca gostei do jeito que você arruma o cabelo e você sempre soube disso. Eu nunca gostei daquela sua barba mal feita, da sua blusa xadrez e daquele seu relógio de pulso. Pra ser sincera, eu nunca gostei de nenhum relógio até porque todos insistiam em permanecer parados enquanto eu aguardava ansiosamente sua chegada. Eu nunca gostei desses seus olhos castanhos claros que sempre tentaram me dizer algo que eu nunca entendi o que. Eu sempre gostei de você, porém nunca gostei de reconhecer isso.

Você fazia parte do que eu chamava de “baú dos segredos” e, obviamente, fazia parte dos mistérios íntimos que eu pensei que jamais revelaria. Tentativa em vão, eu hei de concordar.  Você era o tipo de cara que pede o telefone já sabendo que nunca vai ligar e que mesmo assim, surpreende qualquer uma no meio de uma tarde chuvosa com uma mensagem cafajeste que arranca sorrisos. E assim você repetia o ciclo até conquistar todas que queria e depois praticar o que podemos chamar de “rejeição em massa”. Pobre garoto! Não conhece nada da vida, pelo visto.

Assim como eu diria por aí, você foi mais um que eu aprendi a gostar e aprendi a desgostar na mesma velocidade incrível com que você me excluía da sua vida. Você, sem ao menos perceber, me ensinou o quanto eu nunca precisei de ninguém para conquistar o que sempre quis.  Porque no fim, era somente eu, papel e caneta na mão (como está acontecendo agora). Ensinou-me que pessoas se somam e não se completam como acham por aí. E me mostrou a sutil diferença entre acorrentar o coração e somente entrelaçar os corpos. Porque nós, todos nós, somos inteiros e não precisamos de ninguém que nos complete, porque já somos completos por si só.  Não precisamos nos subtrair diante de alguém, porque se for pra sentir, então que seja algo que acrescente beleza à vida. Porque se somar é compartilhar. Completar é assumir que nos falta um pedaço - situação que de fato não ocorre.

Para tanto, me sinto honrada de ter sido recebedora de todo seu charme e por suas ligações madrugadas adentro. Porque agora tanto faz o que quer que você faça. Ah, sabe uma coisa que eu nunca gostei em mim? Essa facilidade com que ignoro tudo isso e sigo em frente. Não sei nem sequer seu telefone mais e agora pouco me importa mesmo. Achei que tentaria junto comigo, mas percebi que nunca poderíamos nos somar por completo.  Sinto muito, querido. Por mim, acabou a brincadeira e eu te aconselho a também por fim nisso tudo, sinceramente falando. 

É um texto meu postado originalmente no blog Depois dos Quinze em agosto desse ano. 

É demais pedir paz?

17 de novembro de 2011



Tenho muito à dizer, mesmo. Só não tenho certeza desses impasses todos. Porque isso cansa também, sabia? Eu gosto de calmaria, de paz e de sossego. Surpresas uma vez ou outra, tudo bem. Mas sempre não dá. Um trajeto errado, um momento que me faça mudar o jeito de pensar, ok. Mas eu odeio situações que me tiram a concentração e o sono. Gosto de tranqüilidade e de estar quase sempre no controle. Perco a cabeça com facilidade, não sei lhe dar com meu emocional e raramente uso minha razão. Consegue entender o que por que dos meus pedidos de paz?

Nada contra mudanças radicais, contanto que elas não me façam chorar, mas eu prefiro ficar deitada sentindo a brisa passar certa de que tudo está bem. E que se algo der errado, eu ainda assim vou consegui controlar. Cansei dessa brincadeira, desse medo de não saber o que fazer e de agir com impulsividade. Afinal, eu só queria descer dessa montanha-russa e seguir em direção a um brinquedo que não me causasse náuseas e nem me virasse de cabeça para baixo.

Outra dose de sofrimento

12 de novembro de 2011



 Levou a mão ao rosto e exclamou:

– Que luzes fortes! – Enquanto andava pela avenida. Era tudo que ela conseguia dizer diante da impiedosa saudade que lhe torturava a alma. O calafrio que percorria seu corpo e o medo se fazia tão presentes como as lembranças que lhe viam todos os dias na cabeça.

Apesar de ser noite, avenida estava clara e havia milhares de carros trafegando aquele horário – o que era comum naquela cidade.  Calmamente, ela seguiu até o outro lado até que chegasse enfim a passarela que a levaria ao maior viaduto da cidade. Com uma garrafa de vodca na mão e uma carta na outra, ela se sentia anestesiada perante toda falta de amor que lhe era imposto. Aquele se moletom precisava ser lavado assim como sua alma precisava ser limpa como nunca fora antes. Com um pouco de medo e uma dose de álcool na cabeça, ela via o maior rio da cidade e seu coração lá embaixo, enquanto os carros passavam ao seu lado.

Em passos lentos, ela chegou ao topo do viaduto e sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto. Juntamente com o silencio, ela se acostumara com o vazio inoportuno que a invadia deixando um rastro de sofrimento que insistia em persegui-la. Ela ajoelhou e chorou suplicando por paz. E, vendo o quanto tinha sido em vão todas aquelas lágrimas, simplesmente sentou e leu aquele papel milhares de vezes até finalmente se cansar.

Os minutos passavam e as doses de vodca eram cada vez maiores. A bebida rasgava-lhe o organismo e ela sabia que viver a juntar os míseros cacos do amor que a dilaceravam era uma função desgastante, no qual fora acostumada a viver. Emendas a parte, recomeçar daria trabalho e ela havia escolhido sofrer pacientemente até que o ciclo recomeçasse. Cedo ou tarde, agora ou nunca.

Terminou a bebida, ficou tonta de sono e tomou certas decisões. Amassou aquele pequeno pedaço de papel que estava entre seus dedos e prometeu que não choraria aquela noite. Sozinha, ela se levantou do chão e mirou a água lá embaixo. No impulso, soltou sua garrafa e esperou para que visse os pequenos pedaços de vidro, mas isso não aconteceu. Repentinamente, sentiu uma imensa vontade de voar. Não sabia ao certo se conseguiria, mas resolveu tentar. Sem pensar em nada, tirou seu moletom e largou o pequeno papel amassado no chão. Equilibrou-se no para-peito do viaduto e saltou certa de que aquela era a solução de todos os seus problemas. 

Só mais uns conselhos

9 de novembro de 2011



Aprende uma coisa: Ninguém pertence a ninguém nessa vida. E por mais que faça esforços, eles nunca serão suficientes pra fazer alguém permanecer ao seu lado, porque simplesmente na hora que as pessoas têm que ir, elas vão. Não transpareça aquilo que não sente. Seja sincera acima de tudo com seus próprios sentimentos e não deixe que ninguém pise em cima deles. Guarde seu coração e não se permita viver em função de alguém. Viva em função da sua felicidade, está me entendendo? E outro detalhe: Não se preocupe em ser inteiramente entendida. Nem sempre todo seu amor será reconhecido.  

Pela última vez

5 de novembro de 2011


Não fala nada. Por hoje, só me escuta por favor. Não julgue meu silêncio, meu esquecimento ou minhas não-ações. Não é nada por mal, eu juro. É só um mero escudo que criei com o tempo e com as marés da vida que sempre vinham me arrastar pro fundo do mar e nunca me traziam de volta. Foi só um tempo que impus a mim na tentativa equivocada de não deixar-me levar por algo que eu julguei não ser muito importante. Hoje, como você disse todo o tempo, eu sei que estive errada. Te amei usando meu melhor lado e para ti, meu amor, te mostrei somente meu pior.


Meu pior. Quis tanto mudá-lo, mas essa foi mais uma tentativa equivocada. Te agradeço tanto pela paciência. Você foi meus passos enquanto eu não fui nem sequer sua menor parte. Nem menor, nem pior. Não pense mal. Não fala nada. Espera eu terminar, por favor.


Você me fazia transbordar, e nos melhores casos, eu transbordava amor. Transbordava tanto que meu coração inutilmente se afundou em solidão. É tão estranho pensar em solidão quando se tem alguém por perto todo o tempo, não é? Não sei, não sei. Sei que falar não resolve muito, mas só deixa eu terminar por favor. Durante anos eu transbordei sentimentos bons, porque você fazia com que sobrasse isso em mim. Hoje, meu eterno amor, eu transbordo sofrimento. E só. Não sei como, mas você sugou minha essência e pouco a pouco foi sugando meu humor.


Sabe, eu ainda te amo. Mas assim como prometi que essas palavras seriam breves, eu também prometo que esse amor será. Eu sei que vai doer te ver sair por aquela porta certa de que essa é a última vez que te tenho em meus braços, mas eu prefiro acreditar que o perfume que ficará por aqui é o suficiente para minha alimentação diária de ti.


Cruel mesmo é te manter aqui sendo que nem sequer eu soube te amar. Te amo, mas não soube te mostrar. E agora eu prefiro te amar sozinha. É. Eu, todo meu amor e seu cheiro. Só isso me basta. E eu sei que assim como seu cheiro, todo esse amor também vai exalar até que por fim só me reste um mísero gosto de saudade na alma.


Pronto, acabei. Agora encosta aqui no meu ombro e deixa eu te sentir pela última vez. Prometo não chorar.

Horizonte

27 de outubro de 2011


O horizonte, ao contrário do que se pensa, não é o fim, nem o limite: É o início.

Misterio da alma

21 de outubro de 2011



Sempre vivi de imensidão e de intensidade entre um furacão e outro. Convivi com o sóbrio, porém nunca gostei de telo por perto. Admirava o mistério e como quem vai contra a correnteza, eu adorava estar sozinha. Se eu gosto de solidão? Não. Gosto de estar só, mas sem necessariamente sentir a solidão plena. Consegue entender a diferença?

Eu nunca entendi essa fobia que eu sentia toda vez que cruzava certas portas. Nunca gostei de olhar pra trás, mas sempre fui obrigada a fazê-lo. Nunca me senti insuficiente, mas vira-e-mexe eu ainda preciso de uma força extra que eu nunca sei de onde tirar. E na pior das hipóteses, sempre vem.  Nunca entendi porque sempre me agradou esse espírito de mudança e porque eu sempre gostei de viver entre metamorfoses e conflitos internos.

Notoriamente, sempre gostei de dramas e sempre soube que terminaria por escrevê-los em uma folha de papel. Uma dose de inspiração, meia dúzia de pensamentos inacabados e um pouco de ordem ilusória. Não sou nada menos que isso. A composição da alma baseia-se no quanto nossa imaginação pode percorrer. E a minha, meu caro, vai além do que eu ainda não consigo ver. Eu sei.

Não sou o tipo de pessoa que questiona vontade, desejos ou acasos. Sou do tipo que faz porque sabe que é assim que tem que ser feito e porque sabe que tem liberdade suficiente para escolher entre ouvir a voz da alma (porque essa voz do coração já virou clichê) e ouvir a voz da razão (porque essa nunca me abandona, mesmo que eu a ignore).  Porque misteriosamente eu ainda insisto. Insisto no escuro, na luz, na solidão e no segredo que me cerca. Porque insistir no vazio simplesmente não me interessa. 

De repente!

17 de outubro de 2011





De repente, você vê que aprendeu várias coisas. Mas não foi de repente, foi aos poucos. "De repente" não quer dizer que você aprendeu rápido. Quer dizer que você não percebe que está aprendendo, até que aprende. Você olha pra suas fotos antigas e não consegue se enxergar. Você lembra de frases ditas e atitudes tomadas e as trata como se fossem de um outro alguém. Você aprende que não há amor que não acabe, doença que não se cure, não há estrada sem fim. O caminho, sim, é sem fim. Basta torcer para estar percorrendo o caminho certo. Basta perceber que o seu caminho é errado e esperar pelo próximo retorno. É uma estrada de duas mãos. 


De repente, você se sente cansado de tanto aprender quando, na verdade, você está é cansado de estar rodeado de gente que não aprendeu porra nenhuma. Não te preocupa. Todos aprendem, cada um a seu tempo. O problema é que alguns demoram tanto que acabam morrendo antes da primeira aula. Talvez você tenha aprendido mais que eu, ou até menos, ou então aprendido coisas diferentes, ou matado todas as tuas aulas mais importantes. Não sei mesmo, mas minha única certeza é que eu não concordo com uma vírgula do que você diz.


(Lucas Silveira)

Explore

8 de outubro de 2011

Continue acreditando que por mais que doa, é necessário aprender. Corra rumo às metas e não se canse jamais de nunca parar de andar. Veja que é possível remar contra a correnteza. Derrame lágrimas seguidas de sorrisos. Viva afinal porque você quer. Saiba que se pode simplesmente tampar os ouvidos e continuar a mercê dos seus objetivos. Sonhe. Ame. Não resista às tentações e quebre regras. Dance loucamente numa festa ou em seu próprio quarto. Sabe o significado de ousadia? Então. Ouse nas suas atitudes e conheça seus próprios limites. Vá além. Saiba conviver com o passado e construa um presente incrível. Seja dona do seu próprio destino. Explore. Conheça. Reconheça.

O fim que eu sempre esperei, mas que recuso sentir

4 de outubro de 2011

Foto: Reprodução/We heart it
Esperar sempre cansa. Sentir esse vazio sempre cansa. Mesmo que você me garanta que sempre estará ali. E se não for verdade? Sempre me esforcei para acreditar em suas palavras e sempre imaginei o fim. E eu nunca quis que ele chegasse.Nunca gostei desse ar de incerteza e de talvez que você sempre deixou percorrer minhas veias levando sofrimentos e lágrimas. Porque, meu bem, eu sempre gostei de você, mas nunca entendi onde isso de fato nos levaria. Sempre achei que pudesse estar me enganando, mas no máximo, eu interrompia meus pensamentos quando via que estava indo longe demais. Eu não me permiti cair em si e ver o grande erro que eu cometia. Eu evitava pensamentos maldosos, porque no fundo eu sabia que eles me levariam a verdade. Sempre soube, porém nunca gostei de admitir.

Aquelas palavras e até mesmo aquela música de fundo não faziam mais sentido e todo mundo notava. Todo mundo, menos você. Sempre achei que poderíamos combinar mais como amigos, mas as coisas foram acontecendo de maneira tão rápida que quando dei por mim, você já havia me laçado e me transformado pouco a pouco. Foi um processo lento, eu sei. Mas você conseguiu. Arrependida? Não, não. Passei dessa fase. Contudo, absorvi conhecimentos que jamais pensei que pudesse criar nessa minha mente infantil que você sempre gostava de frisar.

Está aí outro detalhe que eu nunca gostei: essa sua mania de deixar bem claro o quanto minha imaturidade refletia nas minhas atitudes e acabava pouco a pouco com meu psicológico. Por mais que eu tentasse, você nunca se importou em ajudar. Tentar sozinha? Eu não. Prefiro alguém que tente por mim, porque pra isso eu sei que não precisaria do meu esforço.

Sempre me mantive naquela redoma de vidro, mas você havia feito uma rachadura por onde sugava pouco a pouco do que me restou um dia. Sugava tanto que eu me via vazia em pleno domingo à tarde com um nó na garganta. Nunca gostei de nós na garganta e com o tempo, aprendi a gostar de nós dois. Mas passei a odiar suas manias e promessas de uma só noite que você sempre esquecia dois ou três dias depois. Aliás, se fosse para falar de amor em raríssimos dias onde você só tirava proveito, era melhor nem falar. Sempre preferi você em silêncio, porque por mais que me doesse aceitar que você nunca seria o que eu sempre quis, eu sabia que pouco a pouco você mudava sua concepção e se rendia ao silêncio e ao meu stress momentâneo.

Eu nunca acreditei no nosso futuro, porém sempre o esperei. Nunca me permiti pensar com o pé no chão. Se fosse pra pensar, eu preferiria fantasiar. Porque aí teria a certeza de que nunca seria possível. Apesar de tudo, eu temia o fim. Chorava por pensar que tudo acabaria e, na pior das hipóteses, acabaria mal, porque eu sempre soube que você nunca lidaria bem com o término de algo que, como você mesmo diz, “era tudo que sempre sonhou”. Foi triste perceber que havíamos caído na rotina e que você desperdiçava todo meu excesso de amor sem me dar nada em troca. Eu sempre percebi, porém nunca falei.

Com o tempo, eu comecei a desconfiar de que pudesse estar vivendo a história de amor de outra pessoa e assim, inibindo a verdadeira princesa de seus sonhos. Hoje, meu querido, eu tenho certeza.

Esse é só mais um adeus. Não me dói desperdiçar você.

Malditas borboletas!

26 de setembro de 2011



Uma leve embriaguez causada pelo sono. Um enorme vazio causado pela falta delas. Desde quando resolveram sair por aí, ela ficou assim, com um buraco localizado próximo ao coração e que lhe castigava a alma toda vez que pensava porque havia deixado-as ir. O “elas” em questão? As borboletas. Essas que voam de estômago em estômago procurando vítimas, deixando calafrios e borrando maquiagens. Essas que vem, mas que logo vão porque simplesmente já cumpriram seu papel.

Papel esse que ela nem entendia qual. Se dependesse somente dela, as manteria ali, guardadas em vidros só pra privar outras pessoas do sofrimento pós-borboletas. Porque o amor havia acabado e elas haviam deixado boa parte do que nunca sonhara viver. Ela não sentia falta dele ou delas. Ela sentia falta do que era antes de tudo isso, sentia raiva dos planos e morria lentamente toda vez que não tinha o abraço que ela tanto esperava.

Aquelas míseras borboletas! Quanta raiva partilhava por pensar que elas também haviam abandonado-a. Saber que seguiria com um vácuo e pequenos outros animais (que jamais lhe trariam tanta felicidade) causava-lhe repulsa e isso ela odiava admitir. Para tanto, ela esperava pacientemente o tempo passar. Ela sabia que novas sensações surgiriam e torcia com todas as forças para o retorno das tão temidas borboletas que insistiam contrariamente freqüentar estômagos alheios. 

Sobre o que a gente não consegue entender na infancia

21 de setembro de 2011


Já quis ser muita coisa nessa vida. E quando a gente é criança, não dá para entender o quanto de esforço terá que fazer pra que cada uma dessas vontades realize. Na medida em que a gente cresce, a gente vai deixando uns desejos pra trás, desses de criança que você nunca acha que vão se realizar. A gente cresce e começa a entender a luta árdua que viveremos todos os dias. Começos a definir gostos e a ver o que de fato nos agrada. A gente perde aquela inocência e deixa de acreditar que no fim tudo vai dar certo.
Começam as dúvidas, as jogadas do destino e você finalmente passa a entender que o que você planta agora, você colhe no futuro. Às vezes demora, outras não. Eu, por exemplo, errei muito até entender que sou inteiramente responsável pelos próximos acontecimentos e já me arrependi com todas as forças por não ter entendido isso há um tempo. Desisti de sonhos e os vi sendo realizados muito tempo depois.

Entendi que a gente tem que subir um degrau por vez. Sem pressa, sem desespero. Subir um degrau, esperar. Subir mais um degrau, esperar. A gente sempre sabe a hora de dar o próximo passo. E mesmo que às vezes não pareça, sempre é possível contar com aquela força extra que te empurra e te diz “Anda! É a sua vez!”. Porque a gente não precisa enxergar toda a estrada que vem pela frente. A gente tem que saber enxergar os próximos metros como um carro a noite que só ilumina um pouco adiante e, à medida que formos andando, o resto do caminho vai sendo revelado.

O que não pode acontecer é deixar a dúvida te cegar ou os gritos alheios tamparem seus ouvidos. Na pior das hipóteses, eu aprendi onde o tempo entra nessa história: Se não sabe o que vai fazer, senta nesse degrau aí mesmo e espera. Em breve aquela força vem e te empurra. Ou não.

Presente para o blog II

19 de setembro de 2011


Oi gente!

Ganhei mais um selinho para o blog. E dessa vez veio em dose dupla! É porque eu ganhei o mesmo selinho dos blogs Sonhos Entrelaçados e Cinderela ao contrário. Lindo né?!


Quem criou o selo foi a Gaby do Cinderela ao Contrário e como regra, ela pedia que eu indicasse cinco blogs. Mas tem tantos blogs lindos por aí, que isso não é justo. Por isso, eu vou deixar ele em aberto aqui pra quem quiser pegar e divulgar algum blog bacana para os leitores.

Muito obrigada Ana Luisa e Gaby! Adorei. (Ah! O blog das meninas também são um charme. Vale a pena conferir.)

Beijos.


UPDATE: Dose tripla! A linda da Gabriella Rocha do blog Letras do Céu também me presentou com o mesmo selo. Obrigada, linda!

Sobre tudo que transcorre sob auxílio do destino

13 de setembro de 2011



Se fosse para falar, eu preferiria calar. E se for pra insistir em mais um erro, eu preferiria nem ter começado. Inútil mesmo é saber que tudo vai chegar ao fim e ainda assim continuar agindo como se fosse eterno. Aprendizagem é perceber tudo isso e realmente tentar fazer ser eterno. Porque querendo ou não, é. Mergulhar de cabeça dói muito mais do que só molhar os pés. Mas em compensação, sentir a alma sendo lavada é muito mais gratificante do que só sentir as pontas dos dedos.

Porque tudo sempre passa e se não passou, ainda vai passar. E acreditar no fim, ainda no começo é como infelizmente se segurar diante de toda uma história. Palavras sem nexo, eu hei de concordar. Mas aceitar que se é feliz mesmo sabendo da condição do não-eterno é como lá no fundo dizer que o amadurecimento vem.

Sem pressa, sem medo e sem receios. Tudo que vem, um dia tem que ir. E isso já deixou de ser mistério. Mistério é aceitar a condição errônea do pra sempre, sem ao menos ter a oportunidade de senti-lo. Mistério é perceber que não se pode tentar entender - algumas coisas sempre acontecem simplesmente porque tem que ser assim. A triste lucidez só destrói. Ela não retém e pelo contrário, só repele. A lucidez amorosa (ah, como eu queria vivê-la!) é a chave de quase tudo nessa vida. Saber que se tem um fim e ainda assim arriscar viver. Afinal, se não for assim, quem viverá por nós? 

Só mais uma carta sem sentido algum...

6 de setembro de 2011



O jogo virou e eu estou de ponta-cabeça. A confusão se inverteu e agora, eu me encontro completamente muda a mercê de todos os acontecimentos. Porque isso nunca fez parte do que um dia eu planejei. Isso fazia parte do que você um dia quis por nós dois. E eu, pobre de mim, sempre estive tão firme no chão que não me permiti sentir um dia sequer. E se senti, foi completamente contra meu querer. Aliás, senti porque um dia quis que você sentisse por nós dois. Amar por dois deve doer, né?

Sinto muito se é assim que tem que ser. Você sempre soube que se não fosse pra me fazer voar, então era melhor você nem tirar meus pés do chão. Por pura teimosia, foi o que fez. Abraçou-me tão forte e nem me presenteou com asas. Usei das tuas enquanto pude. E agora, que não posso mais, não sei o que fazer. Você levou o que de melhor eu mantive e em troca deixou toda sua saudade. Saudade, aliás, de uma vida que viveu sozinho (ou por dois, como preferir.).

Sinto muito por saber que teve que ser assim. Sabe como é, me faltou estrutura e você, em contrapartida, nunca se preocupou com tal condição. Diferenças a parte, você é o culpado. Dizer que simplesmente agiu sozinho nesse complô que nos destruiu pouco a pouco é melhor do que assumir a condição de que fui responsável por jogar ambos em um buraco sem volta. Não foi assim. Não quero acreditar que foi assim.
Sem mais lástimas ou pedidos. Já era hora de você ir.

De um anjo com asas cortadas, Cady

Eternas lembranças...

3 de setembro de 2011



Naquele vento frio que batia lá fora, tudo que ela conseguia sentir era sua espinha dorsal se arrepiando lentamente. As lembranças de ontem ainda eram vivas e, para tanto, ela ainda se sentia zonza. Nada que tivesse sido errado ou contra sua vontade. Havia sido mágico, único e ela, de fato, precisaria de uma boa noite de sono agora. Finalmente sozinha, ela percebia que acorrentar dois corações requer muito mais esforço do que simplesmente entrelaçar dois corpos e que, acima de tudo, era também muito mais recompensador.

Reviver as lembranças como se estivessem acontecendo em tempo real era algo que ela conseguia sem esforço nenhum. Até porque, elas faziam parte de um pequeno grupo de situações que provavelmente ela jamais esqueceria. Se fechasse os olhos, tudo voltaria à tona. Era simples. Ligar uma música já era capaz de fazer esses momentos se tornarem eternamente únicos. Porque agora, eles já eram eternos.

Diante de todas aquelas promessas e pensamentos e nitidamente perdida, ela se levantou e em passos lentos caminhou até a porta, certa de que iria atrás da pessoa responsável por todos aqueles sorrisos. Sem arrependimentos ou receios. Iria atrás do amor, sem nem sequer olhar para trás. 

Perfeita sintonia

24 de agosto de 2011


Certeza. Dúvidas. E a improbabilidade do talvez. Não, não dava para acreditar. Sua cabeça revirava pensamentos antigos e custava a entender que aquilo era verdade. Seu coração acelerava e suas pernas tremiam, agora não mais de frio. Suas mãos, mesmo geladas, suavam de calor. O vento não congelava mais ou se soprava gelado, ela não conseguia sentir. Ela só ouvia uma voz dizendo o quanto ela queria tudo aquilo e que não podia recuar agora.


Seu coração pulsava forte, seus olhos brilhavam e ela só sabia sorrir. Mesmo tremendo, ela seria capaz de passar a eternidade assim. Sua cabeça ainda não acreditava quem estava em sua frente.

Os olhos de ambos se encontraram e, quando ela percebeu, sua mãos envolviam o pescoço do rapaz assim como os braços dele envolviam sua cintura. Ela sorria e nessa hora ela sentia seus olhos embaçarem e borboletas voarem em seu estômago. Eles estavam bem e seus olhos estavam fechando. Entravam em sintonia, em perfeita sintonia.

Simples assim

20 de agosto de 2011


''Sou uma ótima companhia para mim mesmo, adoro ficar sozinha, lendo, escrevendo ou fazendo o meu nada. Prefiro me afundar em mim a ter que ouvir gente falando merda ou contando vantagem.'' (Fernanda Mello)

16 de agosto de 2011


Acabou de sair meu post da semana lá no Depois dos Quinze!
" (...) Ensinou-me que pessoas se somam e não se completam como acham por aí. E me mostrou a sutil diferença entre acorrentar o coração e somente entrelaçar os corpos. Porque nós, todos nós, somos inteiros e não precisamos de ninguém que nos complete, porque já somos completos por si só. Não precisamos nos subtrair diante de alguém, porque se for pra sentir, então que seja algo que acrescente beleza à vida. Porque se somar é compartilhar. Completar é assumir que nos falta um pedaço – situação que de fato não ocorre."

Egocentrismo

12 de agosto de 2011


Sou movida por palavras e ações. Sou movida por sentimentos e estes transbordam toda vez que meu coração pensa ter sentido algo. Essa parte que transborda, eu as transformo lentamente em palavras, muitas palavras. Não sou boa pra desenhos e tenho um lado procrastinador. Não sei mentir, não sei guardar rancor e não sei fazer vingança. E isso é bom, né?! Não sei fazer mais um tanto de coisa e ainda assim a sociedade quer que eu faça.

Não curto música alta e nem curto a maioria dessas músicas da moda. Não gosto de filmes e nem de clipes musicais. Não me encaixo nos padrões. Sou alta demais e organizada de menos. Não tenho paciência com gente chata e nem tolero mentiras. Contento-me com música baixa, livro na mão e chuva lá fora. Gosto de silêncio no fim da noite, beijo na testa e abraço no frio. Gosto quando me fazem rir. Choro com facilidade e irrito na mesma proporção também. Não gosto de nada que leve cálculos e nem tempero demais. Não tenho muita paciência com as pessoas e, de longe, sou a pessoa mais temperamental que eu conheço.

Com o tempo, aprendi a escrever com o coração. Não entendo muito da vida, mas deixo uma parte de mim em cada trecho que escrevo como forma de eternizar aquilo que sinto e perceber o quanto me importo. Porque eu sempre me importei e sempre passei pela vida tentando inventar jeitos de dizer como eu me sinto. E então, como quem não quer nada, eu passei a detalhar cada parte que penso ser de mim em forma de escritos. Inúteis ou não, fazem parte de mim e me permitem seguir.
Sou só um pedaço de um quebra-cabeça. As outras peças, eu ainda estou para achar.

Sobre portas e oportunidades

7 de agosto de 2011


Não sei como funciona. A vida às vezes abre portas imprescindíveis, dessas que a gente não deve olhar para o lado e pensar em evitar. Não sei muito, mas sei que toda vez que via essas portas abertas, eu ia logo entrando de intrometida e vendo no que aquilo poderia dar. E eu nunca me arrependi.

Elas não são de ficar muito tempo abertas, mas quando uma se abre, devemos colocar em prática todos aqueles pensamentos rápidos que passamos uma vida inteira planejando, só pra decidir se vale à pena ou não. Não conheço muito das oportunidades da vida, mas posso afirmar que ela me abriu diversas. Contraditório? Um tanto sim. Mas quem vai me dizer que a vida não é?

Geralmente, a vida não abre todas as suas portas de uma só vez. É gradualmente que as coisas funcionam, como um jogo de quebra-cabeça. Desses que a gente leva uma eternidade pra conseguir achar e montar as peças e se enche de orgulho no fim. É mais ou menos isso. Essas portas, oportunidades ou como preferir chamar são criteriosamente selecionadas e se a dúvida te escolheu é porque, de fato, ela sabe que você é capaz de se decidir. E se errar? Se errar, errou. Erros constroem uma vida assim como as tentativas também.
Agora, vai lá e tenta. Não deixa aquela porta se fechar não. Se agarra na oportunidade e não deixa ela passar. Corre que ainda é tempo!

Pobre anjo

3 de agosto de 2011


Ela havia feito parte de uma sucessão de acontecimentos bons na vida dele. Ele era só mais um que apareceu por acaso e que ela fingiu gostava. Fingiu tão bem que acabou de fato gostando e sofrendo. Eles haviam feito parte daquilo que chamamos de um casal meramente desproporcional, mas que poderia dar certo. Eram comuns, insanos e viviam loucamente cada segundo de paixão. E no fundo, havia sido mais pele do que coração que os uniu. Era ardente, mas talvez nunca houvesse sido sincero. Eram só mais um casal na expectativa do ‘pra sempre’. Um ‘pra sempre’ que nunca viveram.

Às vezes, anjos aparecem na nossa vida e nos mostram outro caminho. Outras, pessoas comuns fazem parte só para tirar nossa atenção de algo relativamente ruim e focar-nos em outra situação pior ainda. Foi ela quem o livrou do pior e havia sido ele que a jogou num abismo sem volta. E diferentemente de muitos casais, eles não haviam sido exatamente iguais na tal relação. Ele havia feito parte do seu pior e reconheceu a mudança que ele havia aderido. Quando tudo chegou ao fim, ela tinha se tornado parte do que prometera nunca se tornar. Ela tinha sido seu anjo, mas acabou jogada as traças a espera de mais alguém que precisasse de ajuda.

Sobre a vida e todo esse comodismo

2 de agosto de 2011


Nunca aceitei permanecer igual e nunca quis aceitar as imposições da vida esperando pela mesma passar. Sabe aquela necessidade de mudança? Sempre houve muito dela dentro de mim. Vai ver, isso justifica as milhares de vezes que mudei inutilmente e me arrependi depois. Ou justifica o fato de ser cabível a mim a maioria dos adjetivos que compartilham do prefixo in. Inconstante, indecisa. E nunca entendi o porquê de algumas pessoas gostarem de permanecer sempre no mesmo patamar social, pessoal e emocional. Gente que passa pela vida exatamente na mesma situação e, ao contrario do que parece, espera as mudanças caírem do céu.

Mudanças, seja pra melhor ou pior, não vem aos montes em um só dia e não aparecem simplesmente porque devem surgir. Sabe aquele clichê que diz que somos donos da própria vida? Então. Somos donos da nossa própria mudança. E cabe a nós, somente a nós, aceitar que é possível ou não viver para sempre estagnado no mesmo lugar.
E se agrada viver a mercê do comodismo, quem sou eu para julgar. Mas eu sinceramente espero que as pessoas um dia gostem muito mais de mudar e de serem responsáveis pela própria ordem dos acontecimentos vividos. Afinal, que culpa tem o destino se de fato é nós que vivemos?

Te encontrei

23 de julho de 2011


Hoje eu acordei pensando em você, assim como tenho feito nesses últimos meses. Hoje eu sei que posso te ligar a qualquer hora e sussurrar que te gosto tanto, assim como temos feito. Hoje eu sei que tenho alguém e hoje eu sei que entrego todo esse sentimento na mesma medida e até com mais intensidade, sem pedir nada em troca.

Temos defeitos, admito. E anulá-los é como hipocritamente dizer que não me importo. Mas perceber que tento cada vez mais melhorá-los e te provar que juntos podemos fazer a diferença não tem valor melhor pra mim.
Te achei e prometo não te perder de vista.

Conto de fadas às avessas

18 de julho de 2011


Nossa história tinha tudo para estrelar o próximo conto de fadas. Éramos perfeitos um para o outro e bastava que estivéssemos juntos, mas você, como aquele péssimo ator que tenta roubar a cena, de príncipe encantado virou o bandido que rouba o coração da princesa e atrapalha todo resto da história. O coração em questão? O meu. E você atrapalhou a história porque, ao contrário do que se pensava, você roubou meu coração e em troca, não me deu o seu. Diferentemente dos contos de fadas conhecidos e do que achei que fôssemos viver, ninguém nunca foi atrás da peça roubada, você nunca voltou arrependido e, conseqüentemente, nunca tivemos nosso “felizes para sempre”.

Essa história sempre me pareceu aquele conto de fadas distorcido e eu não fui somente a vítima. Nunca entendi o porquê de você ter ido embora, sinceramente. Então, passei a concentrar meus dias naquele vácuo que você havia deixado dentro de mim. Pouco a pouco fui aprendendo a caminhar sem suas pernas para me apoiar, o que de fato, foi meu maior erro. Sem querer, me vi dependente de você e aquela história de amor hollywoodiana foi por água abaixo.

Como uma princesa que tenta se recompor, eu refiz meus passos e a minha vida. Juntei o que você havia deixado de mim e joguei fora tudo que restava de você aqui. Passei a odiar seu nome e tudo que falavam sobre você. O mundo conspirava ao nosso favor, mas eu simplesmente ignorei qualquer pista que um dia isso fosse dar certo. Como pude ser tão ingênua?

E, como boa princesa que se preze, recuperei o reinado e conheci outros príncipes. Não que esses me fizeram voar como você havia feito, mas foram o suficiente para me fazer ver que no fundo quem havia saído no prejuízo foi você. Ah, e sabe aquele coração que você roubou? Pois bem, existe outro no lugar agora e esse, pode ter certeza, não tem nem um pedaçinho seu.

A última tentativa

14 de julho de 2011

Dias desses, eu tinha uma lágrima pronta no olho. Dessas que vem bem no canto e que você nem sabe o motivo pelo qual chora. Dia desses, você me ligou dizendo que me amava, mas que tinha que ir. E eu não gritei, não chorei e nem sequer sorri. Mantive-me apática por todos os dias que eu esperava indiscutivelmente por uma ligação sua. E quando eu descobri que não ligaria, eu também descobri o porquê que todos os dias durante a noite, naquele mesmo horário que você costumava me ligar, havia um choro esperando para sair.


Então, eu desviei o olhar e juntei todos os seus presentes numa caixinha velha, dessas que a gente logo vai jogar fora. Veio uma dor tão forte, que eu refiz todos os nossos momentos mentalmente e quis te tomar no colo e sussurrar outro eu te amo, como naquele dia. Como em todos aqueles dias.

Perdoe-me por isso, mas você precisava ir. Livrei-me de toda parte de você que ainda havia dentro de mim e estou indo tentar viver minha vida. É só uma tentativa qualquer(quem sabe a última, não é?), assim como aguardo a sua tentativa de retorno. Enquanto isso não acontece, sinta meus braços quentes te envolvendo e um beijo simples para alegrar seus dias.
De alguém que se odeia por te amar, Cady

Você já parou para se olhar no espelho hoje?

12 de julho de 2011

Se ainda não fez isso, te aconselho a ir correndo para lá. Olhe atentamente para o que vê e se prenda a detalhes curtos, como uma linha de expressão, o contorno que sua boca faz quando você sorri, o jeito que levanta os olhos quando tenta passar o batom ou até mesmo aquela manchinha na bochecha que você sempre julgou, mas que na verdade é um charme.


Não é sempre que a gente se dá conta, mas às vezes a gente tem que entender que devemos olhar para o espelho e ver que o que está ali é o que você tem de mais importante. Perceber que não importa se o reflexo está embaçado ou se você não gosta do que vê. O que importa na verdade é que aquela pessoa ali no espelho é a pessoa mais importante que existe e que ela, somente ela, pode te tornar a mais feliz do mundo.

Vá e faça algumas caretas. Descubra novas formas de sorrir, de olhar, de inclinar o rosto. Treine palavras, cante. Dance loucamente na frente do espelho e perceba como é linda a arte de ser simplesmente você. Aprenda a gostar do que está refletido e pouco a pouco você vai notar que muito mais do que sua pele e seus detalhes físicos, o que está ali é a sua alma e que o resultado de quão boa ela é, é perceptível nos seus olhos e no seu sorriso.

Orgulhe-se do que é e do que você reflete para o mundo. Sinta-se plenamente satisfeita consigo mesma sem se preocupar com o resto. O resto, como eu sempre costumo dizer, é resto e consequentemente, não é nada importante.

Dança comigo?

7 de julho de 2011


Eu me perdi e saí em busca de mim mesma. Encontrei-me em você e percebi que cada vez que me acho mais em ti, te encontro cada vez mais em mim. Colocamos a solidão (mais necessariamente, a nossa) para dançar e essas, sob coincidência e consentimento do destino, foram embora juntas. Inevitavelmente, permanecemos aqui, descobrindo um ao outro.

De braços dados, decidimos enfrentar o que fosse necessário. Você me fez buscar-te e sem perceber, veio ao meu encontro. Hoje, arriscamos alguns passos juntos e agora almejamos a eterna dança em busca da cumplicidade da alma. Agora venha e me dê à mão. Dança comigo só mais essa noite. Vamos fazê-la durar eternamente, se preciso.

Sem conseguir duvidar

28 de junho de 2011

Sempre acreditei que o fato de eu me apegar facilmente às pessoas um dia fosse me fazer mal. E tenho medo de que essa afirmação um dia se torne real. Eu sempre acreditei que meu maior erro ainda seja acreditar demais sem propor olhares duvidosos ou perguntas com segundas intenções. Sempre acreditei no que me disseram, no que me mostraram e nas mentiras que inventaram. E eu sempre descobri que mais uma vez, assim como minha razão tentou avisar, eu tinha errado.
Pode não parecer, mas eu às vezes vou embalada na primeira frase bonita que vejo por aí. E depois descubro quanta coisa ruim esteve por trás de cada frase mal interpretada e mentirosa que um dia eu escutei. Até que por fim, cansada de tanto quebrar a cara, eu passei a duvidar das pessoas que eu deveria acreditar e continuei a acreditar nas mentiras que certas pessoas me diziam.
Eu aprendi a ler os olhos de alguns e a acreditar nas dúvidas de outros. E passei a questionar. E a construir barreiras de prevenção contra qualquer um que tentasse em vão me fazer crer em supostas verdades. E pra ser sincera, essas barreiras nunca deram muito certo.
Não sou uma boba que acredita na primeira pessoa que me aparece. Não mesmo. Julgo-me um pouco esperta, mas ainda um tanto ingênua. Eu acredito nas pessoas e na capacidade que cada um tem de mudar e fazer melhor, mas nem sempre as pessoas acreditam em si próprias e eu tento, algumas vezes em vão, provar que, na verdade, se trata do contrário.
E essa parte que não gosta do fato de eu me apegar facilmente às pessoas, tenta por diversas vezes me dizer que não. E eu, na esperança de ser diferente, digo que sim. Vou construindo ciclos e aprendendo com as verdades do mundo. Acreditando e me apegando. Vivendo e aprendendo. Duvidando e questionando.

De quantos “para sempre” uma pessoa é capaz de viver?

25 de junho de 2011


Se o “para sempre” fosse realizado, ninguém gostaria de, de fato, vivê-lo. Imagine conviver com algo até o fim de seus dias, sem a mínima possibilidade de viver algo parecido ou completamente diferente em outros momentos de sua vida? Imagine compartilhar de toda essa experiência com uma única pessoa sem a opção remota de conviver e aprender com outros amores? Pois bem, o para sempre não poderia ser realizado, porque se não seriamos obrigados a conviver com algo repetitivamente por todos os dias de nossa vida sem a menor chance de mudarmos e sermos diferentes.
Já pensou também se os sentimentos nunca chegassem ao fim? Se todo amor que você diz sentir nunca esfriasse te privando da alegria de viver outros momentos e outros sentimentos com outras pessoas? Já pensou se nós vivêssemos para sempre? Sempre acreditei que melhor que todos os “meios” de tudo que podemos viver, existe o começo. A dúvida do tempo, a certeza de um início e as descobertas de algo completamente novo. Para que se estagnar na perspectiva de conviver eternamente com tudo exatamente igual? Que graça teria a vida?
Os dias sempre hão de passar de um jeito ou de outro e os milhares de ciclos que nossa vida forma hão de repetir quer você queira ou não. Porque o amor tem seu fim. E tudo isso que a gente vive também vai acabar mais cedo ou mais tarde. Aproveitar o “enquanto dure” é melhor do que concentrar-se no fim ou acreditar que vai ser pra sempre. Porque nunca é.
É para sempre enquanto continuar a existir e virão milhares de outras eternidades por toda sua vida, cada uma com seu tempo e com sua intensidade estabelecida pelo tempo que nosso coração mandar. As coisas mudam, os sentimentos acabam e as pessoas constroem “para sempre” todos os dias. A gente nunca quer que um capítulo se encerre, mas acreditar que continuar parado exatamente no mesmo lugar e na mesma situação seja a melhor saída não é uma opção interessante. E disso a gente sabe.
Vivemos de quantos “para sempre” nosso coração aguentar e nossos sentimentos permitirem. Não fomos feitos para sermos tachados de eternos. Somos feitos para fazer durar e mudar sempre que for necessário. Somos formados de infinitos “para sempre” que terão seus términos definidos assim que nosso inconsciente achar que basta. E ele, você acreditando ou não, sempre sabe a hora de dizer que acabou.

Intermináveis lembranças de uma noite vazia

16 de junho de 2011


Hoje a lua me fez lembrar de você. E daqueles momentos em que nos embebedávamos de risos completamente embalados pelas noites de céu estrelado. Me fez lembrar daquele olhar lindo que me dava a certeza da eternidade mesmo que só por aquela noite. Para mim, aquelas sempre seriam as últimas, mas você acabava me ligando dois ou três dias depois me convidando como quem não quer nada e alimentando minha ilusão na esperança de que um dia eu seria única. E mesmo que me doesse, eu sabia que nunca fui e que nunca ocuparia um lugar singular nessa sua vida que você julgava vazia o suficiente para precisar de mim.

Eu nunca precisei de você e nunca vou entender porque você sempre quis me esconder do mundo. Eu te queria como quem quer algo de mais importante, mas você me quis esse tempo todo só no silêncio. Até o dia em que eu, inocentemente, te disse não. E eu sei que aquele "não" te soou de forma tão inesperada que você nunca mais me procurou e simplesmente desapareceu de vista.

E eu comecei a ocupar meus dias tentando entender o que afinal aconteceu com você. E continuei assim, passando pela vida me lembrando de tudo que um dia vivemos juntos. Pensando em como agora eu poderia ter sido, de fato, única se eu não tivesse dito aquele não para você há um tempo.

Hoje a lua me lembrou de tudo que um dia a gente viveu enquanto eu inutilmente esperava por você debruçada naquela janela. Hoje a lua me fez lembrar você e de como você escapou de mim como água que escorre entre meus dedos. Me fez ter saudade. E me fez perceber que essa saudade dói.

Pudera eu mudar nosso destino. Eu era o que alimentava o brilho dos teus olhos e o fazia enxergar melhor e, pra minha infelicidade, você nunca entendeu isso.
Deixa estar. Só gostaria de saber se está olhando a lua com a mesma certeza de que nós fazemos falta um ao outro. E o pior: sei que isso não está acontecendo.

Sobre aquilo que por anos fez meus dias mais felizes

13 de junho de 2011

Dia desses deu saudade. Saudade de uma porção de coisa que eu vivi a um tempo. Deu saudade das lágrimas que um dia eu derramei e do sorriso por qual fui tomada por todas as vezes que delicadamente fiz o que havia sido destinado a mim. Deu saudade daqueles abraços e daquelas gargalhadas antes dos encontros. Das bagunças durante as viagens e do cansaço extremo no qual eu me via quase que diariamente após uma longa jornada.

Não foi um trajeto fácil, mas foi extremamente recompensador saber que encerrei uma etapa orgulhosa de tudo que um dia fiz por tudo aquilo. Se eu pudesse, permaneceria eternamente assim, mas às vezes a vida aqui fora chama a gente de um jeito que não podemos tampar os ouvidos e fingir que não existe nada. E ela me chamou. E eu encerrei uma etapa e continuei. Derramando uma lágrima aqui e outra ali, mas eu continuei como alguém que espera encontrar outro caminho após uma mudança brusca de trajeto. E eu também encontrei esse outro caminho.

E passei a acreditar que a vida é feita de etapas que se encerram todos os dias. Etapas que eternamente serão lembradas independentemente do tempo que permaneceram vivas, até porque havia sido eterno. Foi eterno e ainda é. Ainda é meu tudo aquilo que vivi e eu ainda levanto todas as manhãs com a mesma garra e a mesma disciplina que me foi ensinada há muitos anos atrás. Eu ainda faço da vida uma dança bem ensaiada, mas cheia de improvisos porque vira-e-mexe eu e outras pessoas erramos alguns passos e perdemos o sincronismo. Aquele drama e aquela força de vontade ainda fazem parte de mim e me deixam seguir todos os dias. Aquele sorriso no rosto que me impedia de derramar lágrimas que demonstrariam toda minha fraqueza por detrás daquela sapatilha ainda se mantém de pé todos os dias que eu sigo.

Porque por mais que me doa dizer que acabou, eu me encho de vaidade por saber que valeu a pena. E me obrigo a esquecer todas as vezes que tive vontade de jogar tudo para o alto. Eu não desisti de um sonho, porque, de fato, acho que ele nunca foi. Eu encerrei uma etapa e fui viver outras experiências. Sem medo do arrependimento e sem medo do que estava por vir. Eu arrisquei no novo e me surpreendi. Foi eterno enquanto durou e eu aprendi a conviver com a saudade (que sempre me diz que encerrar esse capítulo foi o melhor que me aconteceu).

Simplicidade

7 de junho de 2011


E hoje eu sei, de fato, o que me define. Ou talvez penso saber. Sei tanto que às vezes sinto como se não soubesse de nada sobre essa tal de vida aí. Até porque, realmente não sei.

Essa vida lá fora exige tanto e eu, não vou mentir, gosto de ficar aqui olhando o sol lindo que brilha lá fora e imaginando quantas histórias existem por detrás de cada pessoa na rua. Não é que eu não viva. Pelo contrário! Vivo bem (intensamente) até demais, mas é que eu gosto de calma, sabe? Gosto daquela brisa que bate pela manhã quando saio delicadamente para ver os pássaros. Gosto de sentar abraçada no sofá e ouvir histórias no pé do ouvido. Gosto de dormir ao som de uma boa música e acordar com beijo na testa. Aprecio longas conversas e longos sorrisos.

Sabe, eu gosto do simples. O simples encanta e me basta. Afinal, quem precisa de muito pra ser feliz?

Insano

30 de maio de 2011


É insana essa sua vontade do nada. Do quase. Do talvez. É insana essa sua vontade do extremo e de todo esse contentamento fácil e inútil. E eu não entendo. Você saiu por aquela porta deixando uma saudade absurda e sem ao menos olhar para trás. Você nem viu, mas eu chorei aquela noite como uma criança que, sem noção nenhuma do que é viver, chora por uma coisa tão pequena, mas tão importante. Você havia conseguido o prêmio máximo que alguém poderia ter de mim: eu te dei minhas lágrimas numa taça de puro orgulho e tristeza, e você as bebeu com tanto prazer que não soube sequer dizer tchau quando decidiu juntar suas coisas e abandonar a nossa vida.

E a minha? Diz-me o que eu faço agora. Você levou quase meu inteiro e eu me acostumei com esse sentimento vazio que me prende toda vez que me lembro do que você foi pra mim. Eu sento no sofá todos os dias com sua foto na mão e a lágrima no olho. E pego aquele seu suéter que você deixou aqui em casa e o visto na esperança de nunca deixar sua lembrança morrer, porque assim, eu também estaria morta. E eu sigo fazendo o sentido figurado de quase tudo que eu tento tocar em frente.

Você não voltou para me dar notícias. Esperei-te por um ou dois dias e você não voltou. Passei a ocupar meus dias pensando sobre tudo que eu possa ter representado pra ti e tudo que você fez por mim enquanto eu tentava desesperadamente te mostrar o que é o amar. E você, no ato mais simples que alguém pode cometer, virou as costas e se foi. Se foi pra nunca mais.É insano demais pensar em como tudo pode ter realmente decorrido. (reparou como gosto de usar a palavra ‘insano’? É só pra frisar que nosso amor também havia sido assim. Havia – verbo no passado. Eu estou bem e acho que aquele travesseiro ainda tem seu cheiro.)

Outro dia comprei um bolo de prestígio e guardei na geladeira para você vir buscar. E você não veio. E eu segui. Continuei vivendo a mercê de tudo isso que você me proporcionou e agora eu estou aqui sentada (naquela mesma mesa que diversas vezes te vi parado lendo algum livro) escrevendo uma carta na esperança de que esse papel antigo, mas com tanto sentimento te repasse tudo que eu não consegui te oferecer em anos. E mais uma vez eu digo: eu estou bem.

De alguém que trocaria todo o passado por só mais um pedaço de futuro ao teu lado,
Cady

Sem fugir do clichê

23 de maio de 2011


Me tornei colaboradora do blog Sincefor também. :D
Esse texto foi meu primeiro post lá no outro blog.
O link do Sincefor está no fim da página.
 
Eu poderia tentar fugir do banal que é falar sobre tudo que a vida me ensinou ou sobre tudo que ela tenta me ensinar, mas ela insiste em me surpreender a cada minuto que decorre nesses dias. Eu poderia falar do que é viver nessa sociedade que exige mais e mais a cada dia, mas aí eu permaneceria em volta de todo esse eterno clichê que todos nós tentamos fugir em quase todos os momentos.



E fugir desses tormentos sociais e de tudo que a vida tenta nos ensinar é um tanto errado, afinal a vida se torna uma eterna aventura a partir do momento que não temos medo de ousar em nossas atitudes e enfrentar tudo isso. “E aceitar que a vida não vem com manual de instruções” como já dizia Martha Medeiros.

A vida é simples, bem simples. Não tente tornar a sua complicada. Aprenda que sua felicidade depende única e diretamente de você e que os outros são os outros. E que esses milhares de rótulos que a sociedade tenta impor não devem influenciar no sorriso estampado em seu rosto. Desistir pelo o que te faz feliz não é viver, é se render a uma sociedade um tanto estereotipada. Sonhar nunca é demais e saber a linha tênue que deve existir entre o imaginário e o real é mais do que necessário. Respeitar (os seus) limites. Respeitar os limites do próximo. Acreditar em si própria e duvidar da maioria. Tampar ouvidos para conselhos inúteis e tomar a frente da situação. Aceitar que o tempo sabe o que faz e que todas essas dúvidas que nos aparecem só aparecem exatamente porque somos preparadas o suficiente pra decidir com firmeza. Mesmo que seja o maior equivoco da nossa vida. Aprenda, também, que nada é tão grande que possa ser o “maior da nossa vida” ou tão forte que dure para sempre.

Isso todas nós sabemos, mas esquecemos de colocar em prática diversas vezes. E essa vida aí fora é dos que arriscam, dos que tentam e dos que são fortes o suficiente para erguer a cabeça, olhar para trás com saudade, mas com toda vontade e ação de quem quer seguir em frente. Fugir do clichê? Que nada. Essa é a vida. Ninguém disse que é fácil, só que vale a pena tentar.