06 janeiro 2015

Sobre amores e cadeados

Dia desses vi na televisão um casal escrevendo o nome dos dois em um cadeado e o prendendo em uma dessas pontes famosas pelo mundo. Depois disso, ela jogou a chave em um lago e deu um beijo em seu companheiro. Senti o braço arrepiar e balancei a cabeça negativamente. Cadeados e amor não combinam. Um objeto de ferro, pesado, feito para trancar portas e grades sendo símbolo de um amor que deveria ser livre e leve. Como pode?

Fiquei me perguntando que tipo de amor precisa de um cadeado como símbolo de “eterno”. Que tipo de amor é esse que te faz querer a pessoa presa eternamente à você. Que tipo de amor é esse que você quer eternizar em um objeto feito para trancar gaiolas. Que tipo de amor eu quero para mim. Que tipo de amor você quer para você.

Não sei muito sobre amor. Quase nada, confesso. Mas, de tudo que sei, me resta uma certeza absoluta: não quero um amor que escreva meu nome em um cadeado e jogue a chave fora. Quero um amor livre. Quero estar do lado de alguém porque eu estou escolhendo ficar, todos os dias, em todos os momentos. Quero um amor que escreva nosso nome na areia e deixe o mar apaga-lo pouco a pouco e que leve nosso sentimento pra imensidão do oceano. 

Deus me livre de um amor que coloque nosso nome em um cadeado. Amém.

29 novembro 2014

Adeus, querido

reprodução/we heart it
Hoje, coloquei um ponto final. Chega disso. Coloquei um fim no que só me trouxe dor, desgosto, sofrimento e ilusão. Voltei para casa com raiva. Não chorei, não sofri com o nosso adeus. Dei os ombros para você e repeti "tanto faz" em minha mente até realmente consegui sentir por você o que sempre sentiu por mim: indiferença. Não sinto nada. Nada mais. Acredito que meu processo de desamor começou muito antes do que você é capaz de imaginar. E por isso foi tão fácil assim sair da sua vida como quem muda de rua de uma hora para outra. 

Nossa despedida foi incrível. Bem melhor e bem menos cruel do que um dia eu fui capaz de acreditar. Não teve choro. Não teve drama. Não teve ódio escorrendo pelos olhos. Mas teve pele arrepiada. Cabeça nas nuvens. Felicidade transbordando em cada detalhe daquela noite. Eu dormi em seu peito. Apenas. Adormeci escutando nosso corações em perfeita sintonia. No fim, não sabia mais qual era o seu coração ou qual era o meu. Eles batiam forte. Muito forte. E compuseram juntos a música mais linda que ouvi na vida. Na vida. E acabou.

Você já pode dizer para as pessoas. Conta que elas sempre estiveram erradas, que não foi nada tudo que a gente viveu e que acabou. Que toda torcida pela nossa felicidade foi em vão. Conta que eu também estive errada e que você foi o único certo dessa história. Diz que também não restou nem amizade, mas não conte os nossos motivos. Me deixa ficar como cruel, no fim das contas. Me deixa ser a garota que virou as costas para um inocente que tanto gostou de mim. Apenas dessa vez.

E conte comigo apenas para guardar os segredos que um dia me contou, meus choros escondidos, tamanha humilhação que vivi por você. E não se preocupe porque eu já estou bem. Apenas te deixei para trás. Hoje, coloquei um ponto final em nós. E não te devo agradecimentos por tudo que vivemos. Pelo "quase" que fomos. Quero mais é que você vá para o inferno.

31 outubro 2014

Sobre fingir e não simplificar

Foto: We Heart It
Fingi que não te vi. Passei correndo do seu lado para não chamar muita atenção, mas vi quando virou a cabeça e levantou a mão como se fosse falar algo. Olhei para trás bem rápido e lá estava você, com a mesma cara de sempre. Cara de quem não sabe como dar o próximo passo. Cara de quem não sabe se fica ou se vai. E é esse o seu problema. É muito gesto e quase nada de atitude. Nem palavras você ousa dizer. Nem nos seus olhares você deixa transparecer. Se tivesse gritado, eu teria voltado. Se tivesse me segurado pelo braço, eu teria olhado em seus olhos. Se tivesse corrido junto comigo, eu teria deixado você ficar do meu lado.

Fingi que não te entendi. Ignorei todas as mensagens subliminares que deixou pelo caminho como forma de pedir que fosse mais explícito, mais sincero. Fiz que não entendi os abraços, os sorrisos, as meias palavras ou as meias atitudes. Mas sei que não consegui. Não consegui porque sei que sou muito mais clara do que você e meu meio olhar basta. Bastou eu sorrir e você já entendeu tudo que quis dizer. Eu sei. Eu sei.

Fingi que não me importei. Mas sonhei que me explicava cada detalhe de cada coisa que um dia você tentou falar. Voltei para casa com uma interrogação pairando sobre meus pensamentos e uma vontade imensa de só sair do seu lado quando você soubesse ser menos metódico e muito mais simples. Também não funcionou esse teatro de não me importar. Porém, enquanto não decide o que faz, ter você ocupando minha mente me impede de pensar em muitas outras coisas - ache isso bom ou não.

Fingi. Ou tentei fingir, não sei ainda. Mas sei que sabe muito (ou tudo) sobre qualquer coisa que eu vá tentar esconder. E enquanto tento te impedir de perceber a verdade, continuo torcendo para que você seja menos complicado e queira simplificar tudo. Apenas.
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