Você que nunca sai de mim

15 de fevereiro de 2017

Foto: We Heart It
Passar pelos mesmos lugares que um dia nós andamos ainda é capaz de mexer com minhas estruturas. Você foi. Eu também fui. Mas eventualmente as lembranças me pegam pelo pescoço e me obrigam a lembrar de você. Não é de propósito. Nunca é. Mas sempre olho para esses locais com carinho e vejo nós dois juntos como se estivéssemos parados na cena - estamos correndo para pegar um ônibus, estamos naquele restaurante esperando o nosso almoço, estamos atravessando a avenida movimentada. Simplesmente estamos.

Hoje eu acordei e, por um instante, acreditei que você estivesse ao meu lado. É que a gente se encontrou essa noite. Depois de tantos anos, eu te beijei. Abracei. Perguntei como é que você estava. Vi o seu sorriso, ouvi o som da sua gargalhada – aquele barulho que eu morro de medo de esquecer um dia. Percebi que você estava mais vivo do que nunca em mim. E fui. Embora, para fora, seguir minha vida. Acordei do melhor sonho que tive com você nesses longos anos, porque, tenho certeza, foi o que eu estive mais perto da vida que um dia nós tivemos.

É que, apesar do tempo, essas lembranças são bem fortes em minha mente. E eu não sei o que poderia acabar com isso. Qualquer sinal de você, qualquer música, qualquer cheiro ou qualquer lugar me lembram do que um dia nós fomos – e do quanto eu gostaria que ainda fôssemos. E isso, meu amor, é o suficiente para nos visitarmos durante a noite. Quer você goste ou não.

Entenda: eu nunca desejei que ficasse. Que permanecesse. Que fosse parte da minha rotina diária. Eu nunca, sequer imaginei que você ficaria contra a minha vontade. Ficaria em minha mente, no caso. Então, eu me concentrei em te esquecer. Mas nada disso foi possível.

Você continua vagando por entre os meus sonhos, o som da sua risada ainda está no meu pé do meu ouvido e eu ainda sou capaz de sentir seu cheiro, vez ou outra, nos lugares onde eu estou e você sequer passou. O chão ainda some dos meus pés quando penso em você e o coração ainda aperta quando sei que não vai voltar. Mas sabe de uma coisa? Você está bem e é isso que importa.

Amar tem dessas coisas, não é mesmo? Te quero bem, acima de tudo. Mesmo de longe. E, eu sei, você nunca vai sair de mim, meu amor. Mesmo que eu ainda passe nos lugares de sempre. Você, nunca.

Adeus, amor

8 de fevereiro de 2017

Foto: We Heart It
Me afastei. Não por falta de amor, não por falta de vontade, não por desejo de simplesmente mudar. Me afastei por sofrimento. É que eu, meu bem, não aguento mais quem gosta dizendo e não fazendo. É que você sempre foi muita voz e pouca ação. Isso me sufocou por um tempo, deixou marcas, feridas, cicatrizes até que eu finalmente disse “chega” e dei um basta.

Eu sei que isso é muito mais reponsabilidade minha que sua. Compreendo minha parcela de culpa. Sei que é muito mais a minha expectativa do que você por completo. É muito mais o que eu sonhei do que o que você quis fazer de fato. Acontece que eu me atropelei por você. Passei por cima dos meus amigos, da minha família e cansei de achar que lá na frente isso ia ser diferente. Sendo que, na verdade, nunca foi e nem ia ser. Te amo de tantas formas que simplesmente não consigo mais.

Então, depois desse tempo todo, eu descobri que eu não preciso lutar sozinha por esse relacionamento. Por nós. Ou por você. No fundo, eu tenho certeza que mereço muito mais que alguém que tem medo de que essa história dê certo. Que tem medo de se entregar. De ultrapassar barreiras. De viver nós dois. Hoje, essa verdade dói, meu amor. Dói muito. E eu sonho todos os dias com o momento em que isso vai parar de doer. Para sempre.

Eu sei que você está aqui. Sei que sempre esteve. E o problema é exatamente esse. Somos um casal sem sermos um. Temos uma história sem termos uma história. Você entende? Eu cansei de viver algo que simplesmente não pode ser vivido porque você não quer. Cansei de continuar alimentando em mim algo que só eu vivo. Eu sei que você quer. Eu também quero muito, mas eu não posse mais me sacrificar nessa história patética que estou criando sozinha em minha mente.

Eu não entendo mais o seu medo. E cansei de esperar mudanças. Neste momento, saiba que está me perdendo porque eu, meu bem, não aguento mais.

Me deixa conhecer vocês?

6 de fevereiro de 2017

Quem me acompanha aqui sabe que o blog já passou por algumas pausas. Geralmente, elas aconteciam porque eu me sentia mal ou não tinha muito tempo para atualizar o blog. Esse ano o blog voltou com tudo e cada dia que passa eu quero aperfeiçoar o conteúdo para vocês.

Dessa vez, eu preparei um formulário para que eu possa conhecer vocês cada vez mais e para que eu consiga trazer o novo conteúdo com a qualidade que vocês merecem. Será que vocês podem me ajudar? Prometo que não leva mais que cinco minutos!



Ah, e se você não quiser preencher agora, tudo bem! É possível acessá-lo neste link numa outra oportunidade.

Obrigada por tudo! Vejo vocês em breve.

Ontem fez um mês #ConhecendoSP

4 de fevereiro de 2017

Foto: We Heart It
Ontem fez um mês. Eu não voltei para casa. Descobri que as roupas não eram suficientes, os livros eram muitos e que a saudade dói muito mais do que a gente imagina. Ontem fez um mês que eu me mudei para São Paulo e o processo foi bem diferente do que imaginei. Foi ontem que eu descobri que, na verdade, eu não estou em uma viagem longa que logo vai acabar e eu vou poder tomar um banho no chuveiro de sempre e comer a comida de sempre na casa dos meus pais.

Descobri que saudade de casa é mesmo uma coisa maluca. Eu perdi a noção do tempo por uns dias, chorei por outros intermitentemente. Passei mal. Tive febre. Fui ao hospital. Tive crises de ansiedade. Chorei com todas as minhas amigas. E passou.

Foi em São Paulo que eu descobri um pouco mais sobre a aplicação perfeita da frase que diz que “nada como um dia após o outro”. É verdade! Nada como o amanhecer de uma segunda depois de um domingo difícil. Nada como o sol de sábado depois de não sair com os amigos de sempre na sexta.

Tenho descoberto que essas mudanças são uma ótima maneira de redescobrir quem eu sou, na verdade. Rever limites, valores, emoções. Descobrir o tamanho do amor que a gente sente pelo nosso lar, pelos que ficam. Pela sua própria vida. Descobrir que saudade também dói para quem vai e não só para quem fica – como pensei por muitos anos.

Morar longe de casa, praticamente sozinha, é sempre uma descoberta. E por mais que doa, a sensação é de que valerá à pena. Simplesmente porque nossas lutas nunca são em vão. Ontem fez um mês. Eu não voltei para casa. As chaves da minha antiga vida estão guardadas na gaveta e vai demorar para que eu as use novamente.

Ainda não consigo chamar São Paulo de lar. Mas sinto que, na verdade, isso não vai demorar a acontecer. Ontem fez um mês.

Meu amor ainda é

2 de fevereiro de 2017

Foto: We Heart It
Texto escrito para o site O Segredo.

Você me olhou, sorriu e me puxou. Eu pensei então que amar era transcender lugares olhando dentro dos seus olhos. Eu pensei que o amor morava dentro do seu sorriso, ao lado da pinta na orelha que você tem ou por entre seus dedos quando você me segurava pela mão. Em uma sequência de brigas, eu nunca ousei pedir a separação. Eu realmente entendi que o amor morava em seu sorriso, nos seus olhos e, também, por entre seus dedos.

Eu entendi que era amor até mesmo no dia que você foi embora com aquela mala de couro preto meio desarrumada e mofada, mas dizendo que era melhor você fazer aquilo. E aí eu vi o amor escorrendo por entre os meus dedos, fechando meus lábios e me fazendo parar de sorrir. É amor até quando você aparece em meus sonhos, anos depois.

Você me olhou, atravessou a rua e virou o rosto. Eu pensei então que amar era ultrapassar os lugares e sentir uma fisgada na alma, porque, naquele dia, o chão saiu dos meus pés. O coração bateu mais forte. E, lá no fundo, doeu. Eu olhei por mais uma ou duas vezes, coloquei a mão na testa como naqueles filmes de cinema que a mocinha desmaia e respirei fundo. O chão não havia voltado. A noção de tempo e espaço havia sido perdida.

Era você. Era amor.

Hoje, quando eu olho para aquela porta, eu ainda consigo te ver chegando do trabalho, largando a mochila na cama e reclamando do seu chefe. Eu ainda ouço o som da sua gargalhada – e morro de medo, todos os dias, de esquecer a parte mais bonita que há em você. Eu ainda transcendo lugares quando lembro de ti. Eu ainda sinto minha mão suar quando lembro do seu cheiro. Eu ainda sinto você, ao meu lado na cama, quando aparece em meus sonhos.

Depois desses anos todos, eu realmente entendi que o amor vive em mim porque você ainda está aqui. E acredito fielmente que ainda vai demorar a se despedir, porque todos os dias eu lembro de nós dois. Com a mesma força, na mesma proporção. Ainda é como se você transcendesse lugares comigo. Ainda é como se você gargalhasse para mim. Ainda é como se você segurasse por entre meus dedos.

Meu amor, ainda é.