15 dias de mudança

11 de agosto de 2017


Todos os dias a gente quer mudar algo. Todos os dias a gente quer ser melhor. Todos os dias agente se arrepende. E muitas vezes a gente diz que vai mudar e não muda. Por que eu estou dizendo isso? Porque me encaixei no seleto grupo de procrastinadores que deixam tudo para amanhã e amargam o arrependimento de não ter começado nada antes.

Mas "segunda eu começo", digo sempre. "Estou cansada hoje", falo muitas vezes. Assim, adiei meus estudos, adiei hábitos saudáveis, adiei opções melhores para a minha vida. Abdiquei de uma série de soluções que teriam aparecido se eu não tivesse procrastinado. E por que eu estou contando isso agora? Porque resolvi começar hoje. Assim. Em plena sexta-feira.

Aprendi que quando se assume um compromisso publicamente, a gente tende a colocar mais empenho e fazer até o final. Achei justo dividir essas reflexões e me colocar nesse desafio. Serão 5 mudanças nada radicais, mas que exigem muito empenho para os próximos 15 dias. Não são coisas complexas e 15 dias pode até ser pouco tempo para uma série de mudanças que quero fazer, mas eu preciso iniciar os ajustes e acho melhor começar agora.

É sempre ruim quando a gente adia soluções que só nos beneficiam. É sempre ruim quando a gente opta por continuar a mercê dos dias, vivendo como se a vida de resumisse em aguardar as 18h do relógio para se jogar no sofá e só. O ócio sempre me incomodou e não é justo me tornar refém disso agora.

Nos próximos 15 dias, algumas coisas vão mudar. E mesmo que não sejam mudanças radicais, elas são importantes para mim. Acho que você deveria tentar! Que tal? Escolha 1, 2 ou 5 hábitos que você deseja colocar em prática nos próximos 15 dias e se joga. Mesmo que não seja uma grande mudança. O primeiro passo é tão importante quanto o trajeto que você vai fazer.

Agora vem cá e me conta aqui: o que você mudaria na sua vida nos próximos 15 dias?

Amar não tem que ser difícil

8 de agosto de 2017

Imagem: We Heart It
O amor não pode pesar. Não pode ser complicado, doloroso ou causar sofrimento. Precisa ser fácil. E eu sei que você sabe disso. Eu também sei, confesso. Vira e mexe esqueço, assumo. Mas é que para amar a gente não tem que se esforçar demais. É simples assim.

Amar o outro não tem que precisar de choro. Brigas. Sermões. Ceder sempre. Precisa ser fácil. Precisa ser de graça. Precisa ser livre de todas as amarras que a gente coloca no meio do caminho. Transbordar amor, amar alguém depende de quão leve a gente consegue fazer ser esse processo de doação. E isso não tem que ser difícil.

A maturidade me ensinou que amor não precisa nem deixar frio na barriga de ansiedade. Isso é coisa de paixão. Amor é segurança. Confiança. Tranquilidade. E se alguma dessas palavras não fazem parte do seu amor, então não tem mesmo como ser fácil. Para amar não precisa de muito. 

Um punhado de sentimentos bons, a certeza de um amor tranquilo, uma dose de dedicação, mais um tanto de amor próprio e amar será uma das poucas coisas sem dificuldades da sua vida. E, moça, se dói, você precisa rever isso. Amar não tem que ser difícil.

Querida ansiedade

1 de julho de 2017

Imagem: We Heart It
Soube que você vai caminhar comigo o resto da vida. Que não vai passar nunca. Que vai continuar enfeitando meus dias com uma dose de desespero, outra de preocupação e um pouquinho de taquicardia todo dia antes de dormir.

Soube também que nunca mais posso descuidar das atividades físicas, das receitas caseiras de "como viver bem" e nem ao menos posso fingir que você não existe - me falaram que é muito pior. Soube que você fica ao meu lado sempre, de maneira singela, mas que vai sempre aparecer no apagar das luzes ou me pegar de surpresa no meio do caminho para o trabalho ou para aquele passeio que estou esperando a dias.

Você é o típico problema que eu vou ter que encarar. Todos os dias. O típico problema do século 21, das piadas em família, do "é só não se sentir assim" ou "você precisa fazer algo para mudar isso". Você é quase parte de mim.

A falta de ar é imperceptível. A dor de cabeça é discreta. As mãos suadas também. A dor no estômago sempre chega de mansinho. Os olhos quase cerrados e a sensação de que o mundo abriu sobre meus pés beira o irreal - quase ninguém vê.

Eu não queria que você me acompanhasse. Na rotina, na viagens, na vida. Não queria que me desse a mão sem autorização, um abraço sem meu ok ou aparecesse sempre como quem não quer nada. "Eu só vou pensar sobre isso por um minuto", eu sussurro, e lá está você pronta para me atormentar com uma carga de suor e adrenalina capazes de me virar de ponta a cabeça.

Você, cara ansiedade, não só é realmente surreal como também existe, de verdade, em mim. Soube que vai caminhar comigo o resto da vida. E eu desejaria muito não ter que fazer esse trajeto - não com você.

Como a depressão mudou a minha vida

25 de junho de 2017

Foto: We Heart It
Já faz um tempo que interrompi a medicação. Um ou dois anos, talvez. Já fazem uns anos que a minha psicóloga me perguntou "a rotina está mais pesada do que você é capaz de aguentar, Dreisse?" de maneira muito sutil e amigável. Eu disse que sim. E como ela já me acompanhava há anos, o diagnóstico não tardou a chegar: com uma grau de transtorno de ansiedade generalizada (TAG)) que não melhorava nunca, veio a depressão. Eu não lembro como eu contei para os meus pais. Eu sequer me lembro se eles haviam percebido minha diferença de comportamento ou algo do tipo. 

Há uma série de coisas que eu não me lembro dessa época. Mas por que então eu estou contando isso? Porque há uma série de coisas que as pessoas precisam aprender sobre isso e, sabemos, aprenderão ouvindo a voz de quem já sofreu com o problema. 

Tudo foi muito mais simples do que eu pensei, mas, na época, tiveram proporções gigantescas na minha vida. A primeira dose de remédio, a insônia como efeito colateral, as vontades de não sair da cama, do chuveiro, sumir da faculdade, não acordar para trabalhar. O leve e grave afastamento dos familiares, dos amigos, as crises repentinas, as dores no corpo. As dores no corpo. Se eu pudesse falar uma única coisa sobre a depressão, eu diria que ela dói. Literalmente falando. 

Mas, foi com ela que eu aprendi o mais impagável dos clichês: nada como um dia após o outro. E aprendi também, na marra, que não há vida passível de controle sob as minhas mãos. Por mais que eu quisesse ter o mundo sob o meu colo. E isso diz tanto sobre minha ansiedade também que hoje, depois da tempestade, eu de certa forma sou muito grata. 

O tratamento, como eu disse, foi gradativo e, para mim, muito longo. Mas necessário. Chorei feito criança quando recebi alta da psiquiatra. Por mais difíceis que alguns dias ainda sejam, por mais que as marcas e as lembranças da depressão ainda sobrevivam dia após dia, a consciência sobre mim e os sentimentos que eu carrego hoje é o que sobressaiu depois de todo esse tempo. 

Aprendi a olhar para o futuro com esperança e tranquilidade - mesmo que nem sempre pareça no meu dia-a-dia. Aprendi a compaixão e a olhar para a dor do outro sem julgamentos - poucas pessoas foram capazes de fazer isso por mim. Não aprendi a ter paciência, mas aprendi a respirar fundo quando necessário. Aprendi a não acumular tensões - mesmo que até hoje eu adoeça por problemas emocionais. E aprendi o mais importante para mim: eu tenho tempo. Tempo para aprender, para viver, para dar passos ou regredir se necessário. 

E para você que acha que não tem mais jeito, eu peço que tenha calma. Agarre-se em quem te ama. Peça ajuda se necessário. E não desista. Foque em quem você é de verdade e lembre-se: tá tudo bem, moça (o).

Eu não quero ser blogueira

20 de junho de 2017

Foto: We Heart It
Eu voltei. E fui. E voltei. E pode ser que daqui a pouco eu vá de novo. É que eu odeio escrever por obrigação. Sabem? Tão bom quando as palavras escorrem de mim sem esforço algum. Tão bom quando eu ainda escrevia para um pequeno espaço meu que eu nem lembro mais o nome - mas com certeza não tinha mais de dois leitores por mês. 

Acho que esse boom de blogs não faz bem para todo mundo. Quando você diz que tem um blog, as pessoas te chamam de blogueira e imaginam que você tem diversos seguidores do Instagram. Não tenho nada contra quem leva isso como uma profissão. Sério. Mas não, cara, eu não sou blogueira. Eu só tenho um blog. E uso ele para escrever meus desesperos todas as vezes que vou e volto. 

E até acho que é por isso que eu fui de novo. Não gosto da obrigação de escrever. Odeio pensar pautas. Odeio imaginar em quantos caracteres meu texto tem que caber ou em qual rede social eu vou gerar mais engajamento. Eu só quero escrever. Eu realmente não me importo se uma ou um milhão de pessoas vão ler. Eu-só-escrevo. 

Acho que é por isso que voltei também. De novo. Pela milésima vez. Eu preciso continuar sendo eu. Eu entendi que não preciso ser uma máquina de gerar parágrafos. Meus textos precisam que eu seja apenas leve, mesmo que para eles existirem, meus pesos precisam transbordar em mim. Eu não preciso fazer dinheiro com isso aqui. Muito menos garantir likes em selfies produzidas ou escrever textos que viralizam. 

Eu só tenho um blog e isso me basta. Gosto daqui porque escrevo minhas miudezas. Transbordo minhas dores. Coloco no papel o que ficou entalado por meses. Volto com meses de história para contar dessa vez. E que a gente que escreve continue sendo leve, mesmo que a internet e suas mil invenções às vezes nos engulam.