16 março 2015

Sinais de loucura

Imagem: We Heart It
Fui chamada de louca hoje. As pessoas me olharam na rua como se eu tivesse enlouquecido. Minha mãe, meu pai, meus amigos. Uns poucos entenderam que eu precisava. Todo o resto julgou. "Você beira a loucura", disseram. Todo ser humano beira a loucura. E todos deveriam procurar ajuda. Desconfio da pessoa que nunca ficou louca, que nunca quiser ser louca, que nunca perdeu o sentido e a razão da vida e enlouqueceu por isso.

Desconfiei de todo mundo que passou na rua e me viu chorando hoje. Desconfiei das pessoas que disseram que estava louca. Porque não estou louca. Desconfiei da minha chefe que passou mais serviço justo hoje no dia que fiquei louca. Desconfiei da minha amiga que disse que eu não fiquei louca, que é temporário e que via ficar tudo bem. Não vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo ótimo. Porque eu não enlouqueci. Nem você querida. Não estamos loucas.

Não tá fácil viver a vida sóbria. Agora entendo as pessoas que descontam no álcool ou no cigarro. Não é certo, mas faz todo sentido do mundo quando você precisa de um motivo para continuar. Esse motivo pode ser a sua cama, o seu choro ou o seu copo de vodca. No meu caso, ainda sou eu mesma. Estou tão bem, olha só. Chorar quase todos os dias não é estar louca, não é querida? Não é.

Vou me tratar num hospital de saúde mental. Foi assim que contei para o meu marido que eu estava louca. Ele quase chorou. Disse que a palavra era muito feia. E que eu estava realmente muito louca. Saúde mental confunde as pessoas. Todos falam de doenças físicas o tempo inteiro e é normal ter um pouco de dor de cabeça ali, um pouco de dor no corpo aqui, o pé dói, o cotovelo dói, a língua dói, mas a mente e a alma não. Dores emocionais são aberrações para as pessoas. Logo eu que sempre achei isso tão comum. 

Mas, espera! Eu não tenho um marido. E nem conversei com meu ex-namorado hoje. Realmente, devo estar louca. Essa loucura tem afetado todas as partes do meu cérebro e a médica me garantiu que o remédio vai aliviar alguns efeitos físicos porque eu não estou louca. Não estou. Você está, querida? Eu não. Beijos.

10 março 2015

Devaneios loucos

Imagem: We Heart It
Chorei dez vezes. Seguidas. Fugi por tanto tempo. Dei volta nos quarteirões, andei esquinas procurando alguém que nunca encontrei e percorri lugares buscando algo que eu nuca soube o que. Quer dizer, agora eu sei.

Meu processo de achado e fuga nunca se resumiu a outra pessoa. Nunca se resumiu a ex-maridos, ex-amantes, ex-amigos ou qualquer pessoa que tenha passado pela minha vida e eu tenha deixado para trás. Meu processo de fuga e encontro se resume em mim.

Fugi a vida inteira de uma pessoa que eu não fazia a menor questão de conhecer. Percorri ruas vazias buscando encontrar nas pessoas sensações e sentimentos que eu não queria procurar em mim.

Comecei a enxergar que meu cansaço repentino das pessoas não era culpa nelas. Não era culpa do universo. Meu cansaço repentino das pessoas era fruto do meu cansaço interno. Da culpa que sentia, sem saber, por não gostar de mim mesma. Dos sentimentos que não quis descobrir. Dos nervos a flor da pele quando eu era obrigada a ficar sozinha. Do buraco imenso que todo mundo sempre foi capaz de deixar em mim.

Esse buraco era meu. Só meu. Minhas fugas sagazes e de forma rápida eram a minha maneira de externar que aquela pessoa ou coisa não me completava mais. Meu erro foi querer ser completa com alguém. Ou com algo. Qualquer coisa que te permita por um segundo não pensar em si mesmo. Qualquer coisa que te faça esquecer que você é vazia. Porque você não se preenche. Você não se preenche, entende? Eu ainda me sinto vazia. Ou cheia de mim. Não sei ainda.

Um dia você senta na cama e chora. Porque sabe que esvaziou. Ou que nunca esteve cheia. Eu nunca estive, assumo. E coloquei mil coisas no lugar como forma de tampar esses buracos ínfimos que a vida da gente tem. E sabe que trabalho é uma ótima desculpa? Trabalho, festa, namorado novo. Tudo. Qualquer coisa é melhor do que encontrar com você mesmo numa noite de sexta ou segunda. Porque tanto faz que dia é. A solidão da alma não escolhe dia, mas a sorte é que nas segundas você consegue fingir que está infeliz pelo simples fato de ser segunda. E nas sextas é hora de abrir o sorriso e ir viver a vida linda que você tem. Aquela mesma que você passa a semana inteira idealizando para não ter que perceber que te falta algo. Te falta algo, amiga.

Caçando metades, me tornei meia. Meia pessoa, meia mulher, meia filha, meia profissional, meia namorada. A outra parte não era minha. A outra parte era o buraco de enfiar coisas que nunca me acrescentariam em nada, me cansariam em breve e eu largaria no canto. A outra parte nunca estava completa porque nunca era da responsabilidade das pessoas ou coisas completar aquilo

A pior coisa que se pode fazer da vida é não assumir a sua responsabilidade. Porque, sabe, é tão mais fácil colocar a culpa no outro. Tão melhor não viver com a dor de não se completar. Porque, claro, a culpa é do namorado que não me dá tempo. Da faculdade que toma meu tempo. Dos filhos chatos que não me deixam cuidar de mim. Da amiga que só sabe falar sobre si. A culpa nunca é minha. Nem sua, amiga.

Das piores dores, não se bastar é a que mais dói. Cair na real depois de ver que nada mais resolve dói dobrado, acredite. Chorar vendo o comercial de margarina porque você além de sozinha é refém de um sentimento terrível é doloroso. Sair desse processo, arde.

Um dia eu virei a esquine e dei de cara comigo. Sentada no chão, chorando sem saber muito bem o que eu fazia. Me sacudi umas três vezes até ver que era eu mesma. E metade de mim não estava lá. Nem ouse a me perguntar o que é essa outra metade, porque eu não sei. Nunca soube.

Gente vazia não se conhece para saber o que falta. Gente vazia transborda sofrimento porque, para tudo, sofre a metade que está faltando. Gente vazia não merece céu. Não merece amor. Não merece trabalho bom nem amigo legal que é para não jogar expectativa demais em gente que não é dele. Gente vazia se acha dono de todo mundo. Gente vazia dorme e sonha com qualquer coisa que a leve de encontro para si. E acorda no meio da noite dizendo que tem insônia.

06 janeiro 2015

Sobre amores e cadeados

Dia desses vi na televisão um casal escrevendo o nome dos dois em um cadeado e o prendendo em uma dessas pontes famosas pelo mundo. Depois disso, ela jogou a chave em um lago e deu um beijo em seu companheiro. Senti o braço arrepiar e balancei a cabeça negativamente. Cadeados e amor não combinam. Um objeto de ferro, pesado, feito para trancar portas e grades sendo símbolo de um amor que deveria ser livre e leve. Como pode?

Fiquei me perguntando que tipo de amor precisa de um cadeado como símbolo de “eterno”. Que tipo de amor é esse que te faz querer a pessoa presa eternamente à você. Que tipo de amor é esse que você quer eternizar em um objeto feito para trancar gaiolas. Que tipo de amor eu quero para mim. Que tipo de amor você quer para você.

Não sei muito sobre amor. Quase nada, confesso. Mas, de tudo que sei, me resta uma certeza absoluta: não quero um amor que escreva meu nome em um cadeado e jogue a chave fora. Quero um amor livre. Quero estar do lado de alguém porque eu estou escolhendo ficar, todos os dias, em todos os momentos. Quero um amor que escreva nosso nome na areia e deixe o mar apaga-lo pouco a pouco e que leve nosso sentimento pra imensidão do oceano. 

Deus me livre de um amor que coloque nosso nome em um cadeado. Amém.
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